domingo, 30 de novembro de 2014

Crítica: "OS CROODS" (2013) - ★★★


Os Croods é uma jornada tremendamente triunfante e espetacular através de um cenário surrealista da pré-história e das condições naturais da época, dentro da história de uma família que vive um nada habitual processo de sobrevivência e de adaptação, enquanto resiste ao embate dos animais pela busca de comida e lugar. É claro, a jornada favorece uma parte da história que requer uma observação mais ímpar e aproximada das condições que o tempo ofereceu, porém, aqui no filme o que realmente surpreende é a magia da pré-história, não em termos reais, mas em termos de vivência. A animação acompanha o desenvolvimento de uma família durante a formação dos continentes, e o filme procura retratar da maneira mais impecável e original possível essa passagem que mudou para sempre a história da vida no universo. Com direito á uma trilha sonora sensacional e uma fotografia deslumbrante, Os Croods é tão interessante quanto divertido.

O filme nos proporciona a questão de avaliar lentamente todo esse processo, e nos permite vivenciá-lo, poder tocar toda a grande jornada que passou nos olhos dos antepassados que viveram o tempo dessa transformação. E a experiência torna-se cada vez mais real aos olhos de seu público. Uma criança poderá se encantar com a magia sublime visual de Os Croods e as relações que uns animais tinham com os outros, assim como os humanos, pois para eles, esse "mundo" desconhecido não existia e agora, eles podem presenciar essa história através do encantador poder do cinema de causar as mais diversas impressões e contar as mais incontáveis histórias. E uma animação com o grande impacto de Os Croods proporcionará a oportunidade de sentir através das cores refletidas em um espectro a emoção de ter vivido num passado tão distante, que reflita as possíveis origens da vida, de uma maneira moderna e simplesmente maravilhosa.  

Os Croods (The Croods)
dir. Chris Sanders e Dean DeBlois - ★★★

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Adeus, ROBERTO GOMÉZ BOLAÑOS (1929-2014)


Faleceu em Cancún, hoje nessa sexta feira (28) aos 85 anos o ator, comediante e escritor mexicano Roberto Goméz Bolaños, mais famoso pela criação de seriados internacionalmente aclamados, como Chaves e Chapolin Colorado, que fizeram um enorme sucesso na televisão brasileira. A informação de sua morte foi divulgada pela rede de TV Televisa. Nos últimos anos, o comediante teve algumas complicações em relação á sua saúde frágil, e ultimamente, passava a maior parte do tempo deitado com acompanhamento por 24 horas. "O México perdeu um ícone, cujo trabalho transcendeu gerações e fronteiras", afirmou o presidente mexicano Enrique Peña Nieto;

Chespirito e seu universo marcaram a história da televisão mundial, sua genialidade precoce e seu senso de humor que nos permitiu dar boas risadas diante de suas criações. 

Adeus, Chespirito. Obrigado por nos ensinar e inspirar diversas gerações com sua exemplar visão do mundo, que tão gratificantemente soube conduzir sua identidade avassaladora a um enorme público, hoje tão esmeradamente agradecido por seus feitos. Aqui fica nossa simples homenagem á Bolaños. (aplausos)

"É melhor morrer do que perder a vida."
- Chaves

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Crítica: "O LABIRINTO DO FAUNO" (2006) - ★★★★★


A voz própria de O Labirinto do Fauno traz elementos únicos, como o épico e a fantasia, que ao decorrer dessa história brilhante, se aperfeiçoam e ganham uma camada de vida quase sub-realista. O filme narra uma série de eventos na vida da ingênua Ophelia, cuja mãe está grávida de um rígido capitão da Guerra Civil Espanhola, que está no controle de uma operação para identificar um grupo fascista. Ophelia descobre a amizade de Mercedes, a empregada da casa onde ela está hospedada junto com a mãe, e através do labirinto do fauno, inicia-se uma jornada fantástica e espetacular, quão misteriosa e surrealista. Ophelia descobre ser a reencarnação de uma princesa, e para poder atingir a imortalidade e a outra vida, terá que cumprir algumas das provas impostas pelo fauno, seu guiador. Entre cenas sangrentas e prosperamente violentas protagonizadas pelo capitão Vidal encenando o frio fascismo à beira de uma catástrofe, e outras surpreendentes e encantadoras passagens de Ophelia no mundo subterrâneo, o filme te transporta para outra dimensão, dentro da mente genial de Del Toro. 

Indicado a seis categorias no Oscar 2007, e vencedor de três (Melhor Fotografia, Melhor Maquiagem e Melhor Direção de Arte), nenhum filme dirigido por Del Toro até hoje conseguiu superar o profundo impacto deste, não só pela história, mas pela maestria neo-realista utilizada na película mexicana/espanhola. A performance seguramente inesquecível de Ivana Baquero no papel da garota Ophelia, acompanhada de um elenco desbravador, com Sergi López, Maribel Verdú, Ariadna Gil, são categorizados impecavelmente em cada performance. O destaque de O Labirinto do Fauno o transforma num autêntico clássico moderno do cinema infanto-juvenil, e provavelmente uma das mais bem feitas produções estrangeiras de todos os tempos. O Labirinto do Fauno nos apresenta a oportunidade de analisar uma obra-prima incluindo cada artifício minimalista utilizado perfeitamente nela, com toques que a tornam mais real, e definitivamente, um trabalho de arte magnífico e sublimemente mágico como uma fábula.

Também trata-se de uma obra regida por sua magistral e impecável beleza, indiscutivelmente esplêndida. O Labirinto do Fauno, situado em algum lugar entre um eletrizante terror gótico e um conto infantil imprescindível e repleto de fantasia, explora a ingenuidade de uma criança comovida com a mudança contrastando com o totalitário universo de uma guerra, e a rebeldia de seus opositores. O bom é que esse misto funciona, e O Labirinto do Fauno se auto-consagra, pois remonta um gênero inteirinho no fim de entregar nas mãos do espectador um trabalho lindíssimo, e único. É muito bom mesmo!

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno)
dir. Guillermo del Toro - ★★★★★

terça-feira, 25 de novembro de 2014

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2015 - OS INDICADOS


Foram anunciados os indicados ao Independent Spirit Awards 2015, uma das premiações mais importantes do cinema contemporâneo. E adivinha quem foi o grande felizardo que arrecadou seis indicações? Sim, Birdman superou Boyhood e levou seis gloriosas indicações. A premiação é uma ótima indicadora para o Oscar, e isso pode ser benéfico para Birdman. Uma pequena nota: o vencedor da premiação de 2014 foi 12 Anos de Escravidão, o mesmo vencedor do Oscar de Melhor Filme! 

A premiação acontecerá dia 21 de fevereiro de 2015 (tradicionalmente, um dia antes do Oscar, o que aumenta as expectativas!). O blog Lumière & Companhia fará a cobertura completa do prêmio.

Confira a lista completa dos indicados ao Independent Spirit Awards 2015:

MELHOR FILME

Birdman
Boyhood
O Amor é Estranho
Selma
Whiplash

MELHOR ATRIZ

Marion Cottilard - Era Uma Vez em Nova York
Rinko Kikuchi - Kumiko, a Caçadora de Tesouros
Julianne Moore - Still Alice
Jenny Slate - Obvious Child
Tilda Swinton - Amantes Eternos

MELHOR ATOR

André Benjamin - Jimi: All is by My Side
Jake Gyllenhaal - O Abutre
Michael Keaton - Birdman
John Lithgow - O Amor é Estranho
David Oyelowo - Selma

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette - Boyhood
Jessica Chaisten - A Most Violent Year
Carmen Ejogo - Selma
Andrea Suarez Paz - Stand Clear of the Closing Doors
Emma Stone - Birdman

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Riz Ahmed - O Abutre
Ethan Hawke - Boyhood
Alfred Molina - O Amor é Estranho
Edward Norton - Birdman
J.K. Simmons - Whiplash

MELHOR DIRETOR

Damien Chazelle - Whiplash
Ava DuVernay - Selma
Alejandro González Iñárritu - Birdman
Richard Linklater - Boyhood
David Zellner - Kumiko, a Caçadora de Tesouros

MELHOR PRIMEIRO FILME

A Girl Walks Home Alone at Night
O Abutre
Dear White People
Obvious Child
Ela Perdeu o Controle

MELHOR ROTEIRO 

Big Eyes
A Most Violent Year
O Abutre
Amantes Eternos
O Amor é Estranho

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO

Uma Boa Menina
Amor por Acidente
The One I Love
Dear White People
Ela Perdeu o Controle

MELHOR FOTOGRAFIA

Era Uma Vez em Nova York
Birdman
Selma
It Felt Like Love
A Girl Walks Home Alone at Night

MELHOR EDIÇÃO

Boyhood
Whiplash
O Abutre
A Most Violent Year
The Guest

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Força Maior - Suécia
Ida - Polônia
Leviathan - Rússia
Mommy - Canadá
Sob a Pele - Reino Unido
North, The End of the Story - Filipinas

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Nick Cave - 20.000 Dias na Terra
Citizenfour 
Stray Dog
O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Virunga 

Crítica: "A ÁRVORE DA VIDA" (2011) - ★★★★★



A Árvore da Vida não é apenas uma reflexão sobre todas as coisas e a criação do universo, mas é a observação dos elementos que contribuíram para a formação da vida na Terra e a formação de todos os seres que nela habitam. O filme tenta aproximar a fé da ciência de uma maneira da qual ambas consigam atingir a razão, ao invés do embate que as divergem. Alguns se sentiram desconfortados ao assistirem A Árvore da Vida, mas é inegável dizer que se trata de uma obra carregada de um sentimentalismo próprio e a maestria divina e filosófica do cineasta americano Terrence Malick, quão incompreensível e intocável.

O roteiro incrementa todos os aspectos da vida, através da conexão dos seres vivos. De um lado, somos apresentados á uma família texana do interior, parcialmente comum. A mãe é sensata e insegura, ingênua e dócil, que preza o valor da religião e da família, apesar de ser controlada pelo marido. O pai controlador e severo, impaciente e flexível, não tolera comportamentos irregulares da parte de seus filhos , e por isso os trata rigidamente e os ensina o caminho da educação e de uma vida exemplar, mas nota-se que o próprio também se encontra divido entre a família e o trabalho. Os filhos são infelizes e oprimidos em razão á triste e decadente relação com o pai. Com o tempo, os filhos amadurecem e se voltam contra ele, buscando a liberdade e a fuga da rotina privada. Já no tempo atual, a morte de um dos filhos causa um desequilíbrio intenso: a mãe está confusa em relação á tudo que já foi construído na família e o pai é domado por uma sensação melancólica de culpa. Diante das relações que o filme realça, tudo se encaixa perfeitamente, mostrando a cadeia que aprisiona a vida dos humanos, seus medos e suas esperanças, suas ambições e suas regras.

Do outro lado da história, a fotografia surreal comandada pelo Emannuel Lubenzki é refletida nas cenas que interpretam a origem da vida e de tudo ao redor de nós. As flores, os répteis, as bactérias, os dinossauros, os tempos inicias são retratados de uma maneira realista e abstrata por Malick. A chama incandescente que ilumina o espaço frio. A dança do vento que paira no deserto vazio. A chuva que molha suavemente o solo seco. A água que corre sensualmente no leito de uma cachoeira barulhenta. O sol que toca a folha das árvores. Tudo tem um significado, e Terrence Malick não desiste e tenta convencer o público de sua ansiedade por codificar todo o sentido da vida nos aproximados 130 minutos de pura reflexão e uma profunda sensibilidade formal. 

A Árvore da Vida demonstra o melhor de Terrence Malick, sua visão autêntica, alternativa e única, vista em Cinzas do Paraíso e Além da Linha Vermelha. Porém, até hoje, a arte expressiva e filosófica de Malick atingiu seu auge em A Árvore da Vida. Sublime e subrealista, afetivo e triunfante. Uma obra-prima que filma o instinto humano através de uma maestria poética que não precisa de Hollywood, ou de Steven Spielberg para atingir um nível de impacto consideravelmente maior do que muitas produções contemporâneas. O espírito do filme eleva a existência e a estrutura, que possibilita da análise do desenvolvimento familiar á expansão do conflito entre a razão e a liberdade, e um registro inesquecível dos tempos primordiais em uma passagem visual astronômica. A Árvore da Vida, não é só um filme, mas uma jornada preciosa e transcendente.

A Árvore da Vida (The Tree of Life)
dir. Terrence Malick - ★★★★★

domingo, 23 de novembro de 2014

Crítica: "FRANKENWEENIE" (2012) - ★★★★


Falando de Tim Burton, Frankenweenie é tão magico quanto Edward Mãos-de-Tesoura, Alice no País das Maravilhas, A Noiva Cadáver, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas; entre outras grandes obras do diretor, que assinaram seu estilo peculiar e um tanto obscuro. Astuto e ambicioso, Frankenweenie (primeira animação stop-motion de Burton) desperta os mais intensos sentimentos, cria um efeito nostálgico encantador (ainda mais fotografado sob preto e branco) que facilmente chama a atenção de seu público e o prende a esta comovente fábula. E mais uma vez, Burton fabrica uma autêntica obra de arte, assim como muitos de seus filmes. 

Adaptado do curta-metragem de 1984 do diretor (o mesmo que o demitiu da Disney, que considerou o curta explícito e muito "assustador" para crianças), a história narra a vida de um garoto comum, Victor Frankstein, cujo cachorro morre violentamente atropelado por um carro. Dias depois, o garoto tem a ideia de trazê-lo á vida através da bioeletricidade (vida através da eletricidade), técnica ensinada por seu professor de ciências, Sr. Rzykruski (com a voz de Martin Landau). Após o cãozinho voltar á vida, seus colegas começam a se interessar pela técnica e tentam "roubar" a ideia de Victor. 

O resultado é simplesmente impressionante. Frankenweenie é cativante e ao mesmo tempo, serve de base para um conto tremendamente adorável. Desta vez, Tim Burton elimina a companhia de seus atores inseparáveis, Johnny Depp e Helena Bonham Carter (que protagonizam quase todos os filmes dirigidos por Burton). Porém, existe a participação de outros atores que já estiveram presentes em outros de seus filmes: o já citado Martin Landau (vencedor do Óscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1995 por Ed Wood), Catherine O'Hara (O Estranho Mundo de Jack, Os Fantasmas se Divertem), Martin Short (Marte Ataca!), Winona Ryder (Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos-de-Tesoura) e Conchata Ferrell (Edward Mãos-de-Tesoura)

Indicado ao Óscar e ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação em 2013 (tendo perdido em ambas as premiações para a produção conto-de-fadas da Pixar Valente), Frankenweenie é uma das raras vezes aonde Tim Burton consegue transmitir todo o seu talento cinematográfico num único filme em apenas oitenta minutos, e uma das produções mais fabulosas de toda a sua carreira. 

NOTA: A trilha sonora arrebatadora de Danny Elfman (em sua décima-segunda colaboração com Burton, que começou em Os Fantasmas se Divertem) merece destaque em sua poderosa função de dar vida à estrutura sub-realista do filme. 

Frankenweenie 
dir. Tim Burton - ★★★★

sábado, 22 de novembro de 2014

Crítica: "BLUE JASMINE" (2013) - ★★★★


Woody Allen, desde os anos 80, vem fazendo um filme a cada ano, e raramente o diretor interrompe esse "ciclo". E podemos dizer que três quartos de toda a sua carreira filmográfica seja feita de comédias, tais como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Manhattan; A Rosa Púrpura do Cairo; Hannah & Suas Irmãs; Meia-Noite em Paris entre outras grandes obras-primas do diretor, que deram fama a Woody em Hollywood e em todo o mundo. Os dramas são poucos presentes no currículo de Woody Allen. Mas, com um especial destaque, Blue Jasmine é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes já realizados por ele, e desde Crimes e Pecados, é o melhor drama já escrito por ele. A desconstrução de uma personagem monstra que retorna para os braços de quem um dia já havia rejeitado, sob o pretexto de reencontrar um trouxa para lhe sustentar, resulta num longa espetacular e absolutamente excêntrico.

Protagonizado por Cate Blanchett (numa performance-avalanche vencedora do Oscar, Globo de Ouro e BAFTA), o drama conta a história de Jasmine, uma mulher rica que após perder toda a fortuna, se muda pra São Francisco na casa da irmã. Os problemas da protagonista se intensificam numa narrativa um tanto organizada e complexa, que acompanha as crises nervosas e surtos desesperados da personagem diante da pavorosa e intrigante jornada na cidade e na casa da irmã, provocando alguns pequenos colapsos na vida de sua irmã Ginger, interpretada pela britânica Sally Hawkins (protagonista íntegra e otimista de Simplesmente Feliz, de Mike Leigh).

Ginger, por mais inconsciente que esteja a par da loucura de abrigar a irmã, tende a protegê-la na maioria dos momentos. Só que as duas estão profundamente interligadas na trama. Pois, história vai e história vem - desculpem o spoiler -, Ginger e Jasmine continuam na mesma. Enquanto uma continua com seu mesmo par, apesar das diversas confusões, a outra continua iludida, lunática, no meio do nada, perdida entre a realidade e a fantasia de sua inesperada jornada.

O roteiro de Allen brinca, equilibradamente, com o ritmo desacelerado, porém saudável, do filme, por hora alternando a realidade da Jasmine em bem-montados flashbacks. E não tem erro, já que o espectador vai redescobrindo toda a história a partir dessas curtas intervenções que, apesar do pouco tempo de diferença da atualidade, apresentam um flexível cabimento. Por exemplo, há uma cena na qual Jasmine, ao lado de Ginger, Eddie e Chili, tira uma selfie. Durante um dos flashbacks, onde a Ginger e o marido (naquela época) Augie estavam visitando Jasmine em N.Y., eles vão fazer um tour pela cidade, e pedem para um homem tirar uma foto com uma câmera, hoje em dia um acessório pouco utilizado em meio à moderna safra de telefones celulares, tablets e outros equipamentos que vem com uma câmera acoplada. Woody, de um modo íntegro, afasta um velho estereótipo de que entre a virada e a recaída há uma extensa quantidade de tempo, de forma com que Jasmine tenha ido direto pro saco com a perca da sanidade mental. E não é? Apesar de todo esforço, o tempo nunca reverte uma profunda cicatriz. Quando se está desorientado, sem ninguém e nada, esperar não é o melhor remédio. Um "basta!" à teorização da "cura" pelo avanço do tempo. É provável que esse período reduzido testificado por ele também tenha ligação a seu iminente medo da evolução do tempo, já que o diretor mantém-se o mais afastado possível da degeneração dos anos, que o fazem lembrar de que está um passo à frente em direção ao túmulo, a maior das fobias de Woody. 

Woody Allen, dono de uma genialidade perversa e sutilmente aguçada, brilha tanto na direção como no roteiro (indicado ao Oscar) de Blue Jasmine. Desta vez, Woody usa menos artifícios convincentes no roteiro para conseguir fazer a completa interpretação da vida, do estilo, do diário e dos conflitos da personagem Jasmine, onde o filme se centraliza. Talvez, o filme não seja tão simbólico como Meia-Noite em Paris, ou tão vivaz como Vicky Cristina Barcelona, ou tão furioso e astuto como em Match Point, mas todos os elementos são formalmente apresentados ao público, que é impossível não afirmar que Blue Jasmine é dependente do estilo Woody Allen de fazer filmes. Com um toque dramático jamais visto em nenhum de seus filmes, com a presença do desempenho arrebatador de Cate Blanchett, e com um elenco fulminante, Blue Jasmine é o melhor da arte de Woody Allen, e um dos melhores filmes do diretor vistos ultimamente (junto a Meia-Noite em Paris).

Blue Jasmine
dir. Woody Allen - ★★★★

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Crítica: "12 ANOS DE ESCRAVIDÃO" (2013) - ★★★★★


O melhor filme do ano? Com toda certeza. 12 Anos de Escravidão, talvez, seja o filme que mais se aproximou á realidade da impiedosa escravidão nos Estados Unidos. Ambientado no século 19, o filme narra a história de Solomon Northup, um negro livre que é sequestrado e enviado para um sistema de escravidão que ainda rege na fazenda de um rico proprietário de terras, e então, permanece nesse sistema por quase doze anos, quando é libertado por um advogado criminalista do Canadá. O espírito dessa sensacional obra de arte é o realismo abordado nas características mais sensíveis e estéticas da escravidão, mostrando o drama das pessoas que a atravessaram, e uma delas foi Northup, que pôde nos contar suas obscuras lembranças após sua sobrevivência. 

Porém, os objetivos de 12 Anos de Escravidão são maiores e bem mais ambiciosos do que retratar a desumanidade presente dentro desse regime, mas sim, investigar e analisar todo o percurso de Northup e a busca pela sobrevivência dentro de padrões poéticos, o que seria minimamente perfeccionista para o diretor, Steve McQueen (e foi!). Em partes, o filme questiona os limites de um poder tão cruel e ao mesmo tempo, essa imparcialidade preconceituosa durante o século 19 mesmo após o fim da escravidão. Cada cena possui seu significado, algo do qual o público tem a chance de restaurar através de uma imaginação próspera comandada por seu diretor, McQueen (que se destaca formalmente em 12 Anos de Escravidão), que nos oferece a liberdade de consagrar seu trabalho minimalista, e que exige a nossa atenção. 

Os 134 minutos do filme são cordialmente regidos no ritmo de uma orquestra, que ganha vida suntuosamente entre cada pausa efetuada. E no final, os olhos se enchem de lágrimas após presenciarem tamanho espetáculo, que mistura elementos da realidade com um toque dramático surrealista. É essa a sensação de assistir a 12 Anos de Escravidão, que vem a ser comparado com outros muitos filmes. Talvez, muitos que o assistam possam ter uma breve e repentina lembrança de O Pianista, de Roman Polanski, que narra igualmente a história verídica de Wladyslaw Szpilman, interpretado cautelosamente por Adrien Brody. Aqui, em 12 Anos de Escravidão não temos Brody interpretando Northup, mas temos o talento surpreendente de Chiwetel Ejiofor, no (sem sombra de dúvidas) melhor papel no cinema desde os últimos tempos. Igual destaque á Lupita Nyong'o, atriz queniana que doou sua vida ao papel da escrava Patsey, que lhe rendeu o Oscar na categoria de Atriz Coadjuvante.

Mais que um monumento épico da escravidão, 12 Anos de Escravidão é um clássico instantâneo do cinema atual, e uma representação artística dessa brava jornada histórica, um majestoso estrondo, um retrato incondicional que faz jus ao grande título de Melhor Filme do Ano!

(filme visto em 10/03/2014)

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
dir. Steve McQueen - ★★★★★

Crítica: "INSIDE LLEWYN DAVIS - BALADA DE UM HOMEM COMUM" (2013) - ★★★★


Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum é mais uma brilhante obra-prima dos Irmãos Coen, e uma gloriosa interpretação do cotidiano um tanto melancólico de nosso protagonista, um músico deprimido e fracassado chamado Llewyn Davis, interpretado fantasticamente por Oscar Isaac. No filme, não há uma forma certa de contar como tudo aconteceu ou como os fatos foram se sucedendo automaticamente, já que nossa narrativa é sucedida por cenas comuns da vida do personagem principal e desencontros usuais, assim como o seu título sugere. Mas o filme, ao contrário de seu aspecto pacato e sútil, é intensamente rítmico e astuto ao olhar de seu espectador. 

A visão de reflexão que o filme transmite é algo simplesmente contemplador, que insiste em buscar o mais profundo da série de acontecimentos que culminam a jornada de Llewyn Davis. O resultado dessa experiência é outrora impactante e triunfal. Os elementos, ao decorrer do filme, já não mais passam despercebidos pelo público. Essa característica é visível em outros filmes dos Irmãos Coen. 

Em Fargo, os irmãos usam uma tática convincente e ortodoxa para deixar o público curioso com a misteriosa jornada que acompanha o filme e leva-nos ao interior de sua jornada tresloucada e interessante. 

Em Onde Os Fracos Não Tem Vez, os irmãos criam um novo método intencional e provocante, que consiste em aproximar o foco do roteiro através do limite de seus personagens e seus principais objetivos. O resultado é sucessivo. Agora, em Llewyn Davis, os irmãos reinventam um gênero dramático dentro de uma formalidade épica para encontrar o público, de maneira com que os elementos tornem-se vivos, apesar do filme claramente se tratar de uma comédia. 

A perfeição da qual os irmãos Coen analisam de forma perspicaz a vida de cada um dos personagens de maneira abstrata e a derivação da profundidade filosófica abordada no filme ao retratar um épico de uma forma tão particular e extremamente ambiciosa transformam Inside Llewyn Davis numa memorável, genial e impecável obra de arte do cinema americano moderno! 

OBS. Aplausos à maestria da fotografia fabricada pela visão desconcertante de Bruno Delbonnel.

Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
dir. Joel Coen & Ethan Coen - ★★★★

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crítica: "127 HORAS" (2010) - ★★★★


Entre uma história real e uma história fictícia, pode ter diferenças significantes. Mas em 127 Horas, a história foge dessa diferença e entra num contraste sub-realista, que é magico. Entre a performance de James Franco e a direção de Danny Boyle, também existem inúmeras diferenças, que deixam de existir em 127 Horas, onde ambos os desempenhos são seletivamente brilhantes. Com a força de uma tempestade, e a beleza propícia de um monumento visual, 127 Horas narra uma jornada fantástica (porém real), de um homem que se vê preso ao seu corpo após um pequeno acidente em um cânion, no qual seu braço fica preso numa rocha, e nosso personagem passa longos cinco dias desesperadores acompanhando a lentidão do processo de sobrevivência do qual participa ativamente.

Desta vez, Danny Boyle dirige e escreve 127 Horas, que sem deixar de acompanhar a emotiva cativação de Quem Quer Ser Um Milionário?, é um drama belíssimo. A jornada de nosso personagem principal pode muito bem nos ligar a outros filmes semelhantes, como a dramática história de sobrevivência narrada por Roman Polanski em O Pianista; ou na biográfica comédia dramática do diretor americano Julian Schnabel, protagonizada pelo francês Mathieu Amalric O Escafandro e a Borboleta (mais notávelmente as passagens onde ambos protagonistas recordam o passado, e há cenas em 127 Horas que claramente fazem referência á grande obra-prima francesa de 2008); ou então, quem não tenha se lembrado, aqui vai uma pequena referência: o recente blockbuster de Alfonso Cuarón com Sandra Bullock, Gravidade (num ritmo mais perfeccionista e menos realista). 

Todos os filmes citados apresentam em sua narrativa pessoas lutando pela própria sobrevivência, com a esperança de vitória. E por mais eventual que pareça, essa história (em qualquer narrativa) nunca será clichê o bastante. Em 127 Horas, sabemos que isso nunca aconteceria nas mãos de Danny Boyle.

A performance de James Franco, que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator em 2011, é desoladora e perspicaz, viva e esperançosa, angustiante e ambiciosa o suficiente para causar um tremendo impacto, e então, satisfazer seu público na densidade de seus pouco-menos-que noventa minutos narrando cento e vinte e sete horas! 

127 Horas (127 Hours)
dir. Danny Boyle - ★★★★

Adeus, MIKE NICHOLS (1931-2014)



" - Por que você estava triste?

- A vida."


- Closer: Perto Demais (2004)

TOP 10 - CONSCIÊNCIA NEGRA

Para a comemoração do dia da Consciência Negra, o blog Lumière & Companhia separou dez filmes essenciais sobre o tema:


10. Manderlay, de Lars Von Trier


9. Diamante de Sangue, de Edward Zwick


8. Crash - No Limite, de Paul Haggis


7. Á Espera de um Milagre, de Frank Darabont


6. Hotel Ruanda, de Terry George


5. Adivinhe Quem Vem Para Jantar, de Stanley Kramer


4. O Sol é Para Todos, de Robert Mulligan


3. Django Livre, de Quentin Tarantino


2. 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen


1. A Cor Púrpura, de Steven Spielberg



terça-feira, 18 de novembro de 2014

Crítica: "NINFOMANÍACA - VOLUME I" (2013) - ★★★★


Os filmes do cineasta norueguês Lars Von Trier são cheios de diálogos morais e filosóficos, debates silenciosos e lentos entre seus personagens, que fazem com que eles se encham de características que nos permitam identificar seu anseio pela busca do ser, pela análise do cotidiano relacionado aos acontecimentos dentro de uma sociedade. E isso constrói uma brilhante carreira, que desde Dançando no Escuro (considerado o melhor filme de Von Trier) vem sendo sucedida por filmes belíssimos, como Dogville e Anticristo. 

E novamente, o diretor surpreende o público com seu cinema abstrato, que por vezes, é figurativo, como em Manderlay, Ondas do Destino e até mesmo este filme. Independente de sua estrutura e narrativa, todos esses filmes são amplamente reservados de Von Trier a seu público como um presente para o questionamento e a reflexão, e isso faz dele um autêntico mestre do cinema.

Em Ninfomaníaca, não foi diferente. Houve um pequeno impacto transmitido no primeiro volume da série do diretor, e em partes, o filme choca e assusta a platéia por ser um tanto obscuro e demasiadamente polêmico. Na sua cena inicial, somos apresentados a dois personagens: um homem e uma mulher. Em seus primeiros minutos, a mulher encontrada machucada com marcas de violência em um beco e levada para a casa de um homem cuja intenção é ajudá-la, a história torna-se compreensível: a personagem principal, denominada Joe se diz uma ninfomaníaca, e então passa  a contar sua melancólica e sensual jornada ao homem que interessado, decide ouvir a mulher até então desconhecida.

Dividido metodicamente em capítulos, segmentos da vida de nossa personagem principal, o primeiro volume de Ninfomaníaca pode deixar algumas questões em branco. É bom que o espectador saiba que o primeiro volume é uma espécie de "aquecimento" para o segundo volume, que é um pouco mais longo e intensamente polêmico em relação ao primeiro, mas não deixa de ser esclarecedor e filosófico, assim como o volume I. 

Apesar de misterioso, o filme não deixa de ser uma experiência triunfante e contundente. Von Trier assume a direção e o roteiro de uma de suas melhores obras. Ninfomaníaca navega com o público até o fim, a ponto do qual ele se torne parte do roteiro e possa sentir na pele tudo o que lhe é mostrado. E esses são os traços mais importantes nos filmes de Lars Von Trier, e que são igualmente sucessivos em seu novo filme: o modo de como ele retrata e enquadra sua visão nos padrões da história, e consegue colocá-la num ponto sensível e realista, e em especial, a forma de como suas cenas cheias de diálogos remotos conseguem ganhar a força de uma linhagem estrutural e causar um enorme choque a quem assiste. Apesar de não ser igual a filmes como Melancolia, Ninfomaníaca segue essas "regras" de Von Trier para construir um bom filme (e que quase nunca falha), e fazem com cada película do diretor ganhe uma camada extensa de vida e o faça cada vez mais renomado e único no universo cinematográfico.

Ninfomaníaca - Volume I (Nymphomaniac - Volume I)
dir. Lars Von Trier - ★★★★

domingo, 16 de novembro de 2014

Crítica: "MESMO SE NADA DER CERTO" (2014) - ★★★★


(NOTA: Contém spoilers)

Em 2007, Apenas uma Vez iluminou a carreira do diretor/roteirista John Carney, trazendo uma espécie de musical independente com comédia romântica, o que trouxe um inovador gênero ao seu público. Esse ano, John Carney retorna com Mesmo se Nada Der Certo, uma apaixonante obra-prima que reúne o sensível mundo de uma jovem cantora que perdeu o namorado e a desesperada e deprimente jornada de um produtor musical falido, cujas histórias se reúnem dentro do roteiro brilhante de Carney que afugenta personagens em busca de si mesmos, tentando buscar abrigo na romântica e moderna Nova York, o universo da desilusão e do amor.

Com uma história semelhante á Apenas uma Vez, é possível ver referências ao filme a todo o momento, inclusive em seu final. No entanto, mais uma vez, Carney mostrou seu talento como cineasta e surpreendeu a platéia com uma nova aventura romântica e musical, que é capaz de emocionar incondicionalmente a quem acompanha suas cenas. 

Na dupla central, Keira Knightly (no papel de uma cantora britânica desiludida amorosamente depois de descobrir a traição de seu namorado) brilha num emotivo desempenho acompanhado pela personagem de Mark Ruffalo (um produtor musical divorciado, que vive em condições precárias e um tanto preocupantes devido ao seu fracasso no trabalho) e um elenco instantâneo e produtivo, que progressivamente sobressai como se cada ator fosse preparado automaticamente para seu personagem, tornando a história ainda mais real, apesar da mesma utilizar alguns truques que merecem destaque para fugir do clichê das comédias românticas hollywoodianas, já que o diretor utiliza (genialmente) técnicas presentes em filmes independentes, tais como algumas posições únicas da câmera, a fotografia, e outros meios semelhantes á produção de um filme caseiro. É um estilo metódico de reciclagem do gênero cinematográfico. 

Então, a qual conclusão chego após assistir a essa deliciosa e divertida comédia romântica? Uma nota 10 seria pouco para reconhecer a contundente obra de arte ao tamanho do filme, que mistura drama e romance, comédia e musical, num estilo independente de filme independente, e que foge do clichê, apesar de tratar de uma história tão clichê, e o poder do diretor de reciclar histórias é o mais interessante observado em todo o filme. A forma de como os 104 minutos do filme são usados para causar impressões tão profundas e sentimentos tão divergentes de forma a fazer com que o público entre no ritmo das canções de amor em uma versão ultra-hipnótica. Mesmo se Nada Der Certo é (possivelmente) um dos melhores filmes do ano de 2014, uma obra-prima das comédias românticas modernas, uma jornada de compaixão, encontros e desencontros, que alucina e apaixona, dança e canta e abraça seu público.

Mesmo se Nada Der Certo (Begin Again)
dir. John Carney - ★★★★ 

sábado, 15 de novembro de 2014

Crítica: "OS MUPPETS" (2011) - ★★★

         

Tem vezes em que um filme consegue conquistar seu público, por apenas levá-lo para dentro de suas memórias e carregá-los para uma confortante aventura cinematográfica, e além de tudo, emociona e encanta com um simples olhar que consegue captar o que seu público realmente deseja. E Os Muppets, conseguiu realizar mais do que isso. Os Muppets refilmou toda a jornada da infância de uma geração que se apaixonou pelos personagens do The Muppet Show, e que tiveram a oportunidade de conhecer um mundo que para muitos, será inesquecível. E agora, reviver os bons momentos dessa faixa dentro dessa película.

Atualmente, poucos filmes fizeram o que Os Muppets fez. Poucos filmes conseguiram trazer a originalidade de sua fonte, e em um breve piscar de olhos, a transformar numa eufórica e deliciosamente maravilhosa comédia infantil que viaja na origem do ser e da formação da independência e da alma, e que de maneira sutil, agrada a todos os públicos. 
     
O filme traz a história de Walter, o maior fã dos Muppets, cujo irmão e namorada estão indo a Los Angeles e querem levá-lo consigo. O maior sonho de Walter é conhecer o velho estúdio dos Muppets, o The Muppet Theatre, que irá fechar as portas e será demolido para ser transformado numa fonte de petróleo. Porém, apenas dez milhões de dólares podem salvar o teatro, e então, inicia-se uma jornada em busca dos velhos muppets, começando por Kermit e prosseguindo na busca por toda a velha turma do show infantil. 
   
Ao desenrolar dessa história, o resultado é uma fascinante e interativa magia que mistura nostalgia e o encanto de fazer filmes, com uma breve participação da fantasia infantil, que através de uma beleza triunfante, consegue dançar com os mais intocáveis corações, e então reviver o espírito de uma criança dentro do corpo de um adulto.

Os Muppets (The Muppets)
dir. James Bobin - ★★★

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Crítica: "LUCY" (2014) - ★★★

            

Lucy é uma artifical, violenta e ultramoderna ficção científica do cineasta francês Luc Besson, diretor de O Quinto Elemento, O Profissional e Táxi - Velocidade nas Ruas, estrelando Scarlett Johansson e Morgan Freeman.
         
No que nos introduziria uma fantástica jornada em padrões surreais, o filme conta a história de uma estudante universitária em Taipé chamada Lucy, que é forçada a transportar uma droga perigosa chamada CPH4 para a máfia, e que acidentalmente, acaba fazendo um inesperado e agressivo efeito nela, e então, sua capacidade cerebral aumenta, a fazendo ganhar super poderes, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente. 
           
O desfecho do roteiro sensacional e o retrato dos personagens transformam Lucy numa fábula da ficção científica e do cinema moderno, uma transbordante e triunfante aventura provocada pela chocante emoção que o filme carrega consigo em cenas desesperadas e carregadas de um afeto transtornante de ultra-violência, e o filme ganha vida num ritmo acelerado que sobressai às mais breves opções a fim de deixar seu espectador por total extasiado. 
           
Luc Besson, seu diretor, não obteve tanto êxito em Hollywood desde sua mega-produção em 1997, O Quinto Elemento, considerado um dos maiores filmes de ficção científica já realizado e que abriu portas para o francês no mundo cinematográfico - consagrou o francês um cineasta aplaudido e elogiado por todos. As produções pequenas e adaptações nem tão vangloriadas, tais como as continuações de Táxi, não conseguiram mover a carreira de Besson para frente após a obra. Porém, Besson já tinha alguma promessa da qual voltaria com um novo filme para seu público, e esse ano, veio com todo o seu talento e sua força arrancar nossa mente fora de nosso corpo e levá-la ao núcleo do intensivo processo que Lucy estampa na sua violenta e emotiva elaboração e formação de uma história que exibe toda a longa e lenta participação da evolução na história da humanidade, uma das mais satisfatórias produções do ano, que leva á questionamentos filosóficos e a uma belíssima performance visual. Soberana Scarlett, é quem consegue por mais e tanto cativar e motivar o público ao longo dos poucos oitenta minutos do fantástico Lucy.

Lucy
dir. Luc Besson - ★★★

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Crítica: "O LADO BOM DA VIDA" (2012) - ★★★★★


Ao longo de seus aproximados 120 minutos, O Lado Bom da Vida progride para uma simbólica e inesquecivelmente apaixonante comédia romântica do cineasta David O. Russell.

O filme te leva a um adorável e impetuoso argumento: a vida é deliciosamente agradável, e isso depende apenas da forma de como você tenta planejá-la e vivê-la. Essa lição é superiormente mostrada ao longo de todo o filme, transmitida através de seus personagens tentando fugir de seus problemas e de seus dilemas, enquanto sobrevivem a maré da desilusão que os priva da vivência num meio social mais aberto.

A trama eleva seu espírito e te dirige numa estrada esburacada e insanamente destruída pelos efeitos de um passado dos quais protestos permanecem impacientemente em sua memória. E através de uma moral irregular nos filmes dessa altura, O Lado Bom da Vida reproduz a mesma sensação de ter assistido a uma impecável e encantadora obra-prima após seu final, o que se transforma na mais pura realidade. É algo que se torna surpreendente e aperfeiçoante, pois o filme consegue extrair algo de nós que nos prende ao longo de sua jornada. É algo fascinante, que apenas (e poucos) especialistas e visionários diretores conseguiram fazer até hoje, e David O. Russell entra definitivamente nessa lista após o feito realizado O Lado Bom da Vida. 
       
E consequentemente, um bom filme vem acompanhado de um bom, e mais que bom elenco. Jennifer Lawrence sofre um destaque especial em sua performance certamente arrebatadora no papel de Tiffany Maxwell, que sofre de uma depressão (quase) irreversível, até a chegada inusitada de Pat Solitano, interpretado afeiçoadamente e incrivelmente por Bradley Cooper. No meio dessa comédia romântica e dramática, os elementos para a formação da belíssima caracterização do elenco são deliberadamente visíveis, dentro dos conflitos familiares, Jacki Weaver (nominada anteriormente ao Óscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Animal Kingdom) mostra-se a mais bem colocada no papel da mãe desolada e protetora, que quer o bem do filho e da família apesar da situação em que a mesma se encontra. Outro grande furacão do filme é Robert DeNiro, em um revelador e intenso desempenho neste filme.

O Lado Bom da Vida é, com certeza, um dos melhores filmes de 2012, e uma das melhores comédias românticas americanas feitas até o presente, que mostra a  forma de como nós enfrentamos as situações que a vida nos dá de uma visão autêntica e com toques pesados de perfeição com cabimentos extensos e longamente celebráveis. O elenco ajuda na formação do roteiro e da história desta memorável obra do cinema atual!

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook)
dir. David O. Russell - ★★★★★

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Crítica: "UM MILHÃO DE MANEIRAS DE PEGAR NA PISTOLA" (2014) - ★★

    

Dentro de um padrão nada formal de fazer filmes, Seth MacFarlane se destacou em 2012 com a comédia Ted, um tanto descomunal para seu excessivo uso de humor negro.

Este ano, Seth MacFarlane retornou ao cinema dirigindo, produzindo, escrevendo, e desta vez, atuando, trazendo na bagagem um elenco espetacular: Charlize Theron, Amanda Seyfreid, Neil Patrick Harris, Liam Neeson e o elenco de apoio de Ted.  Porém, MacFarlane desapontou na direção de Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola, um filme que provoca imensas gargalhadas, mas falha na sua intenção de convencer o público, com uma anestesia fraca e sonolenta, que perdura todo o filme.

É clara a intensa vontade do diretor de filmar um faroeste baseado nas proporções de um western americano antigo, tais como a inspiração notável que o filme sofreu de Butch Cassidy e Era Uma Vez no Oeste, sob uma redenção espetacular de um roteiro imaginativo que sustenta uma história emocionante de aventura, que poderia ter tido um efeito mais magnânimo, se não fosse pela profunda falha que a película produziu ao querer emendar uma comédia satírica com divisões voltadas para o entretenimento do público. 
   
No entretanto, o filme abusa no poder inteligente de Seth MacFarlane e seu verdadeiro talento para a comédia, que realmente, percebe-se  em uma aleatória revelação do mesmo, que já tinha mostrado seu ser cinematográfico em Ted, uma comédia que buscou ir no fundo do espectador o fazendo se envolver nos planos do roteiro e no pano "dramático" que a trama se fechou, e o que, após muitas tentativas, conseguiu. 
 
Enfim, a nova comédia de MacFarlane é divertidíssima e propõe algo que esteticamente não ajuda em nada, e só contribui para a ingloriosa tragédia que a película virou, por mais engraçada. No estilo de um western moderno, produz-se uma visão bem flácida dessa época dentro do retrato simbólico e um tanto abusado que o filme transmite, mas ainda não o convence e é desastrado em certos aspectos essenciais, e por isso, talvez cause uma pequena confusão entre os dois gêneros exibidos: comédia de humor negro e faroeste.

Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (A Million Ways to Die in the West)
dir. Seth MacFarlane - ★★

domingo, 2 de novembro de 2014

Crítica: "APENAS UMA VEZ" (2007) - ★★★★★

      
  
Filmes como Apenas uma Vez merecem uma estrondosa e duradoura série de aplausos incansáveis. Um mágico e encantador romance capaz de mexer profundamente com o público, Apenas uma Vez é um dos melhores filmes independentes já produzido nos últimos tempos. O filme, vencedor do Oscar de Melhor Canção Original, é uma declaração de amor aberta e verídica, um musical vivo, um filme existencial e quão romântico, que desperta profundos sentimentos em seu público. Estrelado pelo irlândes Glen Hansard e pela tcheca Markéta Irglová, o filme mostra a jornada de um jovem músico e uma imigrante tcheca, cujas vidas são entrelaçadas pelo destino, dando origem a um romance indireto, uma canção de amor interminável, uma poesia visual alternativa e romântica.
        
Um romance que te faz voar, dançar, amar e se apaixonar. Uma obra que carrega consigo uma mensagem de paixão confortável, que te carrega dentro das ruas da gelada Dublin, e do amor inconsolidável de duas almas perdidas dentro do mesmo afável lugar. O filme te cativa desde os créditos iniciais até seu último segundo, numa trilha sonora afortunada e brilhante, que traz a vida à este clássico moderno. A simplicidade é tocante, emocionante, e torna-se uma característica envolvente e solene da película entonada. Até mesmo o título é simples: Once (em inglês, "uma vez, única vez, logo: apenas uma vez). Tudo se enche de paz e esperança dentro do memorável roteiro de Apenas uma Vez, uma surpreendente e artística obra que traz incomparável sensação de luz e paixão, enquanto pretende atuar ao mesmo tempo na linha de sua trama como um romance-musical-dramático. É como se cada minuto do filme transbordasse a realidade que nele é mostrada, e mais uma vez, surpreendesse seu público o aproximando da história apaixonante e reluzente, como nenhuma outra já o fez. Apenas uma Vez é uma flecha dourada e incandescente dos filmes independentes que acerta em cheio o meio redondo do grande arco cinematográfico. Inspirador, belo e romântico, Once é sensivelmente retratado por sua eloquência musical, substancialmente vivaz e emocionante. Um filme que sobretudo, dá vida ao espírito e à compaixão com sua poesia musical vibrante! Falta-me palavras para ainda sim especificar, acima disto, minha total e completa devoção por esse inesquecível longa, que por muito tempo permanecerá na minha cabeça.

Apenas uma Vez (Once)
dir. John Carney - ★★★★★

Crítica: "PHILOMENA" (2013) - ★★★★

  

Philomena é uma obra-prima cinematográfica inesquecível e pura do cineasta britânico Stephen Frears (A Rainha, Ligações Perigosas) que narra a história (real) de Philomena Lee, uma senhora britânica e a busca por seu filho que foi retirado dela há um grande período de tempo, e suas tentativas de recuperá-lo ao lado do jornalista Martin Sixmith. 
 
Um clássico instantâneo dotado de um espírito eloquente de sensibilidade e paixão, a comédia dramática de Stephen Frears consegue levar o público á compreensão da jornada de Martin e Philomena por seu filho perdido nos Estados Unidos, que caminha furiosamente dentro da esperança de Philomena de reencontrá-lo após o tempo perdido lamentando um "erro" imposto pela Igreja Católica, que a culpou de seu pecado.
 
Em um roteiro efusivamente brilhante escrito pelo ator Steve Coogan, que também atuou e produziu o filme, junto ao roteirista Jeff Pope, Philomena é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes do ano, que brilha na sua narrativa excelente e adjuntiva dentro dessa história real.
     
Entre o segredo de uma mãe e o desespero de um jornalista desempregado, há uma criatividade imensa que transborda na luminosidade de Philomena, uma conexão impetuosa e divertida, que faz desta comédia dramática um filme capaz de levar-nos a diversos sentimentos, de amor á compaixão, felicidade á tristeza, de fé á desilusão. A receita do afável sucesso do filme é essa fusão de sentimentos num único lugar: a esperança e o espírito de Philomena Lee. E que nos encanta bravamente num roteiro tão estrondoso.
   
O grande destaque do filme é a performance memorável e carinhosa de Judi Dench no papel de Philomena, um desempenho cinematográfico magnífico que oferece um brilho radiante nessa impecável obra de arte, aclamada internacionalmente tanto pela crítica, quanto pelo público. O resultado dessa receita é uma doce e fervilhante comédia dramática que relata a jornada de Philomena e Martin de uma forma deliciosamente amiga e sentimentalmente tocante!

Philomena
dir. Stephen Frears - ★★★★