Sequência do filme de 1997, HENRY FOOL, e precedido por NED RIFLE (2014), FAY GRIM é o segundo de uma trilogia envolvendo o personagem central do primeiro longa. Este se centra na personagem-título, que sai à procura dos manuscritos de seu ex-marido Henry Fool, cara que se pensa estar morto, e que está envolvido em uma intriga internacional de contra-espionagem e terrorismo. Parker Posey dá vida a ela, e o filme todo é ela quem dá as cartas. Eu diria que ela é o motivo principal para vê-lo. Na filmografia do Hal Hartley, se trata de um exercício grato, esperto e bem montado, que mostra o diretor trabalhando com elenco já conhecido, e flertando com o mesmo experimentalismo de obras anteriores, como os ótimos AMATEUR e FLIRT. É um filme adorável, com sequências espirituosas, e um elenco fiel à premissa. É mais ou menos um balé, o filme tem todo um tom bastante sisudo, com ares de 007, e ao mesmo tempo, é uma comédia completamente feliz em ser despojada, debochando das presepadas em que os personagens se enfiam, mostrando como aquele universo burocrático é mais escrachado do que aparenta.
domingo, 23 de outubro de 2022
J. Edgar (2011)
Clint Eastwood arriscou tratar da vida e do trabalho de J. Edgar Hoover, o homem que encabeçou o FBI na primeira metade do século 20, e tornou-se uma figura lendária da história americana. O bom aqui é DiCaprio, em uma atuação ótima, que merecia mais reconhecimento do que teve, e o hoje "cancelado" (após os escândalos do #MeToo) Armie Hammer, em uma de suas primeiras atuações de destaque (ele está igualmente bom). Há momentos inspirados, trata-se de uma biografia abrangente, conta com o roteiro decente, do mesmo roteirista de MILK, mas a impressão é que a história poderia ter sido mais bem costurada, e em alguns momentos faltou mais concisão, por exemplo no cuidado da relação de Hoover e Clyde. A mise-en-scène de Clint, no entanto, merece o nosso respeito.
Bergman Island (2021)
Casamento ou Luxo? (1923)
Um dos primeiros filmes de Chaplin fora do gênero da comédia, e na qual ele também não estava presente no elenco, em que se constrói um comentário social sutil sobre costumes morais, em torno dos dramas dos personagens envolvidos na trama de uma mulher que troca o campo pela cidade. Interessante que é um filme muito bom, e ao mesmo tempo um dos menos falados de sua autoria, se comparado a TEMPOS MODERNOS, O GRANDE DITADOR e até MONSIEUR VERDOUX, para citar um que sai um pouco do eixo das comédias pelas quais ele se popularizou. É um filme inspirado que não é em nenhum momento piegas, mas consegue emocionar e tocar. Merecia ser mais mencionado, pois ele é bom até em como Chaplin consegue equilibrar momentos de humor e seriedade, flertando com o suspense, lembrando até alguns trabalhos do Hitchcock no começo da carreira.
Mongol (2007)
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