segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Grandes Filmes de 2022

 
Do que eu vi dos trabalhos lançados mais recentemente, em 2022, esse punhado é o que me chamou mais a atenção. Em ordem alfabética.

City Hall, de Frederick Wiseman
Crimes do Futuro, de David Cronenberg
Drive My Car, de Ryusuke Hamaguchi
De Frente pra Você, de Hong Sang-Soo 
Encontros, de Hong Sang-Soo 
Um Herói, de Asghar Farhadi
O Homem Ideal, de Maria Schrader 
A Ilha de Bergman, de Mia-Hansen Love 
Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson
Memoria, de Apichatpong Weerasethakul
Não! Não Olhe!, de Jordan Peele
Notturno, de Gianfranco Rosi
Mães Paralelas, de Pedro Almodóvar
On the Rocks, de Sofia Coppola

domingo, 23 de outubro de 2022

Fay Grim (2006)

 
 
Sequência do filme de 1997, HENRY FOOL, e precedido por NED RIFLE (2014), FAY GRIM é o segundo de uma trilogia envolvendo o personagem central do primeiro longa. Este se centra na personagem-título, que sai à procura dos manuscritos de seu ex-marido Henry Fool, cara que se pensa estar morto, e que está envolvido em uma intriga internacional de contra-espionagem e terrorismo. Parker Posey dá vida a ela, e o filme todo é ela quem dá as cartas. Eu diria que ela é o motivo principal para vê-lo. Na filmografia do Hal Hartley, se trata de um exercício grato, esperto e bem montado, que mostra o diretor trabalhando com elenco já conhecido, e flertando com o mesmo experimentalismo de obras anteriores, como os ótimos AMATEUR e FLIRT. É um filme adorável, com sequências espirituosas, e um elenco fiel à premissa. É mais ou menos um balé, o filme tem todo um tom bastante sisudo, com ares de 007, e ao mesmo tempo, é uma comédia completamente feliz em ser despojada, debochando das presepadas em que os personagens se enfiam, mostrando como aquele universo burocrático é mais escrachado do que aparenta. 

J. Edgar (2011)

 
 
Clint Eastwood arriscou tratar da vida e do trabalho de J. Edgar Hoover, o homem que encabeçou o FBI na primeira metade do século 20, e tornou-se uma figura lendária da história americana. O bom aqui é DiCaprio, em uma atuação ótima, que merecia mais reconhecimento do que teve, e o hoje "cancelado" (após os escândalos do #MeToo) Armie Hammer, em uma de suas primeiras atuações de destaque (ele está igualmente bom). Há momentos inspirados, trata-se de uma biografia abrangente, conta com o roteiro decente, do mesmo roteirista de MILK, mas a impressão é que a história poderia ter sido mais bem costurada, e em alguns momentos faltou mais concisão, por exemplo no cuidado da relação de Hoover e Clyde. A mise-en-scène de Clint, no entanto, merece o nosso respeito. 

Bergman Island (2021)


Numa leva inspirada de filmes recentes (o excelente O QUE ESTÁ POR VIR trazia Isabelle Huppert numa atuação brilhante, e o bom MAYA trouxe o romance de um repórter francês na Índia com uma moradora local), a diretora Mia Hansen-Love dribla as expectativas com o aguardado BERGMAN ISLAND, seu primeiro com um elenco de estrelas hollywoodianas (tem Tim Roth, Mia Wasikowska e Vicky Krieps), e que consegue chegar bem perto do que o que ela tinha atingido em O QUE ESTÁ POR VIR, com aquela mesma vibe filosófica, de uma certa agitação espiritual, resultando num filme muito conciso e de momentos dramáticos bem acertados, narrando uma história de inspiração, deslocamento e amor numa viagem turística à ilha que servia de inspiração ao lendário Ingmar Bergman. Hansen-Love está em ótima forma e sabe onde quer chegar. Continua sendo uma diretora para a gente continuar de olho, valendo lembrar que há um novo filme dela chegando, com Léa Seydoux, chamado ONE FINE MORNING. 

Casamento ou Luxo? (1923)

 
Um dos primeiros filmes de Chaplin fora do gênero da comédia, e na qual ele também não estava presente no elenco, em que se constrói um comentário social sutil sobre costumes morais, em torno dos dramas dos personagens envolvidos na trama de uma mulher que troca o campo pela cidade. Interessante que é um filme muito bom, e ao mesmo tempo um dos menos falados de sua autoria, se comparado a TEMPOS MODERNOS, O GRANDE DITADOR e até MONSIEUR VERDOUX, para citar um que sai um pouco do eixo das comédias pelas quais ele se popularizou. É um filme inspirado que não é em nenhum momento piegas, mas consegue emocionar e tocar. Merecia ser mais mencionado, pois ele é bom até em como Chaplin consegue equilibrar momentos de humor e seriedade, flertando com o suspense, lembrando até alguns trabalhos do Hitchcock no começo da carreira.

Mongol (2007)


Obra indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2008 pelo Cazaquistão, que trata da trajetória do mítico Gengis Khan, passando por sua infância, pelas dificuldades que ele enfrentou, seu aprisionamento até a ascensão ao Império Mongol. É interessante ele focar mais nos percalços, nos contratempos e lutas que o homem enfrentou, ao invés de mostrá-lo como o imperador e conquistador que a fama lhe consagrou. Apesar de ter umas sequências visualmente encantadoras, no mais MONGOL cumpre seu papel de filme biográfico misturado com cinema de ação cheio de artimanhas, um elenco competente, um filme competente, que cumpre o que prometeu. O interessante é que surgem alguns momentos de uma rara beleza, desse poder que o cinema tem, em que a gente percebe as intenções mais puras e sutis da história, e isso é sustentado nessas cenas. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Mensagem em defesa da nossa democracia (Eleições 2022)

Se Lula vencer em 1º turno, Bolsonaro vai lançar sua ofensiva contra o resultado das urnas. Se Lula estiver na frente, e a eleição for pra 2º turno, então esperem uma ofensiva ainda mais incisiva.

É óbvio que Bolsonaro espera que seus estímulos golpistas fomentem uma espécie de insurreição bolsonarista, de espírito anti-petista, que ponha em xeque e conseguintemente derrube o resultado democráticos das eleições, no mesmo molde do curioso atentado ao Capitólio, em janeiro de 2021, nos EUA, que tinha um propósito similar de desgaste da democracia. 

Tentar derrubar o resultado de eleições diretas, livres e democráticas é um golpe óbvio contra a democracia, as instituições eleitorais funcionais e os direitos políticos do povo em geral. O direito à democracia está em risco. É algo grave e inadmissível.

Que Bolsonaro vai tentar sabotar essa eleição, isso é apenas o esperado dele. Não podemos achar que o mesmo homem eleito em 2018 com um discurso autoritário, essencialmente anti-democrático e anti-petista vá amolecer seu coração e aplaudir resultados que, conforme sugerem agora as pesquisas, favorecem seu principal adversário político, numa eleição da qual ele poderia sair um tanto prejudicado. O que temos que saber agora é como reagir a uma eventual escalada autoritária e golpista.

Que as instituições, como o TSE, façam uma justa frente à essa ameaça, e respondam à altura da gravidade dela. Que os resultados sejam prontamente respeitados, que o próximo presidente seja  reconhecido com essa mesma prontidão, assim como Bolsonaro ele próprio foi reconhecido em 2018, inclusive por seus detratores. Caso ele ganhe, tenho certeza que os eleitores de Lula, como os eleitores de Haddad em 2018, não tentarão em nenhuma instância justificar um "fraude" nas urnas para reverter os resultados, pois eu não ouvi ninguém, exceto por uma piada de indignação, que o tenha feito naquelas eleições.

Que essas eleições sejam efetivamente resguardadas e validadas pela população, pela classe política e por todas as esferas do poder.

Que qualquer tentativa ou sugestão por menor que seja de escalada autoritária, que venha a por em risco a legitimidade do processo eleitoral, seja reavaliada, dirimida e devidamente contornada. E que o Brasil saiba defender suas eleições nesse momento de delicada resposta eleitoral ao governo Bolsonaro, e de uma possível e prevista transição democrática. 

No Brasil, nosso processo eleitoral é forte, bem quisto e bastante seguro. Que essas eleições reafirmem a força da nossa democracia.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Faces of November (1964)


Filme que documenta o clima cinzento e onírico do momento após o assassinato de JFK: seu funeral, as lamúrias do povo, o rosto enigmático da primeira-dama, Jacqueline Kennedy. Fala muito sobre o torpor e comoção geral do acontecimento, que abateu uma nação toda, mas a partir de uma ótica muito particular, íntima, minimalista, estando ali, na outonada da tragédia. Um filme de uma estranheza silenciosa, de um tom fúnebre bem acentuado mesmo, e uma força escondida.

Ninguém Sabe dos Gatos Persas (2009)


Cheia de criatividade e elasticidade, esta pérola do Ghobadi, do que tem de inventiva e divertida na aura musical, tem de poderosa e urgente no seu comentário político. Entregue no tenso ano em que Ahminejad foi reeleito no Irã, esta fábula musical dá conta de expressar toda a revolta, com bom humor, graça, tristeza e um senso de afeto por personagens se arriscando simplesmente pelo direito da cultura, da música, enfim, do que é básico e essencial, num país, ironicamente, “moderno”, “nuclearizado”, e caminhando para o desenvolvimento. Engraçado, é mais universal do que talvez até se tenha imaginado. Ele diz muito até sobre o Brasil agora.

sábado, 28 de maio de 2022

Grandes Filmes de 2021

 
1. SR. BACHMANN E SEUS ALUNOS, de Maria Speth
2. UNDINE, de Christian Petzold
3. ATAQUE DOS CÃES, de Jane Campion
4. A MULHER QUE FUGIU, de Hong Sang-Soo
5. RODA DO DESTINO, de Ryusuke Hamaguchi
6. WIFE OF A SPY, de Kiyoshi Kurosawa
7. LOVERS ROCK, de Steve McQueen
8. PRETEND IT'S A CITY, de Martin Scorsese  
9. AZOR, de Andreas Fontana
10. O CONTADOR DE CARTAS, de Paul Schrader 
11. WOLFWALKERS, de Tomm Moore & Ross Stewart
12. ANNETTE, de Leos Carax
13. AHED'S KNEE, de Nadav Lapid
14. ÎNTREGALDE, de Radu Muntean
15. PEDREGULHOS, de P.S. Vinothraj
16. PEGANDO A ESTRADA, de Panah Panahi
17. LUCA, de Enrico Casarosa 
18. NOMADLAND, de Chloé Zhao
19. BORAT: FITA DE CINEMA SEGUINTE, de Jason Woliner
20. DIÁRIOS DE OTSOGA, de Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro 
 
Menção honrosa:
O curta ESCONDIDA, de Jafar Panahi