sábado, 10 de outubro de 2026

Grand Canyon: Ansiedade de uma Geração (1991)


Dirigido por Lawrence Kasdan, também autor de Corpos Ardentes, O Reencontro e O Turista Acidental, Grand Canyon: Ansiedade de uma Geração precedeu outros trabalhos semelhantes, como Magnólia, Huckabees, Crash e Babel, que também buscaram lidar com a temática espinhosa da fragmentação da sociedade americana através de um mosaico de personagens interconectados, com um misto de exame existencialista do individualismo urbanizado pós-moderno, e a brutalização como consequência da escalada de problemas coletivos reforçados pelas diferenças de classe, como a crise dos opioides e as incidências dramáticas de violência urbana nos anos 1990. 
 
No período, a região de Los Angeles em específico foi palco de uma série de protestos raivosos após a crise envolvendo Rodney King, homem agredido em um episódio de violência policial que chocou o país e revitalizou o debate a respeito do racismo nos EUA na era pós-direitos civis. As consequências desta crise perduram 30 anos após, e ficaram mais nítidas após o recente caso do assassinato de George Floyd em Minneapolis, ocorrido em 2020. O filme aborda esta e uma miríade de dilemas sociais que interferem na vida destes personagens que vivem em LA. 
 
Na cena que marca o encontro inicial dos personagens de Kevin Kline e Danny Glover, o personagem de Kline fica sem gasolina em uma área mais abandonada da cidade, à noite, e se vê abordado por uma gangue de rua, que passa ao lado em outro carro. Para seu alívio, Simon (Glover) aparece para rebocar o carro, amenizando a tensão inicial do encontro. Simon tenta dialogar com um dos homens, dizendo não querer complicações, e que quer apenas apenas fazer o seu trabalho.
 
Durante a conversa, um dos rapazes da gangue, antes de sair de cena, diz que "sem arma, não tem respeito", dando a entender que para eles a violência é um mecanismo de manutenção de poder e influência, é uma via de afirmação e imposição. Na camiseta do rapaz, há uma bandeira dos EUA, no que talvez seja uma metáfora sobre a própria violência dos americanos no geral, que agem como policiais do mundo através do militarismo. 
 
A partir daí, nos próximos encontros entre os dois personagens, são abordadas questões mais filosóficas sobre as dificuldades de viver diante de tanta fragmentação, como quando Glover diz, "eu e minhas preocupações, uma piada para o Grand Canyon". Mais tarde, aprendemos que ele está longe da filha surda, que está estudando em Washington, e com quem ele se comunica apenas à distância, em uma versão mais analógica do computador. Ele diz para Kline que é importante tentar "aprender a controlar seus medos", diante das circunstâncias fronteiriças em que às vezes a sociedade parece caminhar. 
 
Em outra cena, Glover orienta o sobrinho mais novo, um jovem do subúrbio, a "parar de andar com gente esquisita". Mais tarde, a casa desse sobrinho é metralhada, enquanto a mãe e a irmã estão dentro, e por pouco escapam ilesas dos disparos. Além do comentário sobre o caos social existente ali, o filme também ilustra os dilemas da vida privada vivenciados por outros personagens secundários, contrastando as duas realidades.
 
Mack (Kline) está envolvido em um rolo com a secretária (Mary Louise-Parker), porém está dividido, já que é casado com Claire (Mary MacDonnell), com quem tem um filho adolescente, Roberto (Jeremy Sisto), que está amadurecendo e se tornando independente. Em meio a isso, Claire encontra um bebê abandonado na rua, e o leva para dentro de casa, desenvolvendo um afeto maternal por ele enquanto lida com o amadurecimento do filho mais velho. Em outra sequência, vemos Mack fantasiando com a secretária, e então a imagem se fragmenta, com um efeito de espelho quebrando em vários pedaços, cortando para Claire deitada dormindo. Há uma sequência com uma ideia similar em Não Estou Lá.
 
No desfecho do filme, vemos Mack conversando com outro amigo, um diretor de cinema (Steve Martin), que sofreu sequelas físicas após ser baleado em um assalto, e que está frustrado com o projeto que está fazendo. Ele diz acreditar que faz filmes que refletem o que acontece no mundo, que os filmes são retratos dos acontecimentos e da vida das pessoas. 
 
Mais recentemente, o longa foi alvo de críticas, acusado de entregar uma abordagem superficial dos problemas raciais dos EUA contemporâneo, provavelmente devido às divisões do roteiro, que dá uma certa ênfase para questões individuais e pessoais vividas por personagens brancos (white people problems), como a mãe que está sentimental com o filho entrando na adolescência, enquanto ao abordar a vivência de personagens negros, vemos cenas em que o menino, ao amadurecer, é orientado a "se afastar de criminosos", e vemos a casa da família ser alvejada por tiros. Há outra cena em que a mãe fecha a porta na cara de um vendedor de seguros, que a alerta para "se proteger" diante do aumento da violência no bairro.
 
O filme pontua todos esses contrastes, e esta é uma leitura possível, de que talvez ele tenha sido extremista, ou parcial demais nesse retrato, mas não deixa de ser curioso perceber que talvez a intenção de Kasdan fosse justamente chocar, provocar o público, ao delinear todos esses contrastes gritantes entre a realidade de famílias brancas de bairros mais abastados, e famílias negras de bairros do subúrbio de Los Angeles, mais sujeitos a sofrer ataques de violência das gangues, fazendo um questionamento dessa situação adversa.
 
Vale lembrar também que o filme foi feito no início dos anos 1990, numa época em que essas diferenças de classe estavam explodindo contra um cenário de caos político iminente, colocando em teste a ideia de que os EUA haviam superado os conflitos gerados pela segregação racial, que marcou o movimento dos direitos civis. Naquele momento, Los Angeles estava sendo palco de mais uma revolta, como Selma foi décadas antes, sinalizando uma repetição dos mesmos padrões de opressão contra a população negra. 
 
É interessante perceber como que, 30 anos depois, a sociedade de certa forma ainda permanece imersa em um estado de hipervigilância semelhante, senão maior, e muitos desses contrastes sociais e raciais ainda estão aqui. Casos de violência policial continuam acontecendo com uma frequência assustadora. Eu diria que Grand Canyon é uma cápsula do tempo sobre essa ebulição política. Talvez o filme tenha sido mais profético do que se pretendia, ao retratar essa epidemia de fatalismo, e a incerteza gerada pela fragmentação, seja através da violência, ou da opressão sistêmica.
 
Por outro lado, o filme parece também lançar um olhar mais intimista para o efeito que isso tem no campo pessoal, em como que esses conflitos se refletem de maneira única na individualidade de cada personagem, mostrando que é inevitável que a violência marque essas pessoas de forma completamente única, devido à oposição de contextos e situações em que elas se encontram. Para mencionar outra obra que faz um paralelo interessante com Grand Canyon, Faça a Coisa Certa, lançado dois anos antes, evocou os mesmos sentimentos ao abordar o crescente atrito entre brancos e negros em Nova York, e o acerto do filme de Lee se dava justamente na tentativa de mostrar como que a corda acabava arrebentando do lado dos negros, que se viam encurralados entre a violência policial e a desigualdade sistêmica.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo (2003)


Do mestre australiano Peter Weir, que anos antes nos entregou o excelente O Show de Truman e que traz no currículo clássicos como Sociedade dos Poetas Mortos, A Testemunha e Piquenique na Montanha Misteriosa, Mestre dos Mares acompanha a jornada turbulenta e cheia de percalços dos tripulantes de um navio da marinha britânica durante as Guerras Napoleônicas (1803-1815). O elenco é encabeçado por Russell Crowe, que no começo dos anos 2000 era um dos nomes mais cotados de Hollywood, valendo lembrar suas atuações nos prestigiados Los Angeles - Cidade Proibida, O Informante, Gladiador e Uma Mente Brilhante, além dos ótimos Uma Luta pela Esperança e Os Indomáveis. 
 
Em um dos diálogos mais emblemáticos do filme, Aubrey (Russell Crowe) entra em atrito com Maturin (Paul Bettany), a respeito do propósito da missão militar em que estão, durante o qual Aubrey diz que "não há tempo para hobbies", desencorajando o cirurgião a se dedicar unicamente a seus estudos sobre biologia diante da urgência fatal da ameaça bélica imposta pela França de Napoleão, naquele momento a todo vapor em sua ambições imperialistas de conquista geográfica. 
 
Apesar do aparente abraço militarista feito pelo filme, o retrato da brutalidade da navegação em que os ingleses lutaram contra as tropas de Napoleão, no início do século 19, parece mais soar um alarme premonitório sobre as consequências nefastas da guerra. Mais tarde, o cirurgião Maturin é atingido por um tiro, acidentalmente, por alguém de dentro da própria tripulação, o que reforça o complexo dilema de que os efeitos catastróficos da guerra não se limitam ao antagonismo do campo de batalha.
 
Simultaneamente, o longa faz uma demonstração ímpar da coragem e entrega daqueles homens, que colocaram tudo a perder em nome da pátria, e uma espécie de companheirismo que nasceu entre eles naquele cenário desolador de destruição, incerteza e precariedade, com soldados-meninos obrigados a se comportar como homens antes do tempo, sendo duramente transformados pela violência extrema do embate. Dito isso, o trabalho é um título bastante competente, tecnicamente impecável e marcado por atuações brilhantes de Crowe e Bettany. Seguramente é uma das grandes obras do australiano Peter Weir (e que lhe rendeu o BAFTA de melhor direção em 2004). 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O Mercador de Veneza (2004)


Adaptação da peça clássica de William Shakespeare, O Mercador de Veneza traz Al Pacino como Shylock, usurário judeu no centro de uma intriga envolvendo a dívida não resolvida de Bassânio, jovem cristão de Veneza. Shylock faz um acordo com Antonio (Jeremy Irons) que, caso a dívida não for quitada no prazo, ele lhe cobrará a taxa de uma libra de sua carne. Antonio consente, e o desfecho do caso é crítico. Enquanto isso, a filha de Shylock foge, deixando-o ainda mais possesso e vingativo. 
 
O filme é uma adaptação competente de uma das obras mais famosas de Shakespeare, com um elenco de atores inspirados, destaque para Joseph Fiennes (no papel de Bassânio), e Lynn Collins, no papel de Pórcia. Em geral, o longa segue uma linha mais tradicional das adaptações shakespearianas, respeitando a formalidade do texto denso, que navega entre o trágico e o cômico, e é uma obra que originalmente foi concebida para o meio de expressão do teatro.
 
São várias as cenas marcantes observadas no longa, como a cena que mostra as diferentes reações dos homens decepcionados ao abrir a caixa do tesouro e não encontrar ouro. Enquanto um fica mais triste e chora, o outro explode de raiva e indignação, ao passo que o terceiro, poeticamente, se comove ao encontrar o retrato de Pórcia no baú, simbolizando que a arte é o verdadeiro tesouro. 
 
Também é interessante observar os comentários a respeito do tratamento dado aos judeus naquela época, lembrando que no período medieval o antissemitismo atingiu proporções dramáticas na Europa, e em vários momentos do longa, como nos diálogos com Shylock, há a inserção de questionamentos a respeito do sofrimento imposto ao povo judeu, quando Shylock acusa a hipocrisia dos cristãos ao se referirem a ele como "cão", mas depois pediam clemência se sofriam com dívidas e juros.
 
Aliás, uma das grandes discussões a respeito de O Mercador de Veneza é justamente se Shakespeare foi ou não antissemita em seu retrato do personagem Shylock, pintado como vingativo e avarento. No entanto, trata-se de um texto com camadas de complexidade, e que no geral desenvolve uma fábula sobre as falhas humanas tanto da parte de Shylock, que, ao se projetar como um imperador, acaba encontrando na lei um entrave às suas ambições, como também da parte dos cristãos que, ao perseguirem e difamarem os judeus, caíam em contradição quando estavam em necessidade e recorriam justamente a eles em busca de alívio. 
 
Clemência, justiça e vingança são temas bastante evocados ao longo do texto, que atinge um grau mais filosófico com a agoniante sequência do julgamento de Antonio, em que, momentos antes da sentença em que lhe retirariam um naco de sua própria carne ser proferida, ele é intercedido pelas figuras de um advogado e seu assistente (que são Pórcia e Nerissa disfarçadas de homens) para ajudá-lo a sair daquela situação drástica. É uma tirada conhecida das obras de Shakespeare, em que ele provoca o caos invertendo os gêneros das personagens. A direção é de Michael Radford, que dirigiu 1984 (adaptação de Orwell) e O Carteiro e o Poeta. 

sábado, 29 de agosto de 2026

Conspiração do Silêncio (1955)


De uma fotografia Cinemascope impressionante, por William C. Mellor (também fotógrafo de Assim Caminha a Humanidade e Um Lugar ao Sol, ambos de George Stevens), que valoriza as paisagens épicas do interior americano e ajuda a criar uma composição visual desnorteante para um longa com cenas tensas, Conspiração de Silêncio traz no elenco Spencer Tracy, Ernest Borgnine, Anne Francis e Lee Marvin. Nele, Tracy interpreta um veterano da Segunda Guerra Mundial que, retornando do combate, chega a uma cidade do interior que esconde um segredo abrasador a respeito do desaparecimento de um morador, obstinado a resolver o suspense em torno do sumiço suspeito. 
 
Ao longo do filme, o soldado, John J. Macreedy, que sofreu sequelas no conflito e perdeu o movimento de um dos braços, é recebido não como herói, como se esperaria a um veterano, e sim como forasteiro, no estilo Velho Oeste, e inicia uma verdadeira inquisição atrás do morador desaparecido, sem que saibamos exatamente o porquê dessa procura. Ao mesmo tempo, é constantemente encurralado pelos outros moradores, consumidos por uma desconfiança febril e irracional, e a violência só vai escalando progressivamente ao longo do filme. 
 
Conspiração de Silêncio é um retrato eletrizante da fragmentação e do medo nos EUA no período pós-Pearl Harbor, com seu foco sendo o clima de hostilidade em relação à população de origem japonesa, que foi sabidamente segregada pelo governo americano durante esse período conflituoso, em que os EUA entraram em atrito direto com o Japão e demais países do Eixo, com muitos cidadãos de origem nipônica sendo internados em campos de concentração no país à época.
 
Este filme, realizado anos depois, em 1955, veio num momento em que o clima político nos EUA começava a ficar impregnado pelo embate com a União Soviética, na recém-iniciada Guerra Fria, e o pânico a respeito da chamada "ameaça comunista" tomava forma com as denúncias paranoicas do senador Joseph McCarthy, que encabeçou a "caça às bruxas comunista" nos anos 50, e virou a figura central do fenômeno anti-comunista. A repercussão dessa época é sentida até os dias de hoje, em que o medo do socialismo tornou-se um tópico bastante polêmico em eleições e debates políticos, sendo um dos pivôs da chamada "polarização" atual que é sentida globalmente entre esquerda e extrema-direita.
 
O tom crítico do filme parece denunciar justamente uma certa tendência dos americanos de se apressarem em condenar quem percebiam como comunistas, do mesmo modo que se apressaram em condenar cidadãos americanos apenas por terem descendência japonesa, na época de Pearl Harbor. Vale lembrar que o filme foi realizado dois anos após a execução controversa do casal Julius e Ethel Rosenberg, sob a acusação de serem espiões para os comunistas soviéticos.
 
Dito isso, Conspiração de Silêncio é um estudo angustiante sobre os ecos da perseguição, e o efeito que a política do medo tem sobre uma população, que, na base do pânico, provoca linchamentos e perseguições gratuitas em nome do ódio e do medo do desconhecido. Ele chega a ser quase profético, ao refletir a que nível de violência e desagregação essa caça às bruxas insana, baseada em convicções políticas cegas, pode chegar. É um exemplar fascinante de um cinema americano maduro, da década de 50, e com atuações inspiradíssimas de grandes lendas, como Spencer Tracy e Ernest Borgnine, que chegam a protagonizar uma sequência de briga arrasadora. A direção é de John Sturges, que viria a dirigir o igualmente excelente Sete Homens e um Destino. 

Tributo a Dolly Parton


Presto meu tributo à grande Dolly Parton, uma artista completa, fenomenal, e que realizou sucessos marcantes da música, como intérprete e como compositora também. Em 2016, fiquei maravilhado com a letra de "Travelin' Thru", a canção que ela compôs para o filme Transamérica, e que a rendeu uma indicação ao Oscar de canção. Em 2018, fiquei comovido com o trabalho de Parton na música country, através das faixas feitas entre os anos 1970 e 1980, como a incisiva "9 to 5", uma crítica bem-humorada aos conflitos de classe do capitalismo, e as românticas "Jolene" e "Islands in the Stream". Vale também mencionar a clássica "I Will Always Love You", cuja letra ela escreveu, e que nos anos 1990 viria a ganhar uma versão aclamada na voz de Whitney Houston (e muito provavelmente é a canção que definiu a carreira desta artista). Entre 2020/2021, durante a pandemia, ouvi a belíssima "Coat of Many Colors", que remete às origens humildes da artista no Sul dos EUA, e uma de suas composições mais sensíveis e profundas. Também vale mencionar "Here You Come Again", e dois duetos de que eu gosto muito: "Creepin' In", com Norah Jones, e a charmosa "Baby, It's Cold Outside", com Rod Stewart. Enfim, apenas uma amostra da genialidade desta artista única e cujas músicas fazem parte da trilha sonora de muita gente, e uma perda bastante sentida para o mundo da música. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Grandes Filmes (2023-2025)


Grandes filmes (lançamentos entre 2021 e 2025) conferidos no período de 2023 a 2025 

Anatomia de uma Queda, de Justine Triet
Apresentando os Ricardos, de Aaron Sorkin
Babilônia, de Damien Chazelle 
Os Banshees de Inisherin, de Martin McDonagh 
Barbie, de Greta Gerwig
Elvis, de Baz Luhrmann
Entre Os Templos, de Nathan Silver 
A Esposa de Tchaikovsky, de Kirill Serebrennikov
Ferrari, de Michael Mann 
Golpe de Sorte em Paris, de Woody Allen 
Lingui, de Mahamat-Saleh Haroun
Nada de Novo no Front, de Edward Berger
Materialistas, de Celine Song 
Oppenheimer, de Christopher Nolan
Pobres Criaturas, de Yorgos Lanthimos 
RRR, de S.S. Rajamouli 
Spencer, de Pablo Larraín
Tudo Que Imaginamos Como Luz, de Payal Kapadia 
Zona de Interesse, de Jonathan Glazer

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Uma Noite na Ópera (1935)


Dá para entender porque o Woody Allen homenageou tanto os Irmãos Marx nos filmes dele, com sequências memoráveis de filmes como Bananas, Hannah e Suas Irmãs e Todos Dizem Eu Te Amo sendo inspiradas nos filmes do grupo.
 
Os filmes do grupo são extremamente inteligentes, sagazes, em termos de humor e cinema, e Uma Noite na Ópera representa bem a habilidade humorística e a criatividade da trupe. A dose de humor subversivo, escrachado, sem nenhuma vergonha, é fatal. A risada é certa. Cada ideia apresentada parece se superar. Cada gag é uma obra individual. Uma Noite na Ópera encontra um equilíbrio muito genuíno, puro, entre o humor e a emoção. Muito provavelmente entra na minha lista de comédias favoritas, já que se trata de um exemplar definitivo do gênero.