domingo, 23 de outubro de 2022

MONGOL


Obra indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2008 pelo Cazaquistão, que trata da trajetória do mítico Gengis Khan, passando por sua infância, pelas dificuldades que ele enfrentou, seu aprisionamento até a ascensão ao Império Mongol. É interessante ele focar mais nos percalços, nos contratempos e lutas que o homem enfrentou, ao invés de mostrá-lo como o imperador e conquistador que a fama lhe consagrou. Apesar de ter umas sequências visualmente encantadoras, no mais MONGOL cumpre seu papel de filme biográfico misturado com cinema de ação cheio de artimanhas, um elenco competente, um filme competente, que cumpre o que prometeu. O interessante é que surgem alguns momentos de uma rara beleza, desse poder que o cinema tem, em que a gente percebe as intenções mais puras e sutis da história, e isso é sustentado nessas cenas. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Mensagem em defesa da nossa democracia (Eleições 2022)

Se Lula vencer em 1º turno, Bolsonaro vai lançar sua ofensiva contra o resultado das urnas. Se Lula estiver na frente, e a eleição for pra 2º turno, então esperem uma ofensiva ainda mais incisiva.

É óbvio que Bolsonaro espera que seus estímulos golpistas fomentem uma espécie de insurreição bolsonarista, de espírito anti-petista, que ponha em xeque e conseguintemente derrube o resultado democráticos das eleições, no mesmo molde do curioso atentado ao Capitólio, em janeiro de 2021, nos EUA, que tinha um propósito similar de desgaste da democracia. 

Tentar derrubar o resultado de eleições diretas, livres e democráticas é um golpe óbvio contra a democracia, as instituições eleitorais funcionais e os direitos políticos do povo em geral. O direito à democracia está em risco. É algo grave e inadmissível.

Que Bolsonaro vai tentar sabotar essa eleição, isso é apenas o esperado dele. Não podemos achar que o mesmo homem eleito em 2018 com um discurso autoritário, essencialmente anti-democrático e anti-petista vá amolecer seu coração e aplaudir resultados que, conforme sugerem agora as pesquisas, favorecem seu principal adversário político, numa eleição da qual ele poderia sair um tanto prejudicado. O que temos que saber agora é como reagir a uma eventual escalada autoritária e golpista.

Que as instituições, como o TSE, façam uma justa frente à essa ameaça, e respondam à altura da gravidade dela. Que os resultados sejam prontamente respeitados, que o próximo presidente seja  reconhecido com essa mesma prontidão, assim como Bolsonaro ele próprio foi reconhecido em 2018, inclusive por seus detratores. Caso ele ganhe, tenho certeza que os eleitores de Lula, como os eleitores de Haddad em 2018, não tentarão em nenhuma instância justificar um "fraude" nas urnas para reverter os resultados, pois eu não ouvi ninguém, exceto por uma piada de indignação, que o tenha feito naquelas eleições.

Que essas eleições sejam efetivamente resguardadas e validadas pela população, pela classe política e por todas as esferas do poder.

Que qualquer tentativa ou sugestão por menor que seja de escalada autoritária, que venha a por em risco a legitimidade do processo eleitoral, seja reavaliada, dirimida e devidamente contornada. E que o Brasil saiba defender suas eleições nesse momento de delicada resposta eleitoral ao governo Bolsonaro, e de uma possível e prevista transição democrática. 

No Brasil, nosso processo eleitoral é forte, bem quisto e bastante seguro. Que essas eleições reafirmem a força da nossa democracia.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

FACES OF NOVEMBER (1963)


Filme que documenta o clima cinzento e onírico do momento após o assassinato de JFK: seu funeral, as lamúrias do povo, o rosto enigmático da primeira-dama... Fala muito sobre o torpor e comoção geral do acontecimento, que abateu uma nação toda, mas a partir de uma ótica muito particular, íntima, minimalista, estando ali, na outonada da tragédia. Um filme de uma estranheza silenciosa, de um tom fúnebre bem acentuado mesmo, e uma força escondida.

NINGUÉM SABE DOS GATOS PERSAS (2009)


Cheia de criatividade e elasticidade, esta pérola do Ghobadi, do que tem de inventiva e divertida na aura musical, tem de poderosa e urgente no seu comentário político. Entregue no tenso ano em que Ahminejad foi reeleito no Irã, esta fábula musical dá conta de expressar toda a revolta, com bom humor, graça, tristeza e um senso de afeto por personagens se arriscando simplesmente pelo direito da cultura, da música, enfim, do que é básico e essencial, num país, ironicamente, “moderno”, “nuclearizado”, e caminhando para o desenvolvimento. Engraçado, é mais universal do que talvez até se tenha imaginado. Ele diz muito até sobre o Brasil agora.

sábado, 28 de maio de 2022

Grandes Filmes de 2021

 
1. SR. BACHMANN E SEUS ALUNOS, de Maria Speth
2. UNDINE, de Christian Petzold
3. ATAQUE DOS CÃES, de Jane Campion
4. A MULHER QUE FUGIU, de Hong Sang-Soo
5. RODA DO DESTINO, de Ryusuke Hamaguchi
6. WIFE OF A SPY, de Kiyoshi Kurosawa
7. LOVERS ROCK, de Steve McQueen
8. AZOR, de Andreas Fontana
9. WOLFWALKERS, de Tomm Moore & Ross Stewart
10. ANNETTE, de Leos Carax
11. AHED'S KNEE, de Nadav Lapid
12. ÎNTREGALDE, de Radu Muntean
13. PEDREGULHOS, de P.S. Vinothraj
14. PEGANDO A ESTRADA, de Panah Panahi
15. NOMADLAND, de Chloé Zhao
16. BORAT: FITA DE CINEMA SEGUINTE, de Jason Woliner
17. ESCONDIDA, de Jafar Panahi (curta)

sábado, 6 de novembro de 2021

Întregalde


Não se espantem com o ritmo de Întregalde, principalmente lá pela metade. Trata-se de um filme conciso e muito bem costurado, que se concentra numa viagem por uma vila, com pouquíssimos personagens, para fazer um comentário bem preciso e pontual. Não há muita ação, e às vezes nem muito movimento, mas a narrativa guarda a profundidade de um olhar à espreita. Quer-se mostrar o quanto a solidariedade dos personagens acaba maquiando o distanciamento a quem ela é dirigida. O intuito humanitário do grupo logo acaba revelando a falta de comunicação real entre ele e o público a que ele se destina. Mas engraçado é que o filme não deixa de ser bem-humorado, cômico, ao mostrar brechas na comunicação, falhas na interação real. A crítica está na veia cômica da situação, na ironia de um interior retraído, abandonado, sem valor, e a coletivização do que é exterior, do que vem de fora. (dir. Radu Munteau, 2021, Romênia)

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Undine


Petzold faz uma bela transposição mitológica no sensível Undine, que namora com o místico, e traça um interessante paralelo com trabalhos anteriores do alemão, evidenciando a madureza do seu estilo já consolidado, e um retorno grato a uma aura mais hitchcockiana, na veia dos melhores trabalhos dele, vide Phoenix e Jericó. Em resumo, é um trabalho muito seguro de um diretor que parece estar bastante confortável no domínio da abordagem e da condução, aqui optando por novos respiros, mas ainda sim fiel às suas dinâmicas. Beer vai se confirmando tão digna de ser uma musa como a Hoss.