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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

HALLOWEEN (2018)

Resultado de imagem para Halloween 2018 film

Foi um dos filmes mais recentes que eu assisti na telona este Halloween. Acabou se tornando uma das experiências mais incômodas, por conta da agitação exagerada do público, que ficou falando e gritando boa parte do filme, além dos constantes entra-e-sai. Me perguntei se não contratavam mais lanterninhas ou se alguém não via aquela bagunça lá de cima, mas ninguém interveio na confusão do pessoal. De qualquer forma, tentei me concentrar no filme, para não ter que dever uma revisão.

Mesmo que tenha seus altos e baixos, Halloween não deixa de ser um trabalho interessante, de um cineasta tão eclético como David Gordon Green, que já trabalhou dirigindo tantos filmes, mas que de certa forma ainda continua sendo um pária no cinema norte-americano, com um currículo dividido entre produções de teor comercial (como essa) e filmes mais independentes, como seu recente O Que Te Faz Mais Forte, que até entrou em apostas para o Oscar. O mesmo pode ser dito sobre sua recepção pelo público e pela crítica. Gordon Green segue fazendo filmes, mas seu legado, por uns é pouco reconhecido, por outros é um promissor expoente, que segue renovando esse título a cada filme.

Halloween, a aguardada sequência do famoso filme de 78 (de Carpenter), traz novamente uma noite de 31 de outubro selada pelas atrocidades do maníaco Michael Myers, desta vez como o objeto da vingança de uma de suas vítimas, Laurie, que ainda deseja acabar com o reino de terror do assassino após 40 anos de ter escapado do monstro.

Por se tratar de um filme de terror, há permissões que a gente entende, um ritmo que respeita os elementos do gênero, fotografia e trilha estonteantes o suficiente pra criar uma atmosfera de possessão e tensão impagável. Há também atuações caprichadas de Judy Greer e Jamie Lee Curtis, aqui fazendo mãe e filha. Não há como não reconhecer que o trabalho de Gordon Green na condução é frutífero, mesmo que possa ter dividido tanto os fãs do filme de Carpenter. Dessa maneira, prefiro dizer que, enquanto filme de gênero, Halloween conquista acertos, um pouco acima da média para as produções de seu naipe, que podem deixar feliz um espectador que quer ver um trabalho mais leve e, não descomprometido, mas descontraído, de certa forma. 

Halloween
dir. David Gordon Green
★★★½

quinta-feira, 12 de julho de 2018

MARIA MADALENA (2018)


Muito, muito melhor que Lion. Como filme, é o primeiro que eu realmente admiro do Garth Davis, que já tinha feito um excelente trabalho na minissérie Top of the Lake. Não é apenas o elenco (incrível), a fotografia (primorosa), mas a recriação da história, que já foi recontada várias vezes, com frescor e sensibilidade admiráveis, e um senso de humanidade aguçado, transformam este Maria Madalena num impressionante exercício de cinema e reconstrução. 

Rooney Mara e Joaquin Phoenix, impagáveis.

Maria Madalena (Mary Magdalene)
dir. Garth Davis
★★★½

domingo, 3 de junho de 2018

DEADPOOL 2 (2018)



Deadpool voltou. Num dos melhores anos da produtora, a Marvel lança a sequência do prestigiado Deadpool, um passo de inovação que misturava humor e ação e inclusive chegou a ser indicado a diversos prêmios, como o Globo de Ouro (e quase chegou a fazer a lista do Oscar, pra vocês terem uma noção). Ryan Reynolds aposta em doses desconcertantes de ironia, humor despudorado e piadas sacanas para construir novamente seu personagem, e com uma atenção bastante cuidadosa com o drama.

A sequência é criativa, tem muitos momentos bons sim (os créditos inspirados em Skyfall, as inúmeras referências ao longo do filme, Logan, Dolly Parton), e os deslizes podem até remeter às próprias falhas do primeiro longa, muitas vezes os exageros da comédia dão lugar a um exagero coletivo, que se por um lado pode (e deve) incomodar, por outro revela uma ousadia bastante sadia, uma permissão muito feliz a filmes de super-herói, que nem sempre vemos por aí.

Achei que iria rir mais, e não que eu não tenha, talvez as expectativas de minha parte tenham sido levadas ao extremo. Me surpreendi com a delicadeza com que o drama é introduzido, sem se achar demais, nem tão tímido, mas no ponto certo, fazendo um par excelente com a comédia em dados momentos.

É um filme que se permite, e acho que esse é o principal ponto dele, não se levar a sério, mostrar que às vezes se descontrair é tudo o que se precisa para conseguir conciliar, e atingir, uma certa verdade. Entre risadas e possíveis lágrimas, o novo Deadpool mostra uma figura gentilmente humana por trás do herói caricato e espessamente sarcástico, um herói diferente, para aqueles que assim preferem, que enxerga naqueles ao seu redor a tristeza, a felicidade, mas sobretudo os lados e as formas que podemos assumir, e que, com a facilidade com que uma risada pode se transformar numa lágrima, a esperança que reside em cada novo sentimento, em cada ciclo que abraçamos. 

Deadpool 2
dir. David Leitch
★★