Magnificamente conduzido pela direção surpreendente do espanhol Alejandro Amenábar, o suspense Os Outros é inteiramente indicado pela crítica especializada como um dos melhores filmes do ano de seu lançamento, 2001, em uma afirmação exatíssima e nada exagerada, visto que este é um filme extraordinário.
Oferecendo uma tenebrosa carga superior dos filmes de terror, Os Outros segue uma linha de narração pontualmente regular, comparada ao suspense de M. Night Shyamalan, O Sexto Sentido, elevando o espírito tenebroso dos filmes de tal gênero. Narrando a história de uma mãe que não recebe notícias há meses do marido, Charles, que foi para a guerra, ela vive agora sozinha numa ilha com seus dois filhos. Como eles sofrem de Fotossensibilidade, a casa sempre está em escuridão. Até a chegada de três empregados, coisas sobrenaturais começam a acontecer, e o filme ganha vida quando seu roteiro prossegue sua identidade paralela e complexamente tênue.
A performance intensa e rígida de Nicole Kidman no papel da desolada Grace, nos permite a agraciar em um de seus melhores desempenhos, um tanto incomuns dentro do padrão de um filme de suspense, e que foi assustadoramente oposto pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas no ano de 2001, que nomeou Nicole Kidman por sua performance nem tão desbravadora se comparada a Os Outros em Moulin Rouge - Amor em Vermelho. Aqui, em Os Outros, Nicole Kidman encontrou a flexibilidade e a originalidade que faltava em sua carreira. Neste suspense de tirar o fôlego, ela mostrou o melhor de si e se entregou sofisticadamente á uma personagem forte e fraca ao mesmo tempo, que tenta encontrar saídas num mundo onde as portas são lugares que abrigam seres desconhecidos, e até assombrados, em meio de um mundo cercado pela profundidade da religião e a maldição do mistério.
Em Os Outros, pode-se perceber a notória consagração do diretor/roteirista/compositor Alejandro Amenábar, que veio a ganhar um Óscar três anos depois em Melhor Filme Estrangeiro pelo drama espanhol Mar Adentro, com Javier Bardem. É perceptível a presença de uma inspiração abalável e um triunfo cinematográfico quase inexplicável, diante de um roteiro perfeitamente construído, um elenco suntuoso e uma fotografia efêmera. E esses formam o traço de uma verdadeira obra de arte.
Os Outros (The Others)
dir. Alejandro Amenábar - ★★★★★

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