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terça-feira, 20 de junho de 2017

CALA A BOCA, PHILIP (2014)


Uma comédia de desajustes, em que o inaturável personagem-título acaba sendo o alvo de um estudo meio desacertado, intangível, que se confunde entre perspectivas que não se justificam, por outro lado atinge um humor sólido, com extrema naturalidade e fluidez. Chega a ser engraçado o quanto ele é insuportável e irritante, e mesmo que as pessoas ao seu redor se esforcem para não dar muita bola, sua lembrança funde sentimentos contraditórios e sua presença é motivo de desconforto, no fim das contas ele é a causa de toda a sua insatisfação. É claro, a construção do personagem é irregular, exagerada, até nesse ponto de ser egocêntrico, há uma relevância desnecessária, quase arbitrária. Na questão da narrativa, deve ser o mais simbólico dos filmes do Alex Ross Perry, inevitavelmente lembrando Woody Allen, principalmente na trilha sonora jazzística e nos personagens meio perdidos, desencontrados.

Cala a Boca, Philip (Listen Up, Philip)
dir. Alex Ross Perry
★★★

terça-feira, 2 de maio de 2017

O CÍRCULO CROMÁTICO (2011)


Quem se depara com este O Círculo Cromático até pode se confundir achando que se trata de um filme de Noah Baumbach ou, mais provavelmente, Woody Allen: a leveza da história, o humor piadista dos personagens, o deboche, as sacadas geniais... Alex Ross Perry, um dos nomes mais promissores do cinema independente americano da atualidade, em seu segundo longa-metragem, esta espirituosa comédia com um gostinho de road movie O Círculo Cromático (que não chegou a ser lançado no Brasil), desenha uma trama simples, mas não preguiçosa, e recheada de cenas deliciosas com diálogos inteligentes e perspicazes. A graça deste filme está na dupla maravilhosa de protagonistas: o próprio Alex Ross Perry e Carlen Altman.

Alex e Carlen interpretam dois irmãos que se reencontram – uma aspirante a jornalista tentando arranjar um emprego em uma pequena cidade e um homem com problemas em seu relacionamento – eles dois partem em uma viagem, na qual a personagem de Carlen pretende rever seu antigo namorado, outrora seu professor de jornalismo, que está ficando com outra aluna. O roteiro (assinado por ambos Perry & Altman) traz uma sequência de eventos bastante natural, despretensiosa – com uma libido cômica que flui de maneira perversa e sentimental ao mesmo tempo – para chegar em uma conclusão ainda mais simplista. 

Sendo um filme verborrágico, há o constante falatório dos personagens, conversas pontuadas e bastante incisivas. A relação entre os dois irmãos é desenhada de uma forma quase liberal, sem se prender à muitas restrições ou limitações, e a química flui com uma naturalidade imensa. 

Ainda sim, há momentos em que o filme se divide, não consegue estabelecer um equilíbrio definitivo, mesmo que se baseie em um humor puramente irônico e sagaz para a construção de um clima menos arisco e mais sincero. Se por um lado a comédia funciona perfeitamente, do outro o final deixa um gosto de insatisfação no ar, como se faltasse algo para complementar o significado e a proposta do filme. De qualquer maneira, é uma delícia. A forma como o filme se desenrola é espontaneamente divertida e gostosa de se acompanhar. 

O Circulo Cromático (The Color Wheel)
dir. Alex Ross Perry
★★★½