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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Crítica: "A PASSAGEM" (2005) - ★


Argh. Ô filmezinho mais desnecessário e irritante esse A Passagem. Às vezes eu me pergunto como é que os produtores tem a coragem de financiar um projeto babaca desses. Eu, hein... Nem a belíssima Naomi Watts consegue salvar esse bagulho. Onde já se viu? E não que eu não goste de Marc Forster, mas é que esse filme é completamente insuportável. A fotografia de Roberto Schaefer até que tem alguns momentos bons, mas não é suficiente. Se o filme fosse no mínimo bom, não precisava ser uma obra-prima. Mas é ruim demais. Não dá pra elogiar. Nada e ninguém. Nem Ewan McGregor, nem Ryan Gosling... Ninguém é capaz de salvar essa porcaria. E aquela reviravolta no final? Quer dizer que acaba daquele jeito? É inaceitável. Simplesmente uma bomba. Que decepção, sr. Forster! Um diretor tão capaz entregando um filme péssimo desses? Mal dá pra acreditar.

A Passagem (Stay)
dir. Marc Forster - 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Crítica: "007 - QUANTUM OF SOLACE" (2008) - ★★★


Cada dia que passa, ficamos mais próximos do lançamento de 007 Contra Spectre. E, este ano, estou realizando a "promessa" de ver os três últimos filmes estrelados por Daniel Craig na franquia. Em março, revi 007 - Operação Skyfall. Futuramente, reverei 007 - Casino Royale, que tanto influenciou a trama deste filme, Quantum of Solace. Para quebrar o suspense e a fúria causadas pelo título não-traduzido, Quantum of Solace, aqui facilito suas vidas: o título, se viesse a ser traduzido para o português, funcionaria mais ou menos como 007 - Quântica do Consolo, o que, no final das contas, faz um baita sentido.

E, até que o filme não é tão ruim quanto eu pensei que seria. Lógico, não é como 007 - Casino Royale, mas, sob nenhum aspecto, chega a ser um filme desapontador, digamos. Recomendo: no caso de algum de vocês quererem ver este filme, vejam primeiramente 007 - Casino Royale, justamente para não deixar de compreender este além de evitar um astronômico spoiler do final de Casino Royale. Nesta missão, Bond é monitorado para seguir os passos de uma corporação criminosa, algo que o leva a vários pontos de sua última tenebrosa missão, e o faz mais ainda revoltado e cheio de vingança. 

007 - Quantum of Solace poderia ter melhorado muito. Não sei se é só impressão minha ou se Marc Foster exagerou e errou feio na receita. Talvez, por conta da inexperiência com filmes de ação, este projeto não tenha se saído tão ótimo. Seria aceitável. Só que, ainda por cima, Foster decidiu esconder sua inexperiência debaixo do tapete e usou a mal-feita edição do filme para encobrir todo o caos de seu "não-talento" com filmes de ação nas cenas de grande porte, incluindo a abertura meia-boca, que, se percebermos bem de perto, é totalmente dependente da edição, novamente, mal-feita.

Marc Foster é um sujeito cuja "ficha" possui muitos trabalhos "prós" e muitos trabalhos "contra". Recentemente, vi aquele que considero "seu melhor filme": Mais Estranho que a Ficção. E isso por que até hoje não tive a oportunidade de ver um de seus longas mais aclamados, A Última Ceia, que deu o Oscar a Halle Berry. Vi Em Busca da Terra do Nunca mas fiquei tremendamente dividido. Enquanto, em partes, o achei muito interessante e bem construído, por outro lado fiquei decepcionado com a falta de seriedade e compromisso da equipe que o fez. O Caçador de Pipas, melhor não dizer nada. Quanto à 007 - Quantum of Solace, digo muito alto: "nada mal!".

Daniel Craig está tão bom aqui quanto esteve no bombástico e altamente talentoso 007 - Cassino Royale. O melhor do ator é que ele se encaixa brilhantemente em James Bond. É incrível. Sei que pode ser cedo demais para afirmar, mas é preciso qualificá-lo à altura das grandes performances dos lendários Roger Moore e Sean Connery como Bond. Craig é espetacular. Acho que nem mesmo o último James Bond, Pierce Brosnan, foi tão competente como esse aqui. Parece mesmo que Daniel se entregou de corpo e alma - parece não, é! - à Bond no fim de transformá-lo em seu personagem mais reconhecido.

Elogios à parte, volto a debater Foster com a falsidade com a qual ele comprometeu as criativas cenas de ação desse longa. Posso estar errado, mas é muito artificial. E estúpido, aposto. Não dá pra sentir gosto, adrenalina, em cenas tão ausentes de alma e poder. A fúria do personagem Bond quase nunca se é percebida, ao não ser especialmente no complexo final. O roteiro de Paul Haggis chantageia emoções por um punhado de tiro, porrada e bomba, o que, aqui, não pegou bem. A tensão acentuada da trama é desculpa pelos dramas internos ocasionados pelos diversos problemas que acometem o olfato (des)apurado do filme. Além disso, quase não vi as bond girls. A belíssima Olga Kurylenko entra no início, sai de campo no meio, e retorna (invisivelmente) no final. E nem rola uns "amassos" (sim, estou excedendo beijos). Só com a tal Mrs. Fields (Gemma Arteton), assistente britânica do MI6 e que trabalha na embaixada boliviana, que se deita com Bond durante a estadia dele em La Paz, só que é tão rápido, mesmo que uma boa referência à 007 Contra Goldfinger esteja metida nesse meio. Nem parece que é (e, pra mim, coisa que não pode faltar em filme de 007 é bond girl, senão perde a graça, "risos"). 

007 - Quantum of Solace (Quantum of Solace)
dir. Marc Forster - 

sábado, 6 de junho de 2015

Crítica: "MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO" (2006) - ★★★


Mais Estranho que a Ficção me surpreendeu. No fundo, foi maravilhoso ver esse espetacular filme. E  olha que eu não tinha a menor vontade de vê-lo, na expectativa que em seu final me cansaria. Mas ele não cansou. Ele, de uma certa forma, renovou minha percepção à frente dele e de sua gloriosa jornada. O que me deixou muito aborrecido em Mais Estranho que a Ficção é que ele é um filme dramático, o que certeiramente contrariou minha visão do filme como uma comédia, que funcionaria bem melhor à história. Drama, no final das contas, não caiu bem em Mais Estranho que a Ficção. 

Will Ferrell faz Harold Crick, um homem de diário incomum, mas quieto, privado de amizades e comunicações sociais, algo que faz dele um alguém intensamente solitário. Harold convive à base de um cotidiano rigoroso que, por ele, raramente, senão nunca, é quebrado. Certo dia, após acordar, enquanto escovava os dentes, Harold ouve uma voz, aparentemente emergida do nada, que inicia a narrar sua vida: seus movimentos, suas ações, seus pensamentos, seus diálogos... Tudo.  Confuso, Harold começa a se atrapalhar e se desconcentrar em suas atividades, o que o causa um incômodo infeliz. Depois de buscar assistência médica e falhar na tentativa, Harold vai até um professor literário que formula teses e teorias a partir de diferentes livros, no intuito de conseguir do homem um possível resultado em relação à narradora invisível e onipresente que tanto vem o causando intriga. No entanto, o jogo, inicialmente inocente e até então despretensioso, toma proporções maiores, quando a narradora de Harold anuncia sua morte. Neste momento, Crick dá partida em uma corrida contra o tempo a fim de salvar a sua vida, e tenta encontrar e identificar quem é essa narradora que tanto o atormenta. 

A ideia do filme por si é ótima, genial, incalculavelmente brilhante. Só que o resultado não corresponde cem por cento às primeiras expectativas da concepção da jornada. Certo que ela é demasiadamente atraente e desperta em nós curiosidade, mas, por vezes, é preciso pensar: "Será que essa brilhante ideia terá um brilhante final?", já que ultimamente o que mais estraga filmes de extensa qualidade narrativa inicial é a inutilidade de seu final. Não é assim, ainda bem, em Mais Estranho que a Ficção, só que o longa não é totalmente sucessivo nesse feito. Setenta por cento, digamos. O filme não é tão bom como Quero Ser John Malkovich ou Feitiço do Tempo, apesar de estar extraordinariamente próximo da excelência das obras citadas. Falta, neste drama sensível e bondoso, a audácia, o atrevimento, a cientificação dos elementos. Falta, nos bem bordados conflitos da trama, um sabor que a ofereça traços originais. 

Vale dizer aqui que, para a minha inesperada expectativa, o roteiro é genial. Autoria de Zach Helm, o roteiro mostrou uma eficiente inteligência e notória maturidade. E isso ajuda muito num longa que depende inteiramente de seu roteiro no retrato e na visão de seus interligados persongens. Não consigo enxergar neste roteiro de Helm fraquezas profundas. Se há algo de mal nele sinceramente digo que é a falta de complexidade. Em certos momentos, a história desvia causa e efeito e deixa algumas questões, de caráter compreensivo, vazias.

Marc Foster mostrou-se um capaz e densamente evoluído ao retratar a peculiar jornada de Crick num plano em si tão simplificado, nítido, sem ser precisamente escandaloso ou, como gosto de falar, depreciativo. É em sua estrutura normal, claramente abstrato e longamente absurdo. De certo o forte deste filme são as interpretações arrebatadoras dele (comentarei daqui a pouco), mas a direção é o que comanda tudo. Concluindo, ela não é tudo isso, mas também é algo a ser visto na película. Ou seja, ela se situa em algum lugar entre a incompetência e a perfeição (mediano). E, se visto com outros longas da filmografia de Marc, é um ponto altamente excelente. Acredito que o que melhor vi de Marc até o exato momento foi Em Busca da Terra do Nunca, com Kate Winslet e Johnny Depp, que mesmo sendo um pouco bobo para meu gosto, até que deu para engolir, já que o longa mostrou-se preciosamente delicado e profundo. Não gostei muito de 007 - Quantum of Solace. O Caçador de Pipas me deixou muito dividido. Este é Marc. Apesar dessa filmografia inteiramente média, confio que ainda sim ele nos mostrará algo de intenso valor. 

O elenco é particularmente adoidado, no melhor sentido da coisa. Dedicado, competente, eficiente, sem medo e inovador. Os membros atores são excelentes. Em destaque, o excentricamente talentoso Will Ferrell, em uma das performances mais notáveis de sua curta carreira, se não é a melhor que ele já fez até o momento. Atuando duplamente no drama e na comédia deste longa, Farrell é imperdível. Emma Thompson vem em seguida, encarnando uma escritora loucamente sem criatividade tentando encontrar, ao lado da assistente Penny (Queen Latifah), um jeito de matar Harold em seu romance. A Maggie exagerou um pouco, ou então ficou muito sem graça. Não dá nem pra falar dela. Dustin Hoffman apareceu timidamente, e saiu de fininho. Desse elenco estrelado, concluo que os dois que mais se saíram bem foram Ferrell e Thompson.

Mais Estranho que a Ficção (Stranger than Fiction)
dir. Marc Forster -