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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Crítica: "SETE DIAS COM MARILYN" (2011) - ★★★★


Estava com receio de ver Sete Dias com Marilyn achando que não iria gostar do filme. Fiquei evitando por um bom tempo, até que "tomei coragem" pra ver. Que bobeira a minha! Sete Dias com Marilyn é estupendo. Confesso que fiquei surpreendido com o resultado fenomenal deste longa. É agradável de se assistir, conta com a presença de atores talentosos em desempenhos dignos de nota, uma direção competente e cuidadosa, e luxos técnicos de um primor arrebatador. Fotografia, figurinos, direção de arte, maquiagem, sonoplastia: no que diz respeito a qualidade técnica, Sete Dias com Marilyn está um passo à frente.

Sete Dias com Marilyn foi a estreia cinematográfica do veterano diretor/produtor de TV britânico Simon Curtis na direção de um filme. Recentemente, para ser mais específico no ano passado, Simon trouxe às telonas seu segundo longa-metragem, o desastroso drama A Dama Dourada, cujo tive o desprazer de assistir. O mesmo já não posso dizer de Sete Dias com Marilyn, um filme imensamente superior.

Cinebiografia da lendária estrela de Hollywood Marilyn Monroe, Sete Dias com Marilyn traz a talentosíssima Michelle Williams (em uma interpretação maravilhosa) na pele da exuberante e cultuada intérprete que atingiu seu auge na década de 50, e sua fama ecoou pelo mundo inteiro. Mas a loira também tinha problemas. Sete Dias com Marilyn retrata a passagem dela pela Inglaterra, nos anos 50, onde ela foi para rodar uma comédia ao lado de Laurence Olivier (Kenneth Branagh, em atuação extraordinária que lhe rendeu 1 indicação ao Oscar), e a amizade, quase um romance, da atriz com Colin Clark (Eddie Redmayne), empregado de Olivier. 

A constante tensão no set, os problemas de Marilyn para decorar falas, a fricção entre ela e um estressado Laurence Olivier, e o abuso dos remédios e das bebidas. Era difícil ser Marilyn, exposta à pressão da fama. Sem difamar ou fazer julgamentos, Sete Dias com Marilyn traz a famosa atriz como uma vítima da opressão da indústria cinematográfica e do próprio sucesso. É um retrato honesto, digno, amargo e pesaroso da vida, da fama, da identidade e das pessoalidades de Monroe.

Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn)
dir. Simon Curtis - 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Crítica: "A DAMA DOURADA" (2015) - ★★


A história carregada por A Dama Dourada possui um cheiro muito natural de documentário, e acredito que ela até se sairia melhor caso enquadrada num. Para a minha tristeza - e consequente surpresa -, não gostei nem um pouco deste drama A Dama Dourada, que queria ver há tempos, e hoje me abalei quando vi que as minhas expectativas, digo, a boa parte delas, estavam erradas. Há quem elogie as bonitas performances de Helen Mirren e Ryan Reynolds no filme, mas o fracasso do resto é inevitável. Por que este filme funcionaria perfeitamente como documentário? A Dama Dourada oferece preciosas e interessantes informações, que até credibilizam o roteiro de Alexi Kaye Campbell mas, se por um lado esse trabalho é uma mina de ouro neste ponto, no outro é uma bomba prestes a explodir. Uso de flashbacks, sentimentalismo forçado, clímax prepotente e elementos batidos... Só mesmo restava a A Dama Dourada uma mediana salvação por parte de elenco. Fora isso e a equipe técnica, só sobra ao filme desapontamento.

Não raramente, me lembrei a todo instante de Caçadores de Obras-Primas, de George Clooney, muito semelhante à este ao abordar o assunto da confiscação de bens artísticos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Aqui, vemos a história de Maria Altmann, uma austríaca que veio aos Estados Unidos ainda durante a guerra, deixando os pais e o restante da família para trás. Isso na década de 40. Em 1998, Maria, após a morte da irmã, recorre a um inexperiente advogado para cuidar de alguns assuntos que vieram à tona com o falecimento, incluindo o quadro "Woman in Gold", levado pelos nazistas durante a invasão da casa da família em Viena, tal como outros objetos de arte. Inicialmente determinada a encontrar a tão especial obra, ela e Randol Schoenberg, advogado também de origem austríaca, partem em uma viagem cheia de reviravoltas ao país. E a personagem Maria sempre com a cabeça nas memórias da guerra. 

Helen Mirren, como sempre, encarna uma mulher cheia de determinação, decidida, prática, sem muitos rodeios, firme e insistente, aquela típica personagem feminina forte que sempre vem para conseguir num piscar de olhos a aprovação do espectador devido à sua iminente teimosia e independência. E não que eu esteja falando mal desses personagens, mas é tão comum vermos Mirren interpretando mulheres de rígido poder e, principalmente, dominadoras indomáveis que não houve surpresa em vê-la novamente aqui neste papel com o mesmo ar que é possível notar em outras performances, melhores, da atriz britânica. E isso em nenhum ponto desagrada. Apenas temos a sensação constante de "não já vi isso em algum lugar?". Mesmo com um sotaque diferente, uma estrutura diferente, Helen Mirren não se distancia tanto das suas típicas mulheres de espírito forte. E não falo de A Rainha, onde pelo menos ela exibia as suas duas faces, a estrondosa e vitalícia coragem, e a abatedora fraqueza consensual. Falo de Hitchcock (falando em Hitchcock, hoje o diretor completaria 116 anos), A 100 Passos de um Sonho, RED entre outros. Parece a Meryl.

Ryan Reynolds finalmente em algo maior (atuação) em sua carreira, mesmo que muito pouco consiga escapar de seu jeitão de quem não sabe de nada. A trilha sonora de Hans Zimmer, com a colaboração de Martin Phipps, é sem dúvida bem comandada. Nos flashbacks, o que brilha é a fotografia de Ross Emery. Palmas à igualmente estonteante direção de arte. A Dama Dourada apela muito e acaba ficando em segundas intenções, o que meramente transporta toda a responsabilidade do longa para o elenco, e isso se torna um inevitável caos, sem querer menosprezar a qualidade das atuações. No fim de tudo, é um retrato bem falso de uma justiça escancaradamente impossivelmente perfeita. Os traços da guerra, que tanto derivam epifanias à Maria, aqui presentes, tinham como missão reforçar o drama, mas falham e só tendem a transtornar mais.

A Dama Dourada (Woman in Gold)
dir. Simon Curtis -