quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

SOB A AREIA (2000)


Quando Charlotte Rampling está em cena, algo magnífico acontece. Ela toma o controle da tela e seu público é manipulado de maneira triunfal e abismadora. Em “Sob a Areia”, a atriz nos entrega uma de suas performances mais minimalistas e bem-feitas, daquelas de dar gosto mesmo, o que principalmente torna tão especial este suspense do cineasta francês François Ozon, que três anos depois viria a dirigir a lendária intérprete inglesa novamente em outro thriller arrasador, o brilhante “Swimming Pool – À Beira da Piscina”, que guarda muitas semelhanças com este trabalho aqui, não apenas pela construção detalhada, mas pela abordagem simbólica e a forte influência hitchcockiana, que paira sobre estes dois filmes tão desconcertantes, misteriosos e BONS!

O sumiço do marido de uma mulher de meia-idade é o estopim da trama de “Sob a Areia”, que persegue a personagem de Rampling e suas angústias enquanto traça um mistério que a cada cena fica mais indecifrável. Cenas do cotidiano se misturam a sequências que carregam um gostinho surreal, que estão ali para emular um suspense sinistro. Durante a primeira metade, a câmera vagueia entre planos abertos e curiosamente amplos para, aos poucos, se limitar à takes mais intimistas e fechados enquanto acompanhamos a trajetória de Marie Drillon após o desaparecimento de seu companheiro e sua negação à realidade que a confronta. Irresoluta, ela resiste aos impulsos desta para viver a situação à seu próprio modo. O fim de um casamento e as consequências de uma ilusão que nunca aconteceu, um matrimônio consumido pela mesmice. 

Claramente, a intenção do diretor (também roteirista) François Ozon é fazer com que o espectador compreenda essa personagem tão complexa e as suas atitudes, bem como o que a leva a criar uma perspectiva tão distante frente aos eventos que abarcam em sua vida amorosa e sua relação com pessoas próximas. O desaparecimento pode ser interpretado como uma metáfora da descrença de um casamento feliz, o momento em que a personagem se dá conta da farsa impassível que se submeteu, e sua imagem da relação perfeita se desfaz, num completo e súbito “desaparecimento” do amor improvável e todas as suas condições.

Como bom realizador que é, Ozon não desaponta na direção e não deixa nenhum detalhe escapar. A complexidade que envolve este filme torna eficaz a mise-en-scene e enriquece os méritos fílmicos do cineasta por trás desse projeto. Por outro lado, é possível denotar que “Sob a Areia” depende bastante de sua narrativa. Mais interessante é perceber como a mise-en-scene realça os traços narrativos do filme e seu semblante metafórico.

Deixando as comparações de lado, Ozon sabe trabalhar muito bem elementos determinantes em um thriller, como a tensão e o clímax. Por trás dessa façanha, revela-se um dom do diretor para com o gênero suspense que poucos dominam. Charlotte Rampling esculpe uma atuação magistral, provavelmente uma das melhores dela, que atua como ninguém, e sabe dominar seus papéis (algo que é extremamente importante para a sua personagem neste suspense). Certamente está no time das gigantes. 

Sob a Areia (Sous le sable)
dir. François Ozon
★★★★

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

SINDICATO DOS PRODUTORES – PGA 2017 – OS INDICADOS



A Chegada
Deadpool
Cercas
Até o Último Homem
A Qualquer Custo
Estrelas Além do Tempo
La La Land
Lion
Manchester à Beira-Mar
Moonlight

IMPRESSÕES

– A surpresa da vez foi Deadpool, o filme que poderá levar a Marvel ao Oscar esse ano. O filme já foi indicado ao prêmio do sindicato dos roteiristas (baita importante) e agora também conquista mais uma menção nessa lista de ouro que é um indicador infalível dos indicados ao Oscar em Melhor Filme.

– Algumas escolhas são bastante óbvias. Vá lá: La La Land, Manchester à Beira-Mar, Moonlight, Lion, A Qualquer Custo... Mas outros filmes que ainda continuavam bastante incertos nessa corrida, como A Chegada e Estrelas Além do Tempo, ganham potência com suas indicações.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

GLOBO DE OURO 2017 (74th Golden Globe Awards)


É, meus amigos. Esta foi, com certeza, a mais emocionante das edições do Globo de Ouro em muito tempo. Acho que nunca fiquei tão emocionado antes assistindo à cerimônia, que costuma trazer surpresas e vitórias extraordinárias. Esse ano, não foi diferente. Mas os acertos da premiação este ano falam mais alto. E é por isso que ela deve ser lembrada como uma festa simplesmente fantástica.

O melhor momento da noite, dentre os vários memoráveis momentos que esta cerimônia nos concebeu, foi a vitória da eterna rainha do cinema francês, a atriz Isabelle Huppert, pelo drama Elle em Melhor Atriz, contrariando as expectativas de especialistas que já temiam que Natalie Portman ou Amy Adams iriam levar o prêmio. A vitória de Huppert, que está simplesmente excepcional, em uma das atuações mais pungentes e inesquecíveis de sua carreira, foi o maior acerto desta edição mais que lendária, e com certeza garante a indicação da atriz ao Oscar e provavelmente sua primeira estatueta, ainda que tenhamos um longo caminho pela frente. Ela estava graciosamente emocionada quando recebeu o prêmio. O filme Elle também conquistou Melhor Filme Estrangeiro, entregue ao cineasta holandês Paul Verhoeven. Infelizmente, o filme não conseguiu ficar entre os nove pré-indicados no Oscar, mas Isabelle Huppert já garantiu sua indicação. Uma vitória para lá de emocionante e que promete ecoar por muito tempo em nossas memórias. Huppert ganhou, e ela merece. A justiça está sendo feita. 

La La Land ganhou em todas as sete categorias às quais foi indicado, um recorde máximo do Globo de Ouro, inclusive Melhor Filme – Comédia ou Musical. O filme foi realmente um estrondo, e é com certeza um favorito desta awards season. Não à toa muitos andam dizendo que o filme irá fazer bonito no Oscar em fevereiro. E, francamente, eu não duvido nada disso. Todos amaram La La Land, e o filme tem tudo para varrer os prêmios. 

O drama Moonlight, unanimidade entre os críticos, levou o prêmio de Melhor Filme – Drama, entregue no finzinho da edição. As chances deste filme também são altíssimas, e ele pode muito bem surpreender no Oscar. Enquanto isso, Manchester à Beira-Mar, que andava sendo bastante cotado, levou apenas um prêmio pra casa, o de Melhor Ator, para Casey Affleck, que é o favorito ao Oscar. Polêmicas relacionadas a acusações de assédio sexual envolvendo o ator comprometem a sua indicação, apesar de muita gente já crer que não há como ele ser esnobado, mesmo diante de tais possibilidades.

A lendária Meryl Streep, a melhor atriz do cinema norte-americano, ganhou merecidamente o prêmio Cecil B. DeMille, o Globo de Ouro honorário, o que acabou por gerar um dos momentos mais emocionantes e desconcertantes da noite. O discurso poderosíssimo da atriz esbanjou classe e notoriedade. Não tem como negar que essa mulher é incrível, em todos os sentidos. Ela foi introduzida por Viola Davis, sua colega de cena no filme Dúvida, e que também ganhou nesta mesma noite o merecido prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pelo drama Cercas, em que ela está brilhante – o primeiro prêmio dela, aliás –.

A grande surpresa da noite foi a vitória do ator Aaron Taylor-Johnson, então indicado inesperadamente por Animais Noturnos, na frente de outras grandes e cotadas performances, como Mahershala Ali (o favorito), Jeff Bridges e Simon Helberg. Muitos até alegam que a vitória foi comprada. E eu não os culpo. Isso cheira mesmo a vitória comprada, ainda que Johnson esteja excelente. 

Zootopia ganhou muito justamente o prêmio de Melhor Animação, para nossa alegria. O musical La La Land levou outros diversos prêmios esta noite, incluindo Trilha Sonora, Canção, Ator e Atriz em Comédia/Musical, Roteiro e Direção (estes dois últimos entregues a Damien Chazelle). 

Nas categorias de TV, foram destaques a série britânica The Crown e a minissérie The Night Manager (recordista de vitória entre os prêmios televisivos, com três ganhos). The People V. OJ Simpson também ganhou dois prêmios. Vi pouca coisa dos indicados, e preciso urgentemente conferir alguns dos premiados. 

O apresentador Jimmy Fallon conseguiu até que dar uma introdução bacana, mas que não passa disso. Achei que ele seria mais engraçado. E não que não tenha sido, mas é que foi de uma maneira mais contida – e rápida – o que acabou decepcionando um pouco. Provavelmente o momento mais engraçado da noite foi o Steve Carell e a Kristen Wiig apresentando Melhor Animação e falando sobre a primeira experiência deles em um cinema. A plateia riu bastante. Imaginei por um segundo como seria se eles fossem apresentadores do prêmio um dia. Seria muito legal. 

Enfim, a emoção é tanta que chega a bater o coração. Essa noite teve Huppert vencendo (a melhor coisa que aconteceu em 2017 até agora), musical moderno levando todos os prêmios pra casa e momentos de pura relevância (um discurso arrasador da deusa Meryl Streep) e também de graça e descontração. O certo é que eu amei o Globo de Ouro deste ano. Estou na torcida para que a Isabelle Huppert não só seja indicada mas também ganhe o Oscar. Ele merece esse prêmio desde que nasceu. É uma verdadeira musa da sétima arte. 

OS VENCEDORES

MELHOR FILME – DRAMA
Moonlight

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
La La Land

MELHOR DIRETOR
Damien Chazelle – La La Land

MELHOR ATOR – DRAMA
Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Isabelle Huppert – Elle

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Ryan Gosling – La La Land

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Emma Stone – La La Land

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson – Animais Noturnos

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis – Fences

MELHOR ROTEIRO
La La Land – Damien Chazelle

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Elle – França
dir. Paul Verhoeven

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Zootopia

MELHOR TRILHA SONORA
La La Land – Justin Hurwitz

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
City of Stars – La La Land

PRÊMIOS DE TV

MELHOR SÉRIE – DRAMA
The Crown

MELHOR SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Atlanta

MELHOR SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
The People V. OJ Simpson – American Crime Story

MELHOR ATOR EM SÉRIE – DRAMA
Billy Bob Thornton – Goliath

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE – DRAMA
Claire Foy – The Crown

MELHOR ATOR EM SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Donald Glover – Atlanta

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Tracee Ellis Ross – Black-ish

MELHOR ATOR – SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Tom Hiddleston – The Night Manager

MELHOR ATRIZ – SÉRIE LIMITADA OU TELEFILME
Sarah Paulson – The People V. OJ Simpson – American Crime Story

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Hugh Laurie – The Night Manager

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Olivia Colman – The Night Manager

domingo, 8 de janeiro de 2017

APOSTAS AO GLOBO DE OURO 2017


MELHOR FILME – DRAMA

quem vai ganhar Manchester à Beira-Mar
quem pode ganhar Moonlight
quem deveria ganhar Moonlight

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL

quem vai ganhar La La Land
quem pode ganhar Deadpool
quem deveria ganhar La La Land

MELHOR ATOR – DRAMA

quem vai ganhar Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar
quem pode ganhar Denzel Washington – Fences
quem deveria ganhar Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar

MELHOR ATRIZ – DRAMA

quem vai ganhar Isabelle Huppert – Elle
quem pode ganhar Natalie Portman – Jackie / Amy Adams – A Chegada
quem deveria ganhar Isabelle Huppert – Elle

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL

quem vai ganhar Ryan Gosling – La La Land
quem pode ganhar Hugh Grant – Florence Foster Jenkins
quem deveria ganhar Hugh Grant – Florence Foster Jenkins

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL

quem vai ganhar Emma Stone – La La Land
quem pode ganhar Meryl Streep – Florence Foster Jenkins
quem deveria ganhar Meryl Streep – Florence Foster Jenkins

MELHOR ATOR COADJUVANTE

quem vai ganhar Mahershala Ali – Moonlight
quem pode ganhar Jeff Bridges – A Qualquer Custo
quem deveria ganhar Mahershala Ali – Moonlight

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

quem vai ganhar Viola Davis – Fences
quem pode ganhar Michelle Williams – Manchester à Beira-Mar
quem deveria ganhar Viola Davis – Fences

MELHOR DIRETOR

quem vai ganhar Damien Chazelle – La La Land
quem pode ganhar Barry Jenkins – Moonlight
quem deveria ganhar Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar

MELHOR ROTEIRO

quem vai ganhar Manchester à Beira-Mar
quem pode ganhar La La Land
quem deveria ganhar Manchester à Beira-Mar

MELHOR TRILHA SONORA

quem vai ganhar La La Land
quem pode ganhar A Chegada
quem deveria ganhar La La Land

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

quem vai ganhar CITY OF STARS – La La Land
quem pode ganhar HOW FAR I'LL GO – Moana
quem deveria ganhar CITY OF STARS – La La Land

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

quem vai ganhar Zootopia
quem pode ganhar Kubo e as Cordas Mágicas
quem deveria ganhar Zootopia

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

quem vai ganhar Toni Erdmann
quem pode ganhar Elle
quem deveria ganhar Elle

LUMIÈRE DE OURO 2016


Bem, chegou o dia. Aqui estão eles, os melhores do ano, os mais irreverentes, os mais excepcionais de 2016. Foram eles que se esforçaram, deram o seu melhor, e se destacaram num dos anos cinematográficos mais badalados e recheados de obras dos últimos anos. Sem mais, aqui estão, os MELHORES DE 2016, nesta 3ª edição do Prêmio Anual do blog, o Lumière de Ouro.

MELHOR FILME


Carol

MELHOR DIRETOR


Paul Verhoeven – Elle

MELHOR ATRIZ


Isabelle Huppert
–––
Elle
O Que Está Por Vir

menção honrosa:
Sonia Braga – Aquarius

MELHOR ATOR


Jung Jae-Young
–––
Certo Agora, Errado Antes

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
EMPATE!


Jennifer Jason Leigh
–––
Os Oito Odiados

&

Tassadit Mandi
–––
Fique Comigo

MELHOR ATOR COADJUVANTE


John Goodman
–––
Rua Cloverfield, 10

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL


Certo Agora, Errado Antes
–––
escrito por Hong Sang-Soo

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO


Elle
–––
escrito por David Birke
adaptação do livro Oh..., de Phillipe Djian

MELHOR CENA


A VISITA DOS CIGANOS
em O Cavalo de Turim

menção honrosa:
NOITE FELIZ – Spotlight

MELHOR FILME – ANIMAÇÃO


Anomalisa

MELHOR CANÇÃO


"L'occasion"
canção original do filme O Ignorante

MELHOR TRILHA SONORA
EMPATE!


Os Oito Odiados – Ennio Morricone
Carol – Carter Burwell

MELHOR FOTOGRAFIA


Carol Ed Lachman

MELHOR EDIÇÃO


Aquarius Eduardo Serrano

MELHOR FIGURINO


A Assassina Wen-Ying Huang

menção honrosa:
Carol – Sandy Powell

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO


Carol Judy Becker

MELHOR ELENCO


Sieranevada

MELHOR SOM


O Cavalo de Turim

MELHOR MAQUIAGEM


Demônio de Neon

MELHORES EFEITOS VISUAIS


Doutor Estranho

MELHOR FILME – OFF CIRCUITO
NOVA CATEGORIA!


Docinho da América (a.k.a. American Honey)
LANÇADO DIRETAMENTE EM V.O.D.

menção honrosa:
Graduação (a.k.a. Bacalaureat)

MELHOR DIRETOR ESTREANTE
NOVA CATEGORIA!


Robert Eggers – A Bruxa

MELHOR FILME RUIM
NOVA CATEGORIA!


Casamento Grego 2
– O retorno da família Portokalos foi um dos eventos mais esperados de 2016. Há quem ache que o filme em si é uma completa baboseira, mas os fãs provavelmente se contentaram em rever todo o elenco original de Casamento Grego nessa sequência bem-humorada e pra lá de descontraída, que reinventa o charme e a compostura do primeiro em um cativante revival –

MELHOR FILME – TERROR
NOVA CATEGORIA!


A Bruxa
– Imagens que causam calafrios, sequências atordoantes que preenchem A Bruxa, o melhor filme de terror do ano. A performance estrondosa de Anya Taylor-Joy, uma das revelações primordiais de 2016, a direção mais que massiva e imensurável de Robert Eggers, entre outros transforam este longa numa verdadeira obra de arte. Um filme que prova a força daquilo que é visível e do impacto causado pelas ações daquilo que não pode ser visto. Uma obra do gênero. Inesquecível –

TOTAL DE PRÊMIOS

4 PRÊMIOS
Carol

3 PRÊMIOS
Elle

2 PRÊMIOS
Certo Agora, Errado Antes
O Cavalo de Turim
A Bruxa

1 PRÊMIO
Rua Cloverfield, 10 
Casamento Grego 2
Fique Comigo
Os Oito Odiados
Demônio de Neon
Docinho da América
Doutor Estranho
Sieranevada
A Assassina
Aquarius
Anomalisa
O Ignorante

MENÇÃO DE OURO
Os prêmios especiais

ESTRELINHA DE OURO
Isabelle Huppert
A personalidade cinematográfica mais influente do ano

FILME NACIONAL DO ANO
Aquarius
Orgulho nacional

PERSONAGEM DO ANO
Michèle Leblanc – Elle
Aquela personagem que a gente não consegue resistir de tão bem-feita

DOCUMENTÁRIO DO ANO
Visita ou Memórias e Confissões

MELHOR COMÉDIA
Certo Agora, Errado Antes
Rir não tem preço

MELHOR HISTÓRIA DE AMOR
Carol
No escurinho do cinema...

MELHOR ÉPICO
A Assassina
Outros tempos

CURTA-METRAGEM DO ANO
A Moça que Dançou com o Diabo
Pequeno grande filme

SURPRESA DO ANO
Invasão Zumbi
2º lugar: Tangerine
Aquele filme que a gente não esperava nada, mas foi um estouro de bom

O ESQUECIDO DO ANO
Do Que Vem Antes
Aquele filmaço que passou em branco nos cinemas e quase ninguém falou dele

O MIMADINHO DO ANO
Capitão Fantástico
Aquele filme que não é tão bom como todos falam

ARREBENTOU A BOCA DO BALÃO
Elle
Chegou chegando

PRÊMIO SEM VERGONHA NA CARA
Especialista em Crise
Esse não toma jeito mesmo

A DECEPÇÃO DO ANO
(carinhosamente apelidado de FILME MAIS BROXANTE DE 2016)
Joy – O Nome do Sucesso
2º lugar: Caça-Fantasmas
Aquele filme que você jurava ser bom, mas contrariou as expectativas

ATUAÇÃO MAIS SUBESTIMADA DO ANO
Cate Blanchett em Conspiração e Poder
Aquela atuação fantástica que deveria ser lembrada

FILME QUE MAIS DIVIDIU
O Regresso
2º lugar: Caça-Fantasmas
Todo mundo odiou e amou

QUERO O DINHEIRO DO INGRESSO DE VOLTA
Um Homem Entre Gigantes
O filme mais desprezível do ano

GUILTY PLEASURE DO ANO
Café Society

MELHOR SEQUÊNCIA
Jovens, Loucos e Mais Rebeldes!!
ex-aequo: Creed – Nascido para Lutar
 Mais uma rodada, por favor

PIOR SEQUÊNCIA
X-Men: Apocalipse
ex-aequo: Alice Através do Espelho
Depois dessa...

PRÊMIO IMITAÇÃO BARATA
Cinquenta Tons de Preto
O remake que não deu certo

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O RAIO VERDE (1986)


Meu ano cinéfilo começou com esta obra brilhante do francês Éric Rohmer, O Raio Verde. Clássico esquecido, o longa é um dos mais pungentes e deliciosamente verborrágicos que o mestre francês já concebeu. Trata-se do quinto filme da série "Comédias e Provérbios", antecedido por (em ordem cronológica) A Mulher do Aviador, Um Casamento Perfeito, Pauline na Praia Noites de Lua Cheia e sucedido por O Amigo da Minha AmigaO Raio Verde trata de maneira delicada e agridoce a história de uma mulher tentando engatar uma relação amorosa na badalada temporada de férias.

Interpretada por Marie Rivière (em uma atuação incrível, e que também assume o roteiro ao lado de Éric), a personagem Delphine confronta a fragilidade de suas emoções e expectativas ao embarcar em uma típica jornada de férias (um ritual dos franceses, que sempre buscam se refugiar em regiões litorâneas e paisagens distantes dos grandes centros) ao lado de amigos enquanto busca um novo amor, ainda que ela repetidamente fuja desses cenários quando se encontra muito triste, e "impossibilitada" de desfrutar das férias e do verão com a disposição "requerida" para essa época.

Insatisfeita e com tendência depressiva, Delphine não consegue ficar por muito tempo na praia, cercada de pessoas amorosamente afloradas e que estão sempre falando de amor. Neste contexto romântico, ela dá uma fugidinha para Paris, onde sofre com suas amarguras e desilusões. Supersticiosa do jeito que é, ela sempre fica encucada ao se deparar com cartas de baralho jogadas na rua, que para ela sempre estão ali por algum motivo. Interessante é que as cenas em que ela encontra esses objetos na rua – duas cenas curtinhas, eu creio – são bastante enigmáticas, embebidas de um certo suspense, que corta um pouco o clima de leveza que o longa naturalmente carrega, com uma musiquinha de fundo bastante mística, que dá a entender a intenção de causar um certo estranhamento.

Delphine exala timidez e introspecção, chegando a dar até a impressão de que é um pouco contida, ainda que apareça vez ou outra chorando, liberando suas emoções, alegando um desprezo nítido quanto à sua vida amorosa. Confinada à solidão, ela faz de tudo para livrar-se da mesma, mas sempre acaba se refugiando nesta quando a desilusão se aproxima. Por vezes decidida, e em outras confusa sobre si mesma, Delphine é um reflexo sagaz da irradia mesmerização e da baixa estima como um efeito colateral da falha pela busca amorosa e a insatisfação, talvez até crônica, em relação ao destino sentimental.

A nossa personagem luta para fugir das desilusões amorosas e, busca nesses sinais, nessas superstições, um sinal para ter esperança, para crer em um novo capítulo de sua vida amorosa e seguir com suas catividades. O raio verde do título, aliás, diz respeito a um raro fenômeno da natureza, em que, durante o fim do pôr-do-sol, a última luz refletida pela atmosfera é a cor verde, gerando um pequeno raio no horizonte, que dura milésimos de segundos. Referenciando um livro de Julio Verne, há uma crença popular na França que diz que a pessoa que testemunhar esse evento será capaz de ler os sentimentos alheios. É dito que Rohmer custou a tentar captar esse fenômeno através de suas lentes para compor uma cena do filme, entretanto sua missão findou-se sem sucesso. O jeito foi elaborar o fenômeno em laboratório. A cor verde, que está presente de forma bastante discreta em quase todas as cenas deste filme, seja no figurino dos atores ou no espaço em que as sequências se passam, representa a exaltação das expectativas em meio à conturbação amorosa. 8

Verborrágico, sutil e suave (como todo bom filme de Éric Rohmer), O Raio Verde é mais uma brilhante e perspicaz observação do diretor sobre o exasperado astral das relações humanas e da maneira que lidamos com as desilusões e fracassos em relação à interação romântica. Muito bom de verdade, recheado de momentos intrigantes e diálogos pontuais. Rohmer firma-se com mais uma crônica excepcional muito bem desenvolvida e que prova que ele é um mestre da narrativa. O controle diante da mise-en-scène sensivelmente magistral que ele assume é de deixar qualquer um boquiaberto. Um exemplar de qualidade da filmografia deste cineasta genial, merecidamente vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1986.

O Raio Verde (Le Rayon Vert)
dir. Éric Rohmer
★★★★★

SINDICATO DOS ROTEIRISTAS – WGA 2017 – OS INDICADOS


Foram anunciados hoje os indicados ao prêmio do Sindicato dos Roteiristas, o Writers Guild of America Awards, decisivamente importante para as categorias de roteiro no Oscar. 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

A Qualquer Custo – escrito por Taylor Sheridan
La La Land – escrito por Damien Chazelle
Loving – escrito por Jeff Nichols
Manchester à Beira-Mar – escrito por Kenneth Lonergan
Moonlight – escrito por Barry Jenkins/história de Tarell McCraney

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Chegada – escrito por Eric Heisserer
Deadpool – escrito por Rhett Reese & Paul Wernick
Fences – escrito por August Wilson
Estrelas Além do Tempo – escrito por Theodore Melfi & Allison Schroeder
Animais Noturnos – escrito por Tom Ford

MELHOR ROTEIRO – DOCUMENTÁRIO

Author: The JT LeRoy Story – escrito por Jeff Feuerzeig
Command and Control – escrito por Robert Kenner & Eric Schlosser/história de Brian Pearle & Kim Roberts
Zero Days – escrito por Alex Gibney

IMPRESSÕES

Deadpool aparece em Roteiro Adaptado e isso é muito surpreendente. Mas não é a primeira vez, já que em 2015 Guardiões da Galáxia também apareceu entre os indicados na mesma categoria – uma surpresa para uma produção do gênero –. Vale lembrar que Deadpool foi indicado também ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Filme (Comédia ou Musical) e Melhor Ator (Ryan Reynolds). A aparição do filme no Oscar é bastante incerta, mas, nunca se sabe. 

Moonlight e Loving, indicados a Roteiro Original, são considerados roteiros adaptados pela Academia. Os dois longas estão fortes na corrida, e o primeiro está bastante privilegiado, mas o segundo pode não aparecer na categoria.

Manchester à Beira-Mar, La La Land e A Qualquer Custo marcam presença certeira no Oscar em Roteiro Original. Ainda tem The Lobster, inelegível ao prêmio dos sindicatos, que continua firme e forte e pode surpreender. Sobra uma quinta indicação desocupada, que pode ser tanto a de Jackie quanto a de 20th Century Women ou, ainda – com quase nenhuma probabilidade – Até o Último Homem. Sem falar nos "esquecidos" Capitão Fantástico, Florence – Quem É Essa Mulher?, Miss Sloane, O Apartamento e Rules Don't Apply. A categoria está muito bem definida até agora, mas com fraca competitividade e altíssima previsibilidade (o favorito – há seculos – é Manchester à Beira-Mar). 

– Em Roteiro Adaptado, outra categoria muito bem definida, mas com chances de surpresa, temos no páreo um favorito elevadíssimo, A Chegada, competindo pau-a-pau com Animais Noturnos, o confuso e complexo thriller de Tom Ford, e Fences, um dos favoritos em atuação, mas que continua em off nas outras categorias. Estrelas Além do Tempo é um forte concorrente. Lion, o ausente, também tem chances de indicação. Com Deadpool na briga, um clima de incerteza pinta no ar, e o filme, aos poucos, garante seu lugar na próxima edição da estatueta.