quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

TOP 60 - FILMES QUE ASSISTI EM 2014


Além dos lançamentos, também teve muitos filmes que tive a chance de assistir em 2014. Sou um cinéfilo a pouco tempo, pouco mais de um ano. Tenho muitos filmes pela frente. 2014 também foi ano de assistir aos filmes já lançados, ou clássicos, dos quais eu sou um grande fã. Neste post, eu fiz quatro listas dos filmes que assisti em 2014, independente de gênero, país, ou ano:

FILMES REVISTOS

O Grande Ditador, de Charles Chaplin
Casablanca, de Michael Curtiz
Apenas Uma Vez, de John Carney
Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar
A Separação, de Asghar Farhadi
Oito e Meio, de Federico Fellini
Simplesmente Alice, de Woody Allen
O Diabo Veste Prada, de David Frankel
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry
Kill Bill - Vol. 1 & 2, de Quentin Tarantino
As Férias do Mr. Bean, de Steve Bendelack
Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman
Cantando na Chuva, de Gene Kelly & Stanley Donen
Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino
Casamento Grego, de Joel Zwick
Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick
Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen
Chicago, de Rob Marshall

FILMES VISTOS PELA PRIMEIRA VEZ

Chocolate, de Lasse Hallstrom
Dorminhoco, de Woody Allen
Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick
Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder
O Segredo de Vera Drake, de Mike Leigh
Melancolia, de Lars Von Trier
Moulin Rouge!, de Baz Luhrmann
O Aviador, de Martin Scorsese
Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman
A Garota Ideal, de Craig Gillespie
O Leitor, de Stephen Daldry
As Horas, de Stephen Daldry
A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen
Anticristo, de Lars Von Trier
O Segredo de Brockeback Moutain, de Ang Lee
Django Livre, de Quentin Tarantino
O Visitante, de Tom McCarthy
Babel, de Alejandro González Iñárritu
O Paciente Inglês, de Anthony Minghella
Amor, de Michael Haneke

CLÁSSICOS ASSISTIDOS

Através de um Espelho, de Ingmar Bergman
Se Meu Apartamento Falasse, de Billy Wilder
O Pianista, de Roman Polanski
A Cor Púrpura, de Steven Spielberg
E.T. - O Extraterrestre, de Steven Spielberg
Feitiço do Tempo, de Harold Ramis
O Show de Truman, de Peter Weir
Edward Mãos-de-Tesoura, de Tim Burton
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet
Mulheres á Beira de um Ataque de Nervos, de Pedro Almodóvar

ANIMAÇÕES ASSISTIDAS

Frankenweenie, de Tim Burton
A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki
Rango, de Gore Verbinski
Ratatouille, de Brad Bird
Persepolis, de Marjane Satrappi
Um Gato em Paris, de Alain Gagnol & Jean-Loup Felicioli
WALL-E, de Andrew Stanton
As Aventuras de Tintin, de Steven Spielberg
O Ilusionista, de Sylvain Chomet
Meu Vizinho Totoro, de Hayao Miyazaki

Os Melhores Filmes de 2014

2014 foi, e será um ano inesquecível, é claro, no cinema; Houve estreias importantes, filmes que conseguiram se aclamar mundialmente, e outros filmes que conseguiram ganhar minha atenção e uma posição nesta humilde lista. Em minha opinião, não há uma arte mais sensacional, uma arte que de tempos em tempos, inove sua magia redentora e traga consigo toda a força e a capacidade de mover. É por isso que eu amo tanto o cinema. Sua capacidade de mover, constantemente. A cada história, um novo mundo. A cada visão, uma nova jornada. Fazer essa lista não foi uma tarefa fácil. Nunca é. Nunca foi. Nunca será. Com certeza. Há uma imensa demanda de variedades dentro do universo cinematográfico. Eleger os melhores filmes de um determinado ano é sempre difícil. Tanto que nem sempre conseguimos reunir nossos melhores filmes no clássico top 10. Por isso, aqui estou eu, montando meu Top 15. Isso sem falar que ainda tem menção honrosa. E, que venha 2015!


15. Mesmo Se Nada Der Certo, de John Carney


14. Garota Exemplar, de David Fincher


13. Relatos Selvagens, de Damián Szifrón


12. Ninfomaníaca - Vol. 1 & 2, de Lars Von Trier


11. O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese


10. Sob a Pele, de Jonathan Glazer


9. Adeus à Linguagem, de Jean-Luc Godard


8. 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen


7. Ela, de Spike Jonze


6. Mais um Ano, de Mike Leigh


5. Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre & Luc Dardenne


4. Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki


3. Era Uma Vez em Nova York, de James Gray


2. Boyhood - Da Infância à Juventude, de Richard Linklater


1. O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson

MENÇÃO HONROSA
[em ordem de preferência]

• Ida, de Pawel Pawlikowski
• Cortinas Fechadas, de Jafar Panahi
• Inside Llewyn Davis, de Joel & Ethan Coen
Magia ao Luar, de Woody Allen
• O Abutre, de Dan Gilroy 
• O Passado, de Asghar Farhadi
• Bem-Vindo a Nova York, de Abel Ferrara 
• Trapaça, de David O. Russell
• Philomena, de Stephen Frears 
• A Imagem que Falta, de Rithy Panh 
• Amante à Domicílio, de John Turturro 

* Algumas das críticas dos filmes que ainda não foram lançados em circuito nacional podem demorar até serem lançadas no blog. As que ainda não estão disponíveis serão disponibilizadas em breve.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

TOP 5 - Os Piores Filmes de 2014



5. Sin City - A Dama Fatal, de Frank Miller & Robert Rodriguez


4. A Culpa é das Estrelas, de Josh Boone


3. À Procura, de Atom Egoyan


2. Homens, Mulheres e Filhos, de Jason Reitman


1. O Candidato Honesto, de Roberto Santucci

MENÇÕES DESONROSAS

O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann *
Êxodo: Deuses e Reis, de Ridley Scott
RoboCop, de José Padilha
Transformers: A Era da Extinção, de Michael Bay
300: A Ascensão do Império, de Noam Murro
Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola, de Seth MacFarlane
Sex Tape: Perdido na Nuvem, de Jake Kasdan
Debi e Lóide 2, de Bobby & Peter Farrelly
A Menina Que Roubava Livros, de Brian Percival
Transcendence - A Revolução, de Wally Pfister

* Lançado em 2013, visto apenas esse ano

Sin City - A Dama Fatal é realmente ruim, sendo otimista. Em 2005, até que deu pra engolir Sin City, mas dessa vez, Robert Rodriguez não convenceu tanto. Nem Frank Miller. Acho que Rodriguez tem que entender que nem todos são Tarantino, ou talvez nem todos possam construir obras com o significado das obras do grande mestre da verborragia e do sangue. Seus filmes apenas tentam imitar Tarantino, em uma versão mais grotesca, trash, porém, vamos admitir: seus filmes se baseiam em Tarantino, e isso pressiona o público ao chato e desagradável. Em Sin City - A Dama Fatal, a parceria de Robert e Frank fracassa, mesmo que o filme tenha recebido uma gigantesca promoção em Hollywood, e um elenco bem grande. Bem grande mesmo. Se Robert e Frank pegassem esse elenco e colocassem-o numa história um pouco menos abusiva de "quero ser um filme assistível a toda hora" (o que não é) e incluir um pouco mais de efusão. Sem os clichês impulsivos de Sin City, talvez, o elenco pudesse funcionar de uma maneira bem melhor, sem os desfalques anormais. Mas é assim. Não sei se Robert é inspirado, ou designado por Tarantino. Só sei que por muitas vezes atualmente, excedendo Machete, suas películas estão acompanhando elementos bem particulares do já mencionado diretor, só que de uma maneira completamente diferente. 

Desde o início, eu já previa que A Culpa é das Estrelas não funcionaria. É um fato simples, quase que uma maldição: toda adaptação cinematográfica de romances adolescentes não termina bem. Foi o que aconteceu aqui, e que já tinha acontecido em Querido JohnDiário de uma Paixão, e futuramente prevejo que ocorrerá com Cidades de Papel. Esses filmes apelam bem mais para o lado comercial do que o lado cinematográfico, além de quase sempre serem dramalhões de "blá, blá, blá" sem algo para preencher aquele vazio indômito da estranha covardia de seus protagonistas (resumindo: clichê). Em primeiro lugar: os atores principais são inexperientes. Sim, exatamente. Por falta de experiência, apenas cabe á esses atores os papeis mais rarefeitos ou vulneráveis a qualquer um que mendigar por uma performance que lhes dê consagração (repetindo, comercial). Shailenne Woodley, talvez, seja a única atriz que tenha participado de uma grande produção cinematográfica, em 2011, Os Descendentes, e que aqui, mesmo com  todo o efeito miserável das ocorrências, conseguiu garantir um lugarzinho. Quanto ao Elgort... C'mon guys, what the fuck is that!? Eu nunca tinha ouvido algo a respeito deste rapaz que vem aqui e surge com sua "beleza divina" para destruir todas as minhas expectativas que, conforme meu pensamento desenhou, o filme renderia aplausos assim como o livro!? 

Um dos maiores cineastas canadenses de todos os tempos, perdendo apenas para (possivelmente) Denys Arcand, Atom Egoyan já teve diversas obras-primas em seu currículo. Entre elas, a sua mais famosa é O Doce Amanhã, que trouxe ao diretor indicações ao Oscar e a fama internacional. De lá pra cá, os dramas de Egoyan perderam credibilidade. Muitos acreditavam que o diretor retornaria triunfantemente com Á Procura, principalmente pela performance de Ryan Reynolds. A esperança de ver uma obra-prima como O Doce Amanhã, com certeza, não se realizou em Á Procura. Em seu lançamento em Cannes, o longa de Egoyan recebeu críticas desoladoras. Realmente, Á Procura não é um filme tão bom. Abusa dos elementos, mas é decepcionante. 

Mais uma vez, Jason Reitman apostou numa história adolescente para conseguir aclamação, assim como aconteceu no (nem tão plausível) Juno. Apesar de ter gostado, a história de Juno não me pegou. Achei um pouco boba, na realidade, apesar de ter apreciado o roteiro revelação de Diablo Cody. A tentativa de copiar a grandiosa obra Juno não deu tão certo assim para Reitman em Homens, Mulheres e Filhos. Não sei. Há uma falta de conexão imensa entre seus personagens. Tramas mal resolvidas. É uma das histórias que facilmente seriam contadas em menor tempo da qual ela é narrada. Mas ninguém me escuta. Nem Reitman. Dessa vez, o filme nem tem Diablo Cody para salvar o roteiro, que é assinado pelo (nem tão experiente) Jason Reitman.

LUMIÈRE DE OURO 2014 - OS INDICADOS

LUMIÈRE DE OURO 2014

O blog Lumière & Companhia organiza especialmente o Lumière de Ouro 2014, que tem como objetivo premiar os melhores do ano. O ano de 2014 teve ótimos filmes, que com certeza tiveram um impacto cinematográfico. O ano termina, e consequentemente, a temporada de premiações do cinema se inicia. Bem, aqui vai os indicados desse ano ao Lumière de Ouro 2014:

NOTA. O anúncio dos vencedores será em 4 de janeiro de 2015!

MELHOR FILME 

Ela
Boyhood
O Grande Hotel Budapeste
Era Uma Vez em Nova York
Dois Dias, Uma Noite

MELHOR DIRETOR

Richard Linklater - Boyhood
Steve McQueen - 12 Anos de Escravidão
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
James Gray - Era Uma Vez em Nova York
Martin Scorsese - O Lobo de Wall Street

MELHOR ATOR

Chiwetel Ejiofor - 12 Anos de Escravidão
Ralph Fiennes - O Grande Hotel Budapeste
Oscar Isaac - Inside Llewyn Davis
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
Jake Gyllenhaal - O Abutre

MELHOR ATRIZ

Rosamund Pike - Garota Exemplar
Marion Cottilard - Era Uma Vez em Nova York e Dois Dias, Uma Noite
Judi Dench - Philomena
Scarlett Johansson - Sob a Pele
Isabelle Huppert - Uma Relação Delicada

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Willem Dafoe - O Grande Hotel Budapeste
Ethan Hawke - Boyhood
Joaquin Pheonix - Era Uma Vez em Nova York
Woody Allen - Amante à Domicílio
Michael Fassbender - 12 Anos de Escravidão

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette - Boyhood
Uma Thurman - Ninfomaníaca - Vol. I
Jacqueline Bisset - Bem-Vindo a Nova York
Erica Rivas - Relatos Selvagens
Lupita Nyong'o - 12 Anos de Escravidão

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Como Treinar o Seu Dragão 2
Os Boxtrolls
Vidas ao Vento 
Ernest & Celestine
O Congresso Futurista

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Boyhood
Ninfomaníaca (vols. I e II - sessão conjunta)
Relatos Selvagens
O Grande Hotel Budapeste
Dois Dias, Uma Noite

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

12 Anos de Escravidão
Sob a Pele
O Lobo de Wall Street
Garota Exemplar
A Pele de Vênus 

MELHOR ELENCO

O Grande Hotel Budapeste
12 Anos de Escravidão
Boyhood
O Lobo de Wall Street
Trapaça

MELHOR PERSONAGEM

Mason Evans Jr. - Boyhood
Mr. Gustave H. - O Grande Hotel Budapeste
Zero Moustafa - O Grande Hotel Budapeste
Jordan Belfort - O Lobo de Wall Street
Joe - Ninfomaníaca

MELHOR CANÇÃO

"Lost Stars"
Mesmo Se Nada Der Certo

"Hero"
Boyhood - Da Infância à Juventude

"Ordinary Love"
Mandela: Longo Caminho Para a Liberdade

"Let It Go"
Frozen: Uma Aventura Congelante

"Hal"
Amantes Eternos

MELHOR TRILHA SONORA

O Grande Hotel Budapeste
12 Anos de Escravidão
O Abutre
Garota Exemplar
Lucy

MELHOR FIGURINO

O Grande Hotel Budapeste
Era Uma Vez em Nova York
O Grande Gatsby
12 Anos de Escravidão
Inside Llewyn Davis

MELHOR FOTOGRAFIA

O Grande Hotel Budapeste
Era Uma Vez em Nova York
12 Anos de Escravidão
Sob a Pele
Inside Llewyn Davis

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Magia ao Luar
O Grande Gatsby
O Grande Hotel Budapeste
Era Uma Vez em Nova York
Caçadores de Obras-Primas

MELHOR MAQUIAGEM

A Bela e a Fera
Ida
12 Anos de Escravidão
O Grande Hotel Budapeste
Trapaça

MELHOR EDIÇÃO

12 Anos de Escravidão
Era Uma Vez em Nova York
Adeus à Linguagem
Boyhood
Garota Exemplar 

MELHOR SOM

12 Anos de Escravidão
Lucy
Sem Escalas
Vidas ao Vento
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

MELHOR FRASE 

"O momento te curte"
Boyhood

"Me venda esta caneta"
O Lobo de Wall Street

"Ora, senhor. Quem não gostaria? O Hotel Budapeste é uma instituição"
O Grande Hotel Budapeste

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Crítica: "O LEITOR" (2008) - ★★★★


Pela primeira vista, O Leitor pode parece uma obra fantasticamente suprema. Mas não é tanto, confesso. De fato, Stephen Daldry errou o ponto ao filmar a adaptação do romance alemão Der Vorleser, do escritor Bernhard Schlink. É claro, a performance de Kate Winslet não está incluída no fracasso crítico de O Leitor, que na minha opinião, é uma autêntica obra do cinema. Com a exceção de Ralph Fiennes, Kate Winslet e Lena Olin (em uma curtíssima aparição), o elenco deste filme é composto por atores alemães e/ou novatos. O elenco não é tão grande. O roteiro de David Hare não é tão "surpreendente", mas teve um rendimento excelente no desempenho de O Leitor. E sobre a direção de Stephen Daldry, dessa vez, eu concordo: a indicação ao Oscar de Daldry foi bastante exagerada, apesar dele ter dirigido o filme com coragem e talento. Existem apenas duas coisas que "salvaram" O Leitor: a performance extasiante de Kate Winslet (cuja não sabemos se é coadjuvante ou protagonista), e o roteiro magnânimo de David Hare (parceiro de longa-data de Daldry, desde a grandiosa obra-prima As Horas). 

Há pouco tempo atrás, me interessei por O Leitor. Um filme que fulminantemente despertou a minha atenção. Principalmente pela tão agraciada performance de Kate Winslet, que ganhou o (merecidíssmo) Oscar de Melhor Atriz em 2009, derrotando Meryl Streep e Anne Hathaway, as favoritas do ano. E concordo: o que realmente me surpreendeu em O Leitor foi a performance de Winslet, nunca vista. Nem mesmo em Titanic, ou Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Concordo que, aqui, ela deu o melhor dela a fim de poder oferecer ao filme um pouco de competência e magnanimidade.

Apesar de não chegar em duas horas de filme, O Leitor, pode cansar. Ele é terrivelmente demasiado. Este é mais um daqueles filmes que só devem ser vistos por quem entende de cinema e realmente tem visão para compreender e codificar os elementos. Caso contrário, se você não tem essa noção, é melhor nem assistir a O Leitor. Sim, é um filme demasiadamente demorado, dotado de uma imprevisível lentidão, além de ser um drama bem drama (dramalhão com toques dramáticos de um drama dramático, enfim: um drama muito dramático). Não é um drama conciliado à crises de choradeira, mas também não é um drama fraco. Neste quesito, O Leitor é um grande drama. Só desaponta em sua estrutura efusiva. O Leitor também pode ser considerado a "grande surpresa do ano de 2008" (em relação á temporada de premiações, é claro). O drama foi ignorado em diversas premiações, e sua súbita aparição em cinco categorias no Oscar (incluindo Melhor Filme) foi de um impacto imenso, porém, não deixou de ser merecida. Em minha opinião, o único erro foi indicar Stephen Daldry, que por sua vez, merecia mais ser indicado em Direção por um de seus mais recentes filmes, Tão Forte e Tão Perto. Se fosse para indicar ao Oscar, David Kross, a revelação da película, merecia uma indicação a Melhor Ator Coadjuvante. Ralph Fiennes, apesar do curto desempenho, também poderia estrelar a categoria. A trilha sonora, conduzida por Nico Muhly, também poderia garantir um espaço na premiação. Em relação á Kate Winslet, tudo o que posso afirmar é que sua performance desbravadora como a desolada e culpada Hanna Schmitz foi o que inteiramente salvou o filme. Completamente. 

A satisfação de assistir á O Leitor foi Kate Winslet, felizmente, e um pouco, da direção de Daldry. Apesar de ter merecido uma indicação por Foi Apenas um Sonho, aqui, a atriz também está formalmente excelente. Apenas um erro da Academia desviou sua chance de levar dois Oscars. A atriz, originalmente, deveria ser indicada em Melhor Atriz Coadjuvante por O Leitor, porém, os produtores decidirão substituir Foi Apenas um Sonho, candidatando-a em Melhor Atriz Principal, o que foi um erro desconcertante. Mesmo se indicada em Atriz Coadjuvante, e vencendo, Kate também seria indicada (e em minha opinião, venceria) por Foi Apenas um Sonho. No final, O Leitor, apesar de não ser nem um pouco parecido ás minhas expectativas, foi bom, parcialmente. Para ser sincero, Kate Winslet foi o melhor de tudo em O Leitor, um drama histórico que repete uma fórmula, mas mantém a originalidade de uma comovente e realista obra do cinema.

O Leitor (The Reader)
dir. Stephen Daldry - 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Crítica: "AS HORAS" (2002) - ★★★★★


O que mais me fascinou em As Horas é como os detalhes são meticulosamente cuidados por Stephen Daldry, um diretor metódicamente fantástico, cujo trabalho admiro desde Billy Elliot. Apesar de poucos filmes em sua filmografia, Daldry se consagra no universo cinematográfico como um dos maiores diretores do cinema contemporâneo. E As Horas, em minha completa opinião, é seu melhor filme. Protagonizado por um elenco de alta escala, a história avança os mais diferentes ângulos, observa cada personagem de uma maneira arrebatadora. Fiquei sem palavras diante dessa magnânima obra-prima. 

No ano de 2002, outro filme semelhante á As Horas foi lançado. De Almodóvar, Fale com Ela me comoveu substancialmente. Ambos tratam de histórias que acompanham um determinado número de personagens e o desenvolvimento de suas vidas conforme os acontecimentos. Assim ocorre com As Horas. Três mulheres distintas, de diferentes épocas, relacionadas ao clássico romance inglês de Virginia Woolf (também personagem no filme) Mrs. Dalloway. Anos 20. Virginia Woolf, escritora depressiva e melancólica, descontente com sua doença, escreve Mrs. Dalloway. 1951. Laura Brown, dona de casa indecisa sobre sua vida e a família, lê Mrs. Dalloway. Tempos atuais. Clarissa Vaughan, editora de livros conceituada, cuida de um escritor renomado, também seu ex-amante com AIDS. Clarrisa Vaughan vive Mrs. Dalloway. Há uma grande relação entre essas três mulheres. Cada momento reflete, suas vidas são um espelho aberto. Ambas enfrentam as mesmas situações, de diferentes pontos de vista. É assim que Daldry conduz essa jornada espirituosa e emocionante.

A cada novo passo, algo é interrompido. Algo é inventado. Algo acontece. Algo desaparece. A trama de As Horas não gira em torno de apenas um núcleo, mas sim, de núcleos. A trilha sonora, por Philip Glass, autêntica e maravilhosa, dá vida a As Horas. O elenco, indescritível. É claro, em destaque as performances totalmente desoladoras de Nicole Kidman (vencedora do Oscar por uma performance absolutamente impecável), Meryl Streep (atuando fielmente no papel de Clarissa Vaughan) e Julianne Moore (um destaque insubstituível). As três atuam formidavelmente no conflito da trama do filme. O roteiro de David Hare, profundo e marcante. A adaptação do romance de Michael Cunningham (vencedor do Prêmio Pulitzer por este trabalho) é ótima e perfeccionista, realmente, uma obra original e compulsivamente complexa. O filme mantém a fidelidade á obra de Cunningham, e constrói uma memorável película, quão simbólica. Um retrato nunca visto, profundo, que embarca na inspiração dramática de Bergman. As Horas é uma obra-prima belíssima. Um retrato poético e realista da ação do tempo e do ciclo da vida, recheada de uma rara sensibilidade, e uma notória importância cinematográfica.

As Horas (The Hours)
dir. Stephen Daldry - 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Crítica: "IDA" (2014) - ★★★★★


Ao assistir Ida, assisto a uma obra-prima singular do cinema contemporâneo. Não por apenas ser um retrato épico e raramente visto nos últimos tempos, mas por abordar de maneira tão realista e marcante a vida e o cotidiano de uma adolescente de 18 anos, vivendo num convento, e prestes a se tornar uma freira. A madre a obriga a visitar sua única familiar, a tia Wanda. E assim, nossa protagonista inicia uma jornada longa e intensa ao lado da tia, uma juíza temperamental e de meia-idade, que apenas quer viver a vida. O encontro de Ida e sua tia Wanda é algo bem diferente de tudo já visto. Ambas, vivendo em diferentes mundo, tomam a difícil iniciativa de se adaptarem ás condições necessárias para ter uma boa relação.

Filmado em plenos anos 60, Ida é uma história pouco usual, para ser sincero. O drama polonês é exigente, mas ao mesmo tempo, suave. Performances arrebatadoras, e revelações extraordinárias, assim como a jovem interprete de Ida, Agata Trzebuchowska, que também é o grande destaque do filme. Wanda começa a procurar pelo passado de Ida, cuja se atendia por Anna, começando pela morte de seus pais durante a Segunda Guerra Mundial, e no decorrer dessa viagem, as duas percebem que têm algo em comum. Algo a mais do que simplesmente os laços familiares e todas as diferenças que tanto as separam. Há uma conexão especial entre Ida e Wanda. Um selo. Algo que o filme exibe perfeitamente. A trama cuida afavelmente dessa relação humana tão própria entre essas duas mulheres, algo que particularmente, me emocionou em demasia. Ao longo de tal sentimento, me recordei desconhecidamente do clássico polonês, Faca na Água, de Polanski, mesmo sem ter nenhuma possível coincidência em relação á Ida. Percebendo isso, me senti mais confortável e seguro ao ter associado os dois filmes.

Porém, esta grande película, narrada em tão curtos 78 minutos, não se desenvolve apenas em sua história. Seu objetivo é bem maior e mais ambicioso. Por ser uma obra tão independente de efeitos artificiais, Ida consegue convencer o público utilizando pequenos recursos. Recursos que não são tão caros, mas são recursos á altura deste filme. A fotografia preto-e-branco a torna mais viva, e acho que isso foi o que mais me fascinou. Pelo menos, é o que eu realmente acho do filme. Foi uma das obras que mais me agradaram esse ano. Nem mesmo Garota Exemplar, Interstellar ou outros filmes grandiosos tiveram o mesmo impacto deste. 

Um filme sentimental, lento, que busca refletir nas cenas minuciosas do trabalho impecável e árduo que foi fazê-lo, com tanto carinho e esmero. Um retrato absoluto dos limites entre a religião e a sociedade, e as divergências entre estes dois mundos tão próximos, com as mesmas necessidades e as mesmas intenções. Há certos momentos em que nossa protagonista silenciosa reflete sobre essa divergência, e então, percebe sua necessidade de observar o mundo ao redor. Ao final de Ida, a personagem principal, num devaneio surpreendente, se rende aos luxos abstratos que a rodeiam no presente, enquanto ainda tem dúvidas sobre sua religião e seu futuro dentro dela, como freira. Todos nós temos algum tipo de dúvida. Independente das mais diferentes precisões, a dúvida é existente, e persistente. Acredito que esse seja a principal mensagem do filme. Ida realmente me impressionou. Uma obra-prima inteligente, filosófica e belíssima, que busca analisar a vida dos mais diferentes ângulos, das mais diversas posições, dentro desta jornada tão universal, tão viva, tão plausível. Mostra que é preciso aceitar as diferenças para aceitar a vida, dentro das  nossas duas protagonistas: Ida e Wanda. Sem medo, afirmo: um dos melhores filmes produzidos este ano. Pawel Pawlikowski filma uma grandiosa película, e que consagra sua talentosa maturidade cinematográfica. E declaro: a obra mais profunda feita esse ano. Não necessita de tantos artifícios para provocar a solene poesia visual que é.

Ida
dir. Pawel Pawlikowski -