terça-feira, 7 de novembro de 2017

Indicados ao European Film Awards 2017


melhor filme

BPM (Beats per Minute)
Loveless 
On Body and Soul
The Other Side of Hope
The Square

melhor diretor

Ildiko Enyedi – On Body and Soul
Aki Kaurismaki – The Other Side of Hope
Yorgos Lanthimos – The Killing of a Sacred Deer
Ruben Ostlund – The Square
Andrey Zvyagintsev – Loveless

melhor ator

Claes Bang – The Square
Colin Farrell – The Killing of a Sacred Deer
Josef Hader – Farewell to Europe
Nahuel Pérez Biscayart – BPM (Beats per Minute)
Jean-Louis Trintignant – Happy End

melhor atriz

Paula Beer – Frantz
Juliette Binoche – Bright Sunshine In
Alexandra Borbely – On Body and Soul
Isabelle Huppert – Happy End
Florence Pugh – Lady Macbeth

melhor roteiro

Ildiko Enyedi – On Body and Soul
Yorgos Lanthimos and Efthimis Filippou – The Killing of a Sacred Deer
Ruben Ostlund – The Square
Oleg Negin and Andrey Zvyagintsev – Loveless
François Ozon – Frantz

melhor documentário

Austerlitz
Communion
La Chana
Stranger in Paradise
The Good Postman

melhor filme de animação

Ethel & Ernest
Louise by the Shore
Loving Vincent
Zombillenium

melhor comédia 

King of The Belgians
The Square
Vincent and The End of The World
Welcome to Germany

impressões

European Film Awards – o Oscar do cinema europeu – já anunciou suas indicações para este ano. Com cinco indicações, The Square (vencedor da Palma de Ouro) desponta como um dos favoritos do prêmio. Surpresa ao ver o nome de Isabelle Huppert na categoria de melhor atriz pelo segundo ano consecutivo, desta vez por Happy End (que também garantiu a Jean-Louis Trintignant uma indicação em ator). Com a awards season chegando, me parece que Huppert e Trintignant ainda tem chances de entrar nas categorias de atuação. Juliette Binoche também está indicada, por Bright Sunshine In, da cineasta Claire Denis (e me parece que ela é quem vai ganhar). Na categoria, também temos Florence Pugh por Lady Macbeth, Paula Beer por Frantz e Alexandra Borbely por On Body and Soul. Estranha ausência de Diane Kruger, que estava tão cotada, na categoria. E – para lembrar – nas últimas cinco edições do prêmio pelo menos 1 indicada também apareceu no Oscar em melhor atriz. Este ano, as chances são fortes, eu diria pelo menos para Huppert/Pugh, de entrarem na lista. Binoche também despontaria, caso o filme tivesse uma distribuição decente.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CRAZY HORSE (2011)


Meu primeiro filme de Frederick Wiseman. Que experiência! E pensar que eu só fui descobrir a filmografia do diretor agora, em pleno (quase) final de 2017, com essa maravilhosa, fascinante obra que é Crazy Horse. Um dos documentaristas mais aclamados, Wiseman, com mais de cinquenta anos de carreira, produziu muitos trabalhos independentes e infelizmente sua filmografia ainda é pouquíssimo conhecida e difundida, o que é uma lástima, porque ele está provando ser um dos mais ativos e íntegros cineastas do chamado gênero documental. Ativíssimo aos 87 anos, lançando em média um documentário por ano, Wiseman está aí para provar o que o cinema pode nos oferecer de melhor, com todas as suas possibilidades e experimentações.

O documental aqui pode ser chamado de cinema natural, tamanha é a naturalidade que transcorre pelo filme em suas duas horas, não necessariamente espontâneo, mas preciso e que se desenrola de maneira bastante expansiva. A ousadia aqui também é uma palavra que recorre – não por acaso, 90% do filme é composto de cenas de mulheres nuas dançando no Crazy Horse, uma badalada casa noturna de Paris, famosíssima e luxuosa, onde ocorrem apresentações de dançarinas que ousam com as mais criativas e inventivas performances. Essa exposição tão frontal da nudez pode até surpreender a quem não estiver esperando uma explosão de ousadia, mas é, por incrível que pareça, um elemento que acaba transcorrendo no filme da forma mais natural do mundo, a observação (e o ritmo) acabam gerando uma espécie de admiração, de contemplamento, não necessariamente erótico, mas sim visual, da nudez. 

É sobretudo a performance que dá o gostinho ao filme, que tempera ela. Essa obsessão, digamos, pela performance, por sua completude. Wiseman sabe filmar muito bem isso, com o olhar de poucos. Aliás, trata-se de um filme interessantíssimo principalmente pelo mecanismo com que trabalha esse olhar para a performance. É delicioso, instigante, curioso e ao mesmo tempo um espetáculo fascinante. As danças, as músicas, o ato de filmar a nudez como uma incógnita do desejo, uma performática alucinada que leva aos extremos da diversão, da expressão artística e da observação. 

Acho que não tem uma cena no filme que eu não goste, todas são imensamente interessantes e ricas, cada uma melhor que a outra. É como se cada pedacinho do filme fosse de extrema importância para a construção completa de uma obra-prima. Isso acontece da maneira mais deliciosa, sob as lentes de Wiseman, que filma toda aquela alegoria, aquele espetáculo vivo de cores e emoções, cintilantes e vigorosos, com uma expressividade magnífica. 

Crazy Horse
dir. Frederick Wiseman
★★★★★

domingo, 29 de outubro de 2017

THE MEYEROWITZ STORIES (2017)


Noah Baumbach está de volta, felizmente com um de seus trabalhos mais satisfatórios. The Meyerowitz Stories, filme que em Cannes esse ano se envolveu na polêmica da Netflix, ao lado de Okja na competição do festival por terem sido distribuídos (e produzidos) pela empresa de streaming. Foi um falatório geral, e nem o presidente do júri, Pedro Almodóvar, quis saber de "premiar filmes que não pudessem ser assistidos no cinema", o que causou a maior confusão, e por aí vai. Foi decidido que nenhum filme produzido para streaming seria exibido mais na mostra competitiva de Cannes, agora é regra. Pode ser frescura? Talvez. Fato é que ambos Okja e The Meyerowitz Stories são – até agora – os melhores filmes de Cannes 2017.

Baumbach está em seu habitual estado de sempre: as relações humanas, o estudo das personagens sempre inquietas e insatisfeitas, brigas de família, reconciliações, muitos diálogos. É também esse um dos filmes do diretor que mais lembra Woody Allen, não creio que essa comparação seja de todo ruim (como muita gente andou dizendo) mas há uma parcela de acertos aqui que lembram o melhor do cinema do nosso nova-iorquino.

A começar pelo elenco, incrível, liderado pela performance de um Adam Sandler irretocável, no seu melhor papel desde Embriagado de Amor, é verdade! Até dizem que ele pode ser indicado ao Oscar, e seria muito justo, aliás. Logo em seguida, Dustin Hoffman surpreende na pele de um pai artista que está passando por uma situação complicada com a aproximação dos filhos e as feridas do passado da família. Emma Thompson rouba a cena diversas vezes, com sua personagem meio perdida, quase uma doidinha. Ben Stiller está formidável. Elizabeth Marvel, apesar de aparecer pouco, tem seus momentos bons.

É um dos trabalhos mais humanos de Baumbach, essa exploração meio cômica de uma crise familiar e das relações entre pais e filhos, é até meio surpreendente que entre uma tonalidade dramática bem discretamente, mas que suaviza o retrato e até permite um olhar mais carinhoso para a história e os personagens. 

A já rotineira leveza dos diálogos, das discussões despretensiosas, dos pequenos detalhes que podem ser encontrados, é no retrato de uma família imperfeita recolhendo seus cacos, e aprendendo a superar os problemas e as mágoas. A fotografia está nos trinques: há cenas em que o azul é utilizado lindamente, não podia deixar passar. Baumbach capricha nesse filme que tem um gosto bem mais sentimental do que seus outros filmes, é nesse sentimento que a gente encontra um alento para o conflito que está sendo retratado. Pode-se até dizer que é um filme otimista, nesse sentido, esperançoso. 

The Meyerowitz Stories (New and Selected)
dir. Noah Baumbach
★★★★

O ORNITÓLOGO (2016)


Talvez seja um filme mais curioso do que propriamente explicativo. Cria mais perguntas do que respostas, e isso não é necessariamente um problema para o espectador, como se cada enigma devesse ser respondido ali na hora. O Ornitólogo surge como um dos filmes mais fascinantes do cinema português recente, é destaque também seu diretor, João Pedro Rodrigues, ao "traduzir" para os tempos atuais a história de Santo Antônio, com o ator Paul Hamy interpretando um cara que está numa floresta estudando pássaros e acaba atravessando várias desventuras no caminho, se encontrando com duas mulheres orientais "sinistras" que o aprisionam, e também um estranho ritual que acontece ali naquele lugar. Não é exatamente um filme bizarro de se assistir, mas sim curioso, de uma curiosidade bastante energética, como se isso fosse o motor da trama, criar um certo interesse do público naquelas situações tão desnorteantes.

Se o cinema pode ser um veículo para essa "atração" entre o que é mostrado e a quem está sendo mostrado, toda essa intervenção, toda a relação que existe nesse meio, é uma proporção muito conveniente de estabelecer fixações, de criar relações entre filme e público, e nesse quesito João Pedro Rodrigues cria uma obra quase que fundamental nessa síntese, na complexidade desse relacionamento e do que pode surgir dele.

Pasolini está presente aqui, acho que não é segredo pra quem conhece o trabalho do diretor, e isso só torna a reforçar essa ideia de que a imagem contém uma sensualidade escondida, basta o próprio espectador adentrar o filme e redescobrir isso. O Ornitólogo, aliás, pode até não ter uma trama. Personagens que se encontram, situações esquisitas, figuras ainda mais esquisitas, é como se isso fosse o alimento da trama, o personagem principal caindo nessas armadilhas do destino. 

A belíssima fotografia em scope não exatamente agrada por uma certa beleza, mas pelos ângulos inventivos, inusitados, pela captura das cenas, pelos enquadramentos ainda mais contundentes e alucinantes. Há, é claro, pitadas de comédia no meio de um suspense tão agridoce e ao mesmo tempo, desconhecido. Paul Hamy está fabuloso. A temática homossexual também entra aqui de uma maneira muito mais inesperada, para a surpresa e o deliciamento do espectador, com toques de sensualidade extremamente sólidos. A cena final, ao som de António Variações, é provavelmente a melhor sequência de encerramento do ano de 2016. 

tu estás livre e eu estou livre
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos

tu estás só e eu mais só estou
tu que tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta

vem que amor
não é o tempo
nem é o tempo
que o faz
vem que amor
é o momento
em que eu me dou
em que te dás

tu que buscas companhia
e eu que busco quem quiser
ser o fim desta energia
ser um corpo de prazer
ser o fim de mais um dia

tu continuas à espera
do melhor que já não vem
e a esperança foi encontrada
antes de ti por alguém
e eu sou melhor que nada

O Ornitólogo
dir. João Pedro Rodrigues
★★★★

sábado, 28 de outubro de 2017

O AMANTE DUPLO (2017)


Acho que nunca tinha me decepcionado antes com um filme de François Ozon. Foi a primeira vez. O Amante Duplo é o mais novo trabalho do francês, competiu pela Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes, recebeu o prestígio da crítica (quase não vi ninguém falando mal, aliás). Trata-se de um filme tentador, é até interessante no começo, mas o filme passa de interessante para quase insuportável numa rapidez absurda. 

Existem três ou quatro momentos realmente dignos de nota, e ainda sim dizer isso é um tanto exagerado. A execução destrambelhada e a constante evocação de uma atmosfera artificial estão entre os mais gritantes deslizes do thriller, para não mencionar que existe muito humor involuntário entre um escorregão e outro. No máximo mesmo, o destaque aqui é a curta participação de uma enigmática Jacqueline Bisset (coisa que dura questão de poucas cenas), uma grande atriz que está sendo subvalorizada em suas aparições mais recentes no cinema (uma lástima) e que até mesmo numa ponta como essas consegue evocar um mínimo de atenção. 

Marine Vacth interpreta uma jovem mulher que procura a assistência de um psicólogo para tratar de dores que sofre e que crê serem psicológicas. Logo, no que aparenta ser a cura da mulher, ela e o psicólogo se aproximam e iniciam uma relação juntos. Só que ela acaba descobrindo que o homem tem um irmão gêmeo (também psicólogo) que é o completo inverso dele, um sujeito arrogante, que a maltrata e despreza, enquanto ao mesmo tempo nutre um desejo irascível, carnal por ela. 

Ozon imprime nas cenas de sexo o expressivo ardor que já é comunal aos seus filmes, mas falta algo que o torne realmente o que ele quer apenas com o que é posto aqui, e não dá conta dessa expectativa. Por mais bem filmado, fotografado, editado... O Amante Duplo é falho. São percebíveis as influências de De Palma e Cronenberg tanto no suspense quanto na estética, mas isso também tem sua parcela de desacertos, de incômodos. Tanto se cria, tanto se investe no erotismo cru do filme, e se extrai muito pouco de toda essa ação circunstancial, de uma história que se preocupa demais com essa constante emulação, em fazê-la funcionar, e acaba por não concluir isso.

Há um quê de erótico sim, há cenas impressionantes, como eu já disse. Mas aqui isso não se sustenta por muito tempo. Talvez seja um filme para ser visto no cinema, onde há valorização de fotografia, de elementos visuais e a estrutura distorcida, mas não sei se a experiência decepcionante sofreria mudanças, ou seria diferente do que foi. Realmente não sei dizer. 

O Amante Duplo (L'Amant Double)
dir. François Ozon
★★

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

MARJORIE PRIME (2017)


Eis um filme que promete pegar muita gente de surpresa, especialmente na temporada de premiações que está por vir, com alguns prêmios praticamente garantidos para a veterana Lois Smith (em performance arrebatadora), Jon Hamm, Geena Davis e Tim Robbins – o quarteto fantástico de Marjorie Prime. No filme, hologramas trazem de volta à vida as imagens de entes queridos e reavivam a memória com suas presenças. Há um jogo de interpretações que raramente se vê fluir com tamanha flexibilidade, de uma firmeza irreparável. Se deve muito à direção de Almereyda, mas há de se notar que o elenco domina uma dinâmica totalmente própria, um jogo muito particular que se desdobra no mesmo ritmo que a trama passa a reconcentrar suas camadas mais ínfimas. 

A fotografia é também de uma elaboração minimalista e pra lá de aguçada (Sean Price Williams, direção de fotografia), cuja riqueza é mais que complemento à complexidade metafísica do filme, mas um alento que procura acompanhar em sintonia as configurações da narrativa. Pode-se dizer que trata-de se um filme teatral (pra mim não há problema em um filme que emula uma certa teatralidade, embora eu creio que aqui não seja o caso, mas pra mim isso pode ser visto como um elemento de grande porte dramático, dependendo da situação, é claro) embora o que exista de mais cinematográfico em Marjorie Prime seja justamente esse comportamento do elenco que é tão caro às principalidades da trama e, centralmente, da maneira como o filme trabalha sua riquíssima disposição cênica, e subsequentemente a detalhista construção espacial. 

É também de cortar o coração que um filme como esse abarque tamanhas verdades – chega a ser até melancólico assistir – observar que o tempo esvanece e com ele uma cadência de transformações, desaparecimentos e urgências preenchem as lacunas da percepção humana, faz-se necessária a busca por uma presença, ainda que artificial, quando descobre-se que depois da ausência o que surge é o temer pelo esquecimento. A ausência é o ponto final, e ao mesmo tempo ponto de partida para uma cobrança nostálgica, um sentimento de reaproximação e natural redescoberta. É essa ilusão – a ilusão da artificialidade das substituições e do transbordar humano das presenças – que o filme questiona e explora. 

Poucos filmes recentes foram tão verdadeiros, tão melancólicos e profundos como Marjorie Prime. Vai diretamente no seu ponto para dissecar a ação do tempo sobre seus personagens e na existência humana, bem como na nostalgia. Direção incrível, mais uma vez, de Michael Almereyda. Sobressai-se um elenco de ouro, formado centralmente por quatro dos mais talentosos atores americanos trabalhando hoje (e provavelmente deve vir um Oscar – ou algo do gênero, pelo menos – para Lois Smith). 

Marjorie Prime
dir. Michael Almereyda
★★★★

domingo, 22 de outubro de 2017

MANIFESTO (2015)


É num filme como Manifesto que a gente começa a refletir sobre como a presença de um determinado intérprete em cena pode fazer toda a diferença, em diferentes aspectos, no que diz respeito à construção de um trabalho cinematográfico. É aí que entra a gigante Cate Blanchett, que já provou (várias vezes, inclusive) que é uma das maiores atrizes dos nossos tempos, em um de seus papéis mais emblemáticos e curiosos no cinema. Neste filme, que sem sombra de dúvida é um achado na filmografia da australiana, ela alterna entre diferentes personagens numa alegoria que questiona os valores, os fundamentos e princípios da arte na vida humana, na história e na filosofia. Projetado inicialmente como uma instalação (que não chegou a vir para o Brasil) e depois "traduzido" para a linguagem de cinema, Manifesto é um desses filmes bizarros que acabam pegando a gente pela sua iminente estranheza e cativante interação com o espectador, e por isso mesmo não deixa de ser uma experiência no mínimo inovadora e quase chocante até pra quem está do lado de cá da tela. 

Blanchett figura nas treze esquetes deste projeto vivendo personificações distintas em monólogos riquíssimos e repletos de questionamentos à arte em si, envolvendo famosos manifestos de artistas, filósofos e pensadores aclamados. A alternância pode surpreender pelas pitadas inesperadas de humor, pela bizarrice frontal ou pela exuberância da atuação, fato é que, por mais irregular que seja, Manifesto consegue conspirar sua atmosfera em torno de Blanchett de uma maneira que raramente se viu, e é por isso mesmo que vale dizer que vale a pena conferi-lo justamente pela presença dela, num de seus momentos mais inspirados e tentadores e que é prato cheio pra quem acompanha ela há algum tempo e nutre uma certa admiração por seu talento. 

Sim, o filme é interessante, tem um quê bem mais experimental do que propriamente narrativo, mas não há como deixar passar que existe aqui uma pretensão em dar conta de um conteúdo extensíssimo e muito variado, repleto de referências, códigos e contextos próprios, que vão se atropelando para dar lugar a outros. Há um discurso bastante rico sobre a arte, mas é imaginável (e o filme deixa isso claro) que é um trabalho bem mais compatível à uma instalação artística do que um longa-metragem em si. Ainda sim, é notável que Blanchett esteja numa de suas performances mais celebráveis e talentosas, com suas mil faces, transformações fascinantes que já dão motivo de sobra pra valer uma conferida. 

Manifesto
dir. Julian Rosefeldt
★★★