Phil Spector (2013)
Lançado como telefilme, Phil Spector, de David Mamet, documenta o controverso caso judicial envolvendo o aclamado produtor de música Phil Spector. Considerado uma lenda do meio musical, Spector produziu trabalhos de ninguém mais e ninguém menos que os Beatles, Ike & Tina Turner, as Ronettes, os Ramones, e Leonard Cohen. O longa aborda os bastidores processuais dos escândalos envolvendo celebridades de Hollywood, com cenas do advogado fixer (Jefrrey Tambor) andando freneticamente pelo escritório atrás de informações, e a burocracia legal em que essa galera com bastante dinheiro se mete. No caso, o foco do filme é o polêmico assassinato de Lana Clarkson, morta na mansão de Spector em 2003, em um caso marcado por lacunas e contradições. O ponto alto do filme são as atuações ótimas de Al Pacino (como Spector) e Helen Mirren, que interpreta Linda, advogada de Phil. O filme se divide entre as cenas que mostram os diálogos entre Phil e Linda, no qual os dois reconstroem a noite do crime, e ele se defende das acusações de ter causado o assassinato de propósito, e flashbacks que exibem comportamentos extremos do produtor, como quando ele está em uma sessão de gravação, invade a cabine, começa a xingar os integrantes da banda e atira para cima. Aliás, a paixão dele por armas gera um debate interessante em uma das cenas.
No mais, trata-se de um retrato curioso do que acontece por trás das cortinas em Hollywood, e em como a indústria tem todo um aparato de public relations para lidar com ocorrências de violência, algo que notadamente sempre gera muita controvérsia, já que no geral todos esses casos judiciais são seguidos de um grande escrutínio por parte do público e da grande mídia.
Angel-A (2005)
Dirigido por Luc Besson, Angel-A traz Jamel Debbouze (dos ótimos Dias de Glória e Fora-da-Lei) como André, um homem entupido de dívidas, que começa a ser perseguido por agiotas determinados a fazê-lo pagar de um jeito ou de outro. Desesperado, ele começa a considerar se matar, quando encontra uma mulher na ponte, com o mesmo objetivo que ele, o que o faz repensar a atitude e recuar. Daí em diante, o filme acompanha essas duas figuras, de André e Angel-A (a modelo Rie Rasmussen), enquanto transitam por Paris em busca de oportunidades e de respostas para suas angústias pessoais e financeiras. André começa a agir quase como um cafetão da mulher, embora em todas as ocasiões ela sempre consiga se safar sem precisar se prostituir, algo do que ele duvida. Mais tarde, vemos que ela o revela em um café que na verdade é um anjo enviado em uma missão na Terra para ajudá-lo. Apesar de alguns momentos mais mornos, Angel-A em geral tem algumas sequências profundas, como quando Angel-A e André estão na frente do espelho, e ela o confronta sobre sua falta de auto-estima e auto-respeito, que o conduziram até aquela situação sórdida de dívidas e empobrecimento. Em muitas cenas o filme é capaz de provocar a identificação do espectador, que muitas vezes pode se encontrar em situações parecidas, ao lidar com as desventuras da falta de dinheiro, e as tensões da vida moderna, que empurram as pessoas até o limite. Tornou-se um dos meus favoritos de Luc Besson.
Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967)
Da longa franquia de filmes do James Bond, talvez esse seja o que menos me entusiasmou. E olha que em geral eu tenho apreço até mesmo por filmes tidos como menos inspirados da saga, como Quantum of Solace, da fase de Daniel Craig. A parte da franquia protagonizada pelo escocês Sean Connery é, no geral, impagável. Lembro de ter ficado bastante satisfeito com Dr. No e 007 Contra Moscou, ambos vistos em 2016, e recentemente, em março, fiquei contente de ter visto 007 Contra a Chantagem Atômica, um espetáculo. Neste aqui, parece que boa parte das sequências de ação ficam reservadas para mostrar o agente interagindo com invenções, e acho que o filme perde um pouco do fôlego por conta desse foco excessivo nas máquinas. Na trama, 007 viaja até o Japão para acessar segredos de espionagem em uma multinacional, que estão ligados à rede terrorista Spectre. É destaque, no entanto, a canção-tema do longa, interpretada suntuosamente por Nancy Sinatra.



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