Em um dos diálogos mais emblemáticos do filme, Aubrey (Russell Crowe) entra em atrito com Maturin (Paul Bettany), a respeito do propósito da missão militar em que estão, durante o qual Aubrey diz que "não há tempo para hobbies", desencorajando o cirurgião a se dedicar unicamente a seus estudos sobre biologia diante da urgência fatal da ameaça bélica imposta pela França. Apesar do aparente abraço militarista feito pelo filme, o retrato da brutalidade da navegação em que os ingleses lutaram contra as tropas de Napoleão, no início do século 19, parece mais soar um alarme premonitório sobre as consequências nefastas da guerra. Mais tarde, o cirurgião é atingido por um tiro, acidentalmente, por alguém de dentro da própria tripulação, o que reforça o complexo dilema de que os efeitos catastróficos da guerra são se limitam ao antagonismo do campo de batalha. Simultaneamente, o longa faz uma demonstração da coragem e entrega daqueles homens, que colocaram tudo a perder em nome da pátria, e uma espécie de companheirismo que nasceu entre eles naquele cenário de destruição, incerteza e precariedade, com soldados-meninos precisando se comportar como homens, enquanto eram transformados duramente pela violência do embate. Dito isso, é um exemplar muito competente do gênero, tecnicamente impecável e marcado por atuações brilhantes de Crowe e Bettany. Seguramente é um dos grandes trabalhos do australiano Peter Weir.

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