Lançado como telefilme, Phil Spector, de David Mamet, documenta o controverso caso judicial envolvendo o aclamado produtor de música Phil Spector. Considerado uma lenda do meio musical, Spector produziu trabalhos de ninguém mais e ninguém menos que os Beatles, Ike & Tina Turner, as Ronettes, os Ramones, e Leonard Cohen. O longa aborda os bastidores processuais do escândalo, com cenas do advogado fixer (Jefrrey Tambor) andando freneticamente pelo escritório atrás de informações, e a burocracia legal em que essa galera com bastante dinheiro se mete quando algo sai da linha.
No caso, o foco do filme é o assassinato de Lana Clarkson, morta na mansão de Spector em 2003. O caso foi marcado por lacunas e contradições, em que contestou-se que Phil teria sido autor do disparo que vitimou a atriz. O ponto alto do filme são as atuações ótimas de Al Pacino (como Spector) e Helen Mirren, que interpreta Linda, advogada do produtor musical. O filme se divide entre cenas que mostram os diálogos entre Phil e Linda, no qual os dois reconstroem a noite do crime, e ele se defende das acusações de ter causado o assassinato de propósito. Alguns flashbacks exibem comportamentos extremos do produtor, como quando ele está em uma sessão de gravação, invade a cabine, começa a xingar os integrantes da banda e atira para o alto. Aliás, o apreço dele por armas (chegando inclusive a ser um colecionador delas) gera um debate interessante em uma das cenas.
No mais, trata-se de um retrato curioso do que acontece por trás das cortinas em Hollywood, e em como a indústria tem todo um aparato de public relations e agentes legais mobilizados para lidar com escândalos envolvendo a vida pessoal dos artistas, algo que acontece não só em casos de violência extrema, como também em divórcios ou problemas domésticos. Isso notadamente sempre gera muita controvérsia, já que no geral todos esses casos judiciais são seguidos de um grande escrutínio por parte da grande mídia e do público, vide o recente caso envolvendo o ator Johnny Depp e sua ex-esposa, Amber Heard, amplamente dissecado pela mídia americana.
Também é um ótimo exemplo, com precisão quase documental, do que acontece diante da judicialização desses casos, mostrando que, ainda que muito poderosas, as celebridades não estão acima da lei, e no final das contas, perante a justiça, são gente como a gente. Sentam-se diante de advogados do mesmo modo que pessoas comuns. Aliás, eu diria que essa é a grande questão do filme: até onde vai a influência da fama e do dinheiro no tratamento desses inquéritos diante da lei, quando o fato de ser uma celebridade rica não pode ser um "diferencial" na promulgação da sentença?

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