Dirigido por Luc Besson, Angel-A traz Jamel Debbouze (dos ótimos Dias de Glória e Fora-da-Lei) como André, um homem entupido de dívidas, que começa a ser perseguido por agiotas determinados a fazê-lo pagar de um jeito ou de outro. Ele fica tão desesperado que até cogita se matar, quando encontra na ponte, ao seu lado, Angel-A, com o mesmo objetivo que o seu, o que o faz repensar a atitude e recuar.
Daí em diante, o filme acompanha essas duas figuras, de André e Angel-A (a modelo Rie Rasmussen), enquanto transitam por Paris em busca de oportunidades e de respostas para suas angústias pessoais e financeiras. André começa a agir quase como um cafetão da mulher, embora em todas as ocasiões ela sempre consiga se safar sem precisar se prostituir, algo do que ele duvida, como quando ela visita, junto com ele, o escritório do agiota. Mais tarde, vemos que ela o revela em um café que na verdade é um anjo enviado em uma missão na Terra para ajudá-lo. Alguns desses diálogos são de fato bastante sensíveis, mostrando a empatia que o filme tem para com essas duas figuras desiludidas e sem saber o que fazer, vagando pela cidade à procura de uma resolução. A trama procura entender essas personagens, acolhê-los na sua desesperança, de forma que passamos a torcer para que eles consigam resolver seus tormentos e sair da pior.
Apesar de alguns momentos mais mornos, ou piegas, Angel-A em geral é fiel à sua premissa e tem algumas sequências muito tocantes, como quando Angel-A e André estão na frente do espelho, e ela o confronta sobre sua falta de auto-estima e auto-respeito, que o conduziram até aquela situação sórdida de dívidas. Em outro momento, quando André confessa que a ama e não quer deixá-la, Angel-A rebate e diz que ele sofre de "carência afetiva", e por isso "se apega ao primeiro que passa". Em muitas cenas, o filme é capaz de provocar a identificação do espectador, que muitas vezes pode se encontrar em situações parecidas de angústia e tensão ao lidar com a falta de dinheiro, um problema que empurra as pessoas até o limite. Eu diria que o otimismo do filme está na sua fé de que as pessoas podem encontrar alívio em saber que não estão sozinhas, e que juntos podemos ser melhores, tentando atravessar essas dificuldades e percalços.

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