quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crítica: "127 HORAS" (2010) - ★★★★


Entre uma história real e uma história fictícia, pode ter diferenças significantes. Mas em 127 Horas, a história foge dessa diferença e entra num contraste sub-realista, que é magico. Entre a performance de James Franco e a direção de Danny Boyle, também existem inúmeras diferenças, que deixam de existir em 127 Horas, onde ambos os desempenhos são seletivamente brilhantes. Com a força de uma tempestade, e a beleza propícia de um monumento visual, 127 Horas narra uma jornada fantástica (porém real), de um homem que se vê preso ao seu corpo após um pequeno acidente em um cânion, no qual seu braço fica preso numa rocha, e nosso personagem passa longos cinco dias desesperadores acompanhando a lentidão do processo de sobrevivência do qual participa ativamente.

Desta vez, Danny Boyle dirige e escreve 127 Horas, que sem deixar de acompanhar a emotiva cativação de Quem Quer Ser Um Milionário?, é um drama belíssimo. A jornada de nosso personagem principal pode muito bem nos ligar a outros filmes semelhantes, como a dramática história de sobrevivência narrada por Roman Polanski em O Pianista; ou na biográfica comédia dramática do diretor americano Julian Schnabel, protagonizada pelo francês Mathieu Amalric O Escafandro e a Borboleta (mais notávelmente as passagens onde ambos protagonistas recordam o passado, e há cenas em 127 Horas que claramente fazem referência á grande obra-prima francesa de 2008); ou então, quem não tenha se lembrado, aqui vai uma pequena referência: o recente blockbuster de Alfonso Cuarón com Sandra Bullock, Gravidade (num ritmo mais perfeccionista e menos realista). 

Todos os filmes citados apresentam em sua narrativa pessoas lutando pela própria sobrevivência, com a esperança de vitória. E por mais eventual que pareça, essa história (em qualquer narrativa) nunca será clichê o bastante. Em 127 Horas, sabemos que isso nunca aconteceria nas mãos de Danny Boyle.

A performance de James Franco, que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator em 2011, é desoladora e perspicaz, viva e esperançosa, angustiante e ambiciosa o suficiente para causar um tremendo impacto, e então, satisfazer seu público na densidade de seus pouco-menos-que noventa minutos narrando cento e vinte e sete horas! 

127 Horas (127 Hours)
dir. Danny Boyle - 

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