sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Crítica: "12 ANOS DE ESCRAVIDÃO" (2013) - ★★★★★


O melhor filme do ano? Com toda certeza. 12 Anos de Escravidão, talvez, seja o filme que mais se aproximou á realidade da impiedosa escravidão nos Estados Unidos. Ambientado no século 19, o filme narra a história de Solomon Northup, um negro livre que é sequestrado e enviado para um sistema de escravidão que ainda rege na fazenda de um rico proprietário de terras, e então, permanece nesse sistema por quase doze anos, quando é libertado por um advogado criminalista do Canadá. O espírito dessa sensacional obra de arte é o realismo abordado nas características mais sensíveis e estéticas da escravidão, mostrando o drama das pessoas que a atravessaram, e uma delas foi Northup, que pôde nos contar suas obscuras lembranças após sua sobrevivência. 

Porém, os objetivos de 12 Anos de Escravidão são maiores e bem mais ambiciosos do que retratar a desumanidade presente dentro desse regime, mas sim, investigar e analisar todo o percurso de Northup e a busca pela sobrevivência dentro de padrões poéticos, o que seria minimamente perfeccionista para o diretor, Steve McQueen (e foi!). Em partes, o filme questiona os limites de um poder tão cruel e ao mesmo tempo, essa imparcialidade preconceituosa durante o século 19 mesmo após o fim da escravidão. Cada cena possui seu significado, algo do qual o público tem a chance de restaurar através de uma imaginação próspera comandada por seu diretor, McQueen (que se destaca formalmente em 12 Anos de Escravidão), que nos oferece a liberdade de consagrar seu trabalho minimalista, e que exige a nossa atenção. 

Os 134 minutos do filme são cordialmente regidos no ritmo de uma orquestra, que ganha vida suntuosamente entre cada pausa efetuada. E no final, os olhos se enchem de lágrimas após presenciarem tamanho espetáculo, que mistura elementos da realidade com um toque dramático surrealista. É essa a sensação de assistir a 12 Anos de Escravidão, que vem a ser comparado com outros muitos filmes. Talvez, muitos que o assistam possam ter uma breve e repentina lembrança de O Pianista, de Roman Polanski, que narra igualmente a história verídica de Wladyslaw Szpilman, interpretado cautelosamente por Adrien Brody. Aqui, em 12 Anos de Escravidão não temos Brody interpretando Northup, mas temos o talento surpreendente de Chiwetel Ejiofor, no (sem sombra de dúvidas) melhor papel no cinema desde os últimos tempos. Igual destaque á Lupita Nyong'o, atriz queniana que doou sua vida ao papel da escrava Patsey, que lhe rendeu o Oscar na categoria de Atriz Coadjuvante.

Mais que um monumento épico da escravidão, 12 Anos de Escravidão é um clássico instantâneo do cinema atual, e uma representação artística dessa brava jornada histórica, um majestoso estrondo, um retrato incondicional que faz jus ao grande título de Melhor Filme do Ano!

(filme visto em 10/03/2014)

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
dir. Steve McQueen - 

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