terça-feira, 18 de novembro de 2014

Crítica: "NINFOMANÍACA - VOLUME I" (2013) - ★★★★


Os filmes do cineasta norueguês Lars Von Trier são cheios de diálogos morais e filosóficos, debates silenciosos e lentos entre seus personagens, que fazem com que eles se encham de características que nos permitam identificar seu anseio pela busca do ser, pela análise do cotidiano relacionado aos acontecimentos dentro de uma sociedade. E isso constrói uma brilhante carreira, que desde Dançando no Escuro (considerado o melhor filme de Von Trier) vem sendo sucedida por filmes belíssimos, como Dogville e Anticristo. 

E novamente, o diretor surpreende o público com seu cinema abstrato, que por vezes, é figurativo, como em Manderlay, Ondas do Destino e até mesmo este filme. Independente de sua estrutura e narrativa, todos esses filmes são amplamente reservados de Von Trier a seu público como um presente para o questionamento e a reflexão, e isso faz dele um autêntico mestre do cinema.

Em Ninfomaníaca, não foi diferente. Houve um pequeno impacto transmitido no primeiro volume da série do diretor, e em partes, o filme choca e assusta a platéia por ser um tanto obscuro e demasiadamente polêmico. Na sua cena inicial, somos apresentados a dois personagens: um homem e uma mulher. Em seus primeiros minutos, a mulher encontrada machucada com marcas de violência em um beco e levada para a casa de um homem cuja intenção é ajudá-la, a história torna-se compreensível: a personagem principal, denominada Joe se diz uma ninfomaníaca, e então passa  a contar sua melancólica e sensual jornada ao homem que interessado, decide ouvir a mulher até então desconhecida.

Dividido metodicamente em capítulos, segmentos da vida de nossa personagem principal, o primeiro volume de Ninfomaníaca pode deixar algumas questões em branco. É bom que o espectador saiba que o primeiro volume é uma espécie de "aquecimento" para o segundo volume, que é um pouco mais longo e intensamente polêmico em relação ao primeiro, mas não deixa de ser esclarecedor e filosófico, assim como o volume I. 

Apesar de misterioso, o filme não deixa de ser uma experiência triunfante e contundente. Von Trier assume a direção e o roteiro de uma de suas melhores obras. Ninfomaníaca navega com o público até o fim, a ponto do qual ele se torne parte do roteiro e possa sentir na pele tudo o que lhe é mostrado. E esses são os traços mais importantes nos filmes de Lars Von Trier, e que são igualmente sucessivos em seu novo filme: o modo de como ele retrata e enquadra sua visão nos padrões da história, e consegue colocá-la num ponto sensível e realista, e em especial, a forma de como suas cenas cheias de diálogos remotos conseguem ganhar a força de uma linhagem estrutural e causar um enorme choque a quem assiste. Apesar de não ser igual a filmes como Melancolia, Ninfomaníaca segue essas "regras" de Von Trier para construir um bom filme (e que quase nunca falha), e fazem com cada película do diretor ganhe uma camada extensa de vida e o faça cada vez mais renomado e único no universo cinematográfico.

Ninfomaníaca - Volume I (Nymphomaniac - Volume I)
dir. Lars Von Trier - 

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