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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Crítica: "VISITA OU MEMÓRIAS E CONFISSÕES" (2015) - ★★★★★


"É um filme meu sobre mim próprio. Talvez não se devia fazer um filme assim mas, enfim, está feito." - Manoel de Oliveira sobre Visita ou Memórias e Confissões

Filmado em 1982 (quando Manoel tinha 74 anos) e lançado ano passado, pouco tempo após a morte do diretor em abril, Visita ou Memórias e Confissões, o filme-testamento do mestre do cinema português Manoel de Oliveira é, primeiro de tudo, um presente cinematográfico inestimável. A proposta é mirabolante. sensível, cativante. Sua grandeza é maravilhosa. Seu significado vem acompanhado de uma riqueza absolutamente tenra. Sua beleza é transcendental. Manoel de Oliveira foi um gênio, um "homem de cinema", como ele mesmo se descreve em Visita ou Memórias e Confissões, um de seus trabalhos mais carinhosos e versáteis. 

Com pouco mais de 60 minutos de duração, Visita ou Memórias e Confissões é o registro pessoal de Manoel sobre a sua casa e sua família, seu casamento dentre outras mais experiências que teve durante a sua vida, como sua prisão durante o regime fascista em Portugal na década de 70. "É um filme de Manoel de Oliveira sobre Manoel de Oliveira", enfim. Um casal (vozes de Diogo Dória e Teresa Madruga) encontra uma casa aparentemente sem ninguém, casa essa a de Manoel de Oliveira, e passam a caminhar pelos cômodos e examinar o espaço ao redor. Algum tempo depois, surge Manoel de Oliveira, e nos explica que a sua casa foi vendida, para que ele pudesse pagar algumas dívidas pendentes, e nos concede o privilégio de explorar um pouquinho de seu acervo fílmico particular, onde vemos rápidas filmagens antigas e algumas fotos. 

Nos resta o prazer em assistir a um filme tão comovente e particular como este. Manoel de Oliveira e suas perspectivas e filosofias de vida intensificam a emoção e o deleite de quem vê. É raro encontrar um material cinematográfico à altura de Visita ou Memórias e Confissões, tão tocante e profundo que chega a ser um fenômeno. 

O que dizer da sequência em que o diretor nos transporta para um set de filmagens? Ou então ao depoimento de sua esposa, Maria Isabel? Visita ou Memórias e Confissões é cheio de momentos triunfais e memoráveis, e isso faz dele um autêntico monumento cinematográfico e um filme essencial para quem aprecia o diretor. 

Visita ou Memórias e Confissões
dir. Manoel de Oliveira - ★★★★★

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Adeus, MANOEL DE OLIVEIRA (1908 - 2015)


Hoje, nos deixou um dos mais formidáveis e excelentes cineastas de todos os tempos, e o mais longevo: Manoel de Oliveira. 

Manoel Cândido Pinto de Oliveira, em seus anos de produção, assinou a direção de trinta e dois filmes, e consagrou-se como um dos maiores, senão o maior, diretor do cinema português, tendo sido responsável por grandes longas como Aniki-Bobó, seu primeiro, A Divina Comédia, A Caixa, A Carta, Um Filme Falado, Espelho Mágico, O Estranho Caso de Angélica e, o último e um dos meus prediletos, O Gebo e a Sombra.

Sua filmografia caracteriza-se pela rígida composição teatral, o que as torna tão únicas ao estilo dele, sem muitos abusos na movimentação da câmera e na fotografia. Tendo então colaborado com diversos astros de seu país, como Luís Miguel Cintra, Leonor Silveira, Diogo Dória, Ricardo Trêpa e Glória de Matos, e muitos mais estrangeiros, tais como Catherine Deneuve, John Malkovich, Jeanne Moreau, Marcello Mastroianni, Lima Duarte e Marisa Paredes, Manoel, mesmo em cadeira de rodas, continuou trabalhando firme e forte no seu tão glorificado ofício, até o último minuto. Prova de que sua paixão pelo cinema resistiu ao mais estrondoso impacto. Não importava qual a condição, estado de saúde ou época, Manoel permaneceu ali, sempre disposto a alimentar seu público com novas histórias. E como somos agradecidos a Manoel por isto.

"Todos sabemos que vamos morrer. É a única certeza que temos. Não tenho medo da morte, tenho medo do sofrimento. É na vida que encontram-se todas as maldades do mundo. A morte é o descanso."


- Manoel de Oliveira