Que maravilhosa oportunidade foi assistir á A Igualdade é Branca. Uma oportunidade da qual eu já tinha em desejo há muito tempo, e, em todos os sentidos, é raríssimo assistir a um filme como este, vindo de alguém tão aclamado como Kieslowski. Realmente, eu tenho pouquíssimo contato com sua obra. Pra falar a verdade, só mesmo A Vida Dupla de Véronique; Nem mesmo a grande obra-prima do cineasta, A Fraternidade é Vermelha, eu tive a chance de assistir. Esse é o primeiro filme da trilogia das cores que assisto. Tentei assistir á A Liberdade é Azul, mas minhas tentativas foram em vão. Pra ser sincero, não foi tão difícil assistir á A Igualdade é Branca, lembrando que é da autoria de Kieslowski, um diretor (consideravelmente) nada fácil.
A história é bem simples, e prossegue o propósito da trilogia das cores, que retrata os ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade, em jornadas cômicas na França moderna. Karol é um imigrante polaco na França, casado com Dominique, uma jovem mulher. Quando descobre que Karol sofre de uma iminente impotência, Dominique o humilha e decide se divorciar. Após retornar á Polônia, nosso protagonista decide construir fortuna para voltar á França e pagar a ex-mulher com a mesma moeda.
Simples, não? Mais simples ainda é o enredo, narrado em menos de noventa minutos. Desfechos bem controlados e alguns desafios para o protagonista são alguns dos métodos utilizados por Kieslowski e seu fiel ajudante, Krzysztof Pieslewicz, para aprimorar o roteiro dinâmico da trama. E o mais legal deste filme é que você, mesmo sabendo as crueldades que a ex-esposa de Karol fez á ele, você sente pena dela, assim como o protagonista. Para evitar mais spoilers, é recomendável assisti-lo, pois realmente é uma experiência única (isso por que ainda não tive a chance de ver os outros dois filmes presentes na trilogia). No entanto, este só já é de tamanha maturidade da qual me causou uma enorme atração.
De um elenco triunfal, estrelando uma grande revelação do ator Zbigniew Zamachowski no papel do melancólico e iludido Karol e a grande performance da majestosa Julie Delpy (da qual eu unicamente conheço por suas atuações na trilogia "Antes" e em Filhos da Guerra) no papel bem montado da controladora Dominique. E Janusz Gajos no papel coadjuvante de Mikolaj, o bom amigo de Karol que o ajuda a fugir da França e reconstruir sua vida na Polônia.
Como, o que eu já citei, não sou acostumado com os filmes do polônes Kieslowski, essas são ainda as minhas primeiras revisões das obras dele. Por ser tão único, seus filmes quase sempre seguem uma linha bastante adepta aos outros. Ou então, essa capacidade bem particular e singular de contar histórias tão complexas em tão compactos 80 minutos. Esse polonês ainda tem muito o que me ensinar sobre o universo cinematográfico. Só em A Igualdade é Branca, já consegui arrecadar uma gentil inspiração. Minha próxima ambição é encontrar os outros dois filmes da trilogia, para iniciar minha conclusão sobre Kieslowski.
Independente dos outros dois filmes da trilogia, este trata-se de um bastante refinado, e um dos grandes clássicos da década de 90, tratando-se de cinema internacional. Algo reflexivo e cativante me incentivava a seguir os capítulos nos quais a história se desencadeava. E como muitos já tinham me prevenido, eu não iria me arrepender. A Igualdade é Branca filma a civilização através da emergência de prever as consequências de um determinado ato, ou de controlar o prazer instantâneo usufruindo de algumas falhas presentes no nosso cotidiano. Tudo é uma questão de percepção. O objetivo de Krzysztof Kieslowski é nos fazer pensar, e repensar, se for o caso. O vazio interior do nosso personagem principal representa a incomunicabilidade, e como isso nos afeta psicologicamente em alguns ângulos. Não falando de comunicação verbal, mas sim, da comunicação afetuosa. Apesar de amar incondicionalmente a ex-esposa, ele também sente que é preciso libertar a conveniência da vingança. Este é o ser humano. Não consegue concretizar seus próprios sentimentos por não saber organizá-los. Em minha opinião, A Igualdade é Branca é uma obra que exige obrigatoriamente aplausos.
A Igualdade é Branca (Trois Coulours: Blanc)
dir. Krzysztof Kieslowski - ★★★★
A Igualdade é Branca (Trois Coulours: Blanc)
dir. Krzysztof Kieslowski - ★★★★

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