Nos créditos inicias, somos submetidos à experiência mais triunfante dos últimos tempos: assistir ininterruptamente ao trabalho de 34 diferentes diretores que filmam três minutos cada um deste longa curtas relatando suas respectivas formas para declarar a paixão pelo cinema. No início, um título pequeno, porém aconchegante, diz: "á Federico Fellini". A partir deste letreiro, já me sinto mais confortável a assistir Cada um Com seu Cinema. Encomendado pelo presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, especialmente para o aniversário de 60 anos do maior festival de cinema do mundo, Cada um Com seu Cinema trata-se de uma das únicas oportunidades de ver tantos talentos cinematográficos reunidos numa única película. Uma pena Godard nem Tarantino terem figurado este longa. Em qualquer forma, a antologia é fantasticamente maravilhosa.
Esses 34 curtas realmente demonstram que é impossível viver sem o cinema. Sua estrutura artística infalível. A arte suprema e encantadora, cuja magia tem um dos poderes mais vorazes. Luzes, câmera, cada um com seu cinema!
CINEMA AO AR LIVRE, de Raymond Depardon
O cinema árabe vem se consagrando ultimamente. O Festival de Cannes é um dos maiores passaportes para o grande sucesso desses filmes. Abbas Kiarostami revelou-se no Festival de Cannes, e vem fazendo obras grandiosas desde lá. Neste curta, a direção é assumida pelo documentarista francês Raymond Depardon. Uma observação bem simpática, que mostra que o cinema está presente em todas as partes do mundo, talvez essa seja a mensagem mais significante do curta. Depardon teve alguns filmes mostrados no Festival de Cannes, entre eles, o indicado á Palma de Ouro La captive du désert.
UM BELO DIA, de Takeshi Kitano
Takeshi Kitano é um artista japonês e tanto. Diretor, ator, comediante, cantor, escritor, autor, poeta, pintor e até mesmo designer de video game. Em Um Belo Dia, é possível ver que o cinema é presente em todos os locais, nos mais diferentes lugares, e nos mais isolados também. Eu sei que a moral deste filme pode parecer bem imprecisa ou vulnerável, só que é um curta, do que mais posso falar? Kitano estreou no cinema em 1989, e de lá pra cá, vem mantendo esse ritmo. Muitos filmes seus foram apresentados no Festival de Cannes, entre eles figuram Kids Return, apresentado em 1996 na secção paralela, que também é o filme mostrado neste curta cômico e que mantém o cinema como um dos grandes interesses do homem!
TRÊS MINUTOS, de Theo Angelopoulos
Marcello Mastroianni. Um dos maiores atores da história, aqui homenageado belamente por Theo Angelopoulos e uma Jeanne Moreau parcialmente idosa, porém ativa. Theo, vencedor da Palma de Ouro pelo profundo e filosófico A Eternidade e um Dia, mostra-se lento e narrativo neste curta que mostra um dos mais grandiosos símbolos cinematográficos e a paixão de uma cinéfila por este ator incomparável, que nos remete aos velhos filmes de Fellini protagonizados por ele. Fique em paz, M.M. Três minutos de silêncio.
NO ESCURO, de Andréi Kontchalovsky
A maior e mais contagiante obra de Federico Fellini, Oito e Meio, é homenageada incondicionalmente por Andrei Kontchalovsky. Nossa personagem principal, uma senhora de aparentes quarenta e poucos anos, se emociona ao assistir Oito e Meio, e cai em lágrimas. Impossível não. E insatisfeita, a senhora assiste ao filme mais uma vez, revendo todo o conceito deste clássico incomparável.
DIÁRIO DE UM ESPECTADOR, de Nanni Moretti
Não acredito que seja exagero dar o agraciado apelido de Woody Allen italiano á Nanni Moretti, que sem sombra de dúvidas, é uma cópia fiel do cineasta americano. Aqui, o cineasta faz um relato pessoal de suas aventuras no cinema. E mais uma vez, confirma a emoção que é de ir ao cinema. Moretti e seu aguçado humor instabilizam esse curta, que nos faz refletir sobre a nossa visão a partir dos diferentes gêneros e filmes.
CINEMA PRINCESA ELÉTRICA, de Hou Hsiao Hsien
O cinema e sua magia. Cinema Princesa Elétrica traduz tudo o que o cinema é em três minutos, três simples minutos. O impacto do cinema a partir de uma simples obra. E confirma mais uma vez que é impossível viver sem os filmes. Não importa a época, e nem o lugar, o cinema é onipresente.
NA ESCURIDÃO, de Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne são os dois cineastas belgas mais premiados, e um dos mais requisitado de seu país. Neste curta, o diretor debate o cinema de uma forma mais sentimental. Qual arte, se não o cinema, causa mais choque sentimental. É bem possível que todas as artes, de certa forma, causem um impacto sentimental, mas nenhuma consegue reproduzir a profundeza mostrada no cinema.
ABSURDA, de David Lynch
É bem provável que David Lynch seja o diretor mais abstrato da história do cinema. Isso foi confirmado, pelo menos para mim, em Cidade dos Sonhos. Não havia visto alguém tão inédito e surreal desde Fellini. Lynch é um diretor que filma de tempos em tempos. Seu último filme, Império dos Sonhos, foi filmado em 2006. O diretor, apesar de não estar aposentado, ainda nos deve mais uma jornada no cinema. Aqui, uma nova mensagem é mostrada: qual arte reproduz o pânico de maneira mais realista quanto o cinema. Neste curta, o pânico de Lynch é constante.
ANNA, de Alejandro González Iñárritu
Por vezes, uma cena de um filme reúne tudo num único sentimento, que mistura todas as sensações possíveis para causar o mais intenso farfalhar de lágrimas. Anna é de González Iñárritu, um dos melhores diretores da atualidade, famoso por filmar obras geralmente guiadas pela humanidade e de cunho dramático, Anna é de longe puro González Iñárritu. O cinema ainda é um mistério, por mexer tanto, e imobilizar tantas pessoas com um simples toque. Essa é a mensagem transmitida em Anna.
ASSISTINDO AO FILME, de Zhang Yimou
O cinema é a maior arma de todas. O icônico diretor chinês Zhang Yimou filma essa pequena, porém significante homenagem ao cinema, que também é presente em todas as culturas. É possível ver no rosto das crianças a alegria ao assistirem á magia que é o cinema. Visão é necessário. Apreciação pelo cinema é algo tão comum, por ser tão bom.
O DIBUK DE HAIFA, de Amos Gitai
Cenas de pessoas em um cinema misturadas uma em cima das outras. Uma mixação de diferente sons e imagens. É assim que Amos Gitai vê o cinema. Um universo colorido de imagens e sons. Aqui, o cinema é um aliado do tempo, que por muitas das vezes, tem um eficiente poder. Um grupo de pessoas são atingidos por um bombardeio aéreo enquanto assistiam a projeção de um clássico. Amos quer explicar-nos: o cinema e o tempo andam juntos.
A JOANINHA, de Jane Campion
O cinema de Jane Campion é bastante controverso. Campion filma sob diversos estilos, mas o mais comum de seus filmes é o estilo épico. Muitos a conhecem por sua grande obra, O Piano. De certa forma, este curta quer mostrar o quão importante as mulheres são no cinema. A magia incandescente deste pequeno filme está em sua arte, invisível, porém, presente.
ARTAUD SESSÃO DUPLA, de Atom Egoyan
Por um lado, filmar sua paixão pelo cinema em três minutos pode ser uma tarefa bem complicada. Ainda mais quando você é um cineasta. Atom Egoyan parece que não teve como demonstrar essa paixão, e então, nos dirigiu a um remoto clássico: Joana D'arc. O diretor aqui, questiona a morte e a vida, de duas formas bem ambíguas, como se quisesse dizer algo relacionado a isso, ou como se a morte e a vida fossem duas coisas que captou como mensagem no cinema. Mesmo na modernidade, o cinema ainda é vivo, e nunca falha.
A FUNDIÇÃO, de Aki Kaurismaki
Um cinema guarda muitas histórias. Não é apenas um lugar. É um centro onde as almas se encontram para compartilhar o espírito artístico dos filmes. Um grupo de trabalhadores tem como hobbie o cinema. E é comum. Muitas pessoas não tem um grande conhecimento dos filmes, mas tem ele como hobbie. E isso é consideravelmente uma cinefilia. Esse poder que o cinema tem sobre as mais altas instituições. É assustador, mas interessante.
RECRUDESCÊNCIA, de Oliver Assayas
Oliver Assayas, por muitas vezes, cria conexões entre o cotidiano e a modernidade. Neste curta, o tempo e o cinema. Nossas vidas estão ligadas ao cinema. Talvez, esse seja o grande motivo do cinema ser algo tão adorado: por que é um refúgio. No cinema, assistimos á muitos filmes que tratam de diversos assuntos, e de diversos universos, ou padrões. Essa ilusão de viver no cinema cria uma grande fantasia, que precisa ser cultivada pelos seres humanos, pois muitos ainda não identificaram a importância da sétima arte no mundo, de maneira geral.
47 ANOS DEPOIS, de Youssef Chahine
Há uma maneira mais genial de filmar sua paixão pelo cinema filmando sua história com o cinema? Acredito que não. Youssef Chahine faz uma narrativa excelente filmando seu segundo filme, exibido na década de 50, no Festival de Cannes. E 47 anos depois, Chahine era aplaudido por toda a plateia de Cannes ao receber o prêmio pelo Conjunto da Obra.
É UM SONHO, de Tsai Ming-liang
Há sonho melhor do que a ilusão? Tsai Ming-liang filma um fragmento de suas memórias do cinema. contada através de um sonho, no qual reencontra sua avó materna e seus pais. Seus rostos se iluminam ao assistirem um gentil musical, e então, não tiram os olhos do telão, espantados por tanta beleza e magia num único lugar. E este é o cinema, minha gente!
PROFISSÕES, de Lars Von Trier
E essa é a forma de Lars Von Trier expressar sua paixão pela sétima arte. E após a exibição do curta, mantenho a certeza de que Von Trier continua o mesmo: cheio de ironia e humor negro, prontos para serem ativados. Também são duas características encontradas em diversos filmes do diretor. O filme exibido durante o curta é Manderlay. Von Trier, após ser atrapalhado constantemente por um produtor, o ataca agressivamente, de modo a assustar o público. Tão polêmico quanto a declaração do diretor em 2011: "Eu entendo Hitler". Lars, um afeminado e defensor da opinião, continua intacto. Seu cinema surreal e carnal é demonstrado a todo vapor neste curta.
O PRESENTE, de Raoul Ruiz
O cinema, de certa forma, é um presente. Um dos melhores que alguém pode receber. Aqui, o cinema é identificado como singularidade da arte expressiva. De fato, essa observação está correta. Há algo para acrescentar: o cinema também é indestrutível.
CINEMA DE BOULEVARD, de Claude Lelouch
Claude Lelouch narra a história estritamente ligada ao cinema. Ele reconta seus primeiros anos e o relacionamento de seus pais, atravessando alguns dos piores períodos da história, até terminar em sua vitória no Oscar em 1957. Um dos curtas mais bonitos mostrados ao longo do filme. Mostra que o cinema é capaz de tudo, e pode até mesmo vencer a guerra!
PRIMEIRO BEIJO, de Gus Van Sant
Gus Van Sant e seu cinema jovial. Novamente, este curta aborda a ilusão do cinema. Em poucos momentos, nosso personagem invade a tela e beija uma garota. Simplesmente assim. Uma pequena ação em três minutos causa um grande impacto em sua significância.
CINEMA ERÓTICO, de Roman Polanski
Polanski é um ícone. Sua presença é quase obrigatória neste longa que homenageia o Festival de Cannes. Aqui, o cinema é mostrado com um certo erotismo, tal como o próprio sugere. A intepretação desse curta pode parecer ligeiramente errônea, mas um tanto particular, se é possível confessar. Polanski, com um humor aguçado, declara a sua paixão pelo cinema da forma mais inimaginável.
NO SUICÍDIO DO ÚLTIMO JUDEU DO MUNDO NO ÚLTIMO CINEMA DO MUNDO, de David Cronenberg
Diretores e suas diferentes formas de declarar amor á sétima arte. A de David Cronenberg com certeza foi a mais controversa e obscura, de um certo olhar. Um dos maiores diretores que já se apresentou em Cannes demonstra um pavor nesta "homenagem". No entanto, não deixa de ser bem revelador para quem quer se aprofundar na carreira do cineasta, pois que isto explica, isto explica. Aqui, David filma o fim do cinema, a destruição total dele, da forma mais clara possível.
VIAJEI NOVE MIL KM PARA DAR ISSO A VOCÊ, de Wong Kar-wai
Wong Kar-wai faz cinema com cores. No modo mais adjetivo. Aqui, Wong Kar-wai declara sua paixão ao cinema através do vermelho. Esse curta me lembrou bastante Amor á Flor da Pele. Wong Kar-wai parece estar em dúvida em relação á este curta, que mais parece ter alguns tons de coragem, outros de amor. Essa é a forma do diretor de ver o cinema e seu amor por ele. O diretor faz do curta um capítulo autobiográfico, repetindo o mesmo feito de Chahine: contando sua história através do cinema.
ONDE ESTÁ MEU ROMEU?, de Abbas Kiarostami
O cinema traz ao mundo tudo isso. Orgulho, paixão, tristeza, felicidade, dor, movimento, luz, cor, visão, paz, guerra, entre outros. Há bilhões e bilhões de histórias a serem contadas nas telonas. Abbas Kiarostami declara sua paixão ao cinema através de lágrimas. As mesmas lágrimas que caíram de nossos olhos ao ver obras como Cópia Fiel e Gosto de Cereja. Kiarostami marca sua presença nesse curta selando sua visão e seu drama numa clássica história de amor e tragédia: Romeu e Julieta.
A SESSÃO DO ÚLTIMO ENCONTRO, de Bille August
Ás vezes, a percepção é a tradução de tudo. Foi assim que aconteceu com o dinamarquês Bille August, um dos melhores diretores de seu país. Bille narra uma história de amor numa Dinamarca moderna. Este curta me lembrou muito uma passagem de Paris, Eu Te Amo, outro filme de antologia. Bille declara sua paixão pelo cinema através dessa tradução incondicional, e protestando: "o cinema é uma língua própria". Com toda razão, é impossível discordar.
ESQUISITO, de Elia Suleiman
Elia Suleiman é um diretor do qual, praticamente, nunca tinha ouvido falar. Parece que ele realmente vê o cinema de uma posição esquisita, como o próprio título diz. Mas não acredito que este curta tenha como intenção ter um sentido. Elia e sua paixão pelo cinema não precisam ter sentido. Nada precisa. A vida não tem. Por que o curta de Elia Suleiman teria?
ENCONTRO EXTRAORDINÁRIO, de Manoel de Oliveira
O curta mudo de Manoel de Oliveira homenageia não só o cinema em si mas também o cinema mudo. O diretor português, um dos mais ativos, mesmo aos 105 anos, ainda continua intacto. Este sim, é um presente para Cada um com Seu Cinema.
À 8 944 KM DE CANNES, de Walter Salles
Pelo menos, um curta brasileiro entre os selecionados para Cada um Com seu Cinema. E nas mãos de Walter Salles, não poderia estar em lugar melhor. Uma homenagem bem simpática e formal ao cinema. Repete-se a mensagem do filme: o cinema é onipresente: em todos os lugares, para todos, de todos. Walter consegue transmitir toda a alegria brasileira em três excelentes minutos.
GUERRA EM TEMPOS DE PAZ, de Wim Wenders
Wim Wenders filma a África de maneira desoladora no curta. Um cinema pobre, encontrado em um vilarejo pequeno, é o que traz a alegria de seus sofridos trabalhadores. Mais uma vez, é transmitida a mensagem de que o cinema está presente em todos os lugares, e está levando sua magia para todos.
ALDEIA ZHANXIOU, de Chen Kaige
O humor incomparável de Charles Chaplin é o que traz alegria a um grupo de garotos chineses, que se apoderam de um projetor e iniciam um filme. Seus rostos trazem o mais brilhante sorriso, resultado da triunfante genialidade deste mestre, que traz consigo motivação suficiente para causar impactos e transtornos tão propositais quanto sua própria carreira. No mesmo ano em que falece Chaplin, renasce sua carreira, e ele se torna parte da história do cinema, como um pai adotivo. Um pai que nos ensina e nos faz rir, chorar, e compartilhar bons momentos. A grande lição aqui é: viver o cinema não tem preço.
FINAL FELIZ, de Ken Loach
Um pai e seu filho. Um cinema. Uma tarde. Uma decisão. Neste "final feliz", Ken Loach faz a beleza natural da situação, de maneira contundente. Ken, vencedor anterior da Palma de Ouro ao ano em que este filme foi exibido não poderia filmar algo tão bom sem depender de artifícios tão originais para produzir um final tão competente para algo tão pequeno. Mostra a significância de ambos os lados em que o universo cinematográfico reside: o gênero e a imagem. Fim.
Cada um com seu Cinema (To Each His Own Cinema/Chacun son cinema)
dir. Raymond Depardon, Ken Loach, Wim Wenders, Walter Salles, Chen Kaige, Manoel de Oliveira, Elia Suleiman, David Lynch, Alejandro González Iñárritu, Takeshi Kitano, Zhang Yimou, Abbas Kiarostami, Bille August, Roman Polanski, David Cronenberg, Wong Kar-wai, Gus Van Sant, Claude Lelouch, Raoul Ruiz, Lars Von Trier, Tsai Ming-liang, Yousseff Chahine, Oliver Assayas, Aki Kaurismaki, Atom Egoyan, Jane Campion, Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne, Amos Gitai, Nanni Moretti, Theo Angeloupoulos, Hou Hsiao Hsien, Andréi Kontchalovsky - ★★★★★
Cada um com seu Cinema (To Each His Own Cinema/Chacun son cinema)
dir. Raymond Depardon, Ken Loach, Wim Wenders, Walter Salles, Chen Kaige, Manoel de Oliveira, Elia Suleiman, David Lynch, Alejandro González Iñárritu, Takeshi Kitano, Zhang Yimou, Abbas Kiarostami, Bille August, Roman Polanski, David Cronenberg, Wong Kar-wai, Gus Van Sant, Claude Lelouch, Raoul Ruiz, Lars Von Trier, Tsai Ming-liang, Yousseff Chahine, Oliver Assayas, Aki Kaurismaki, Atom Egoyan, Jane Campion, Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne, Amos Gitai, Nanni Moretti, Theo Angeloupoulos, Hou Hsiao Hsien, Andréi Kontchalovsky - ★★★★★

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