domingo, 18 de janeiro de 2015

Crítica: "TUDO PODE DAR CERTO" (2009) - ★★★★


Nos últimos anos, a carreira de um dos maiores cineastas da história, Woody Allen, foi preenchida por filmes mal criticados, com baixo orçamento e menor bilheteria, e com histórias, de fato, ruins - segundo a crítica -. Talvez, essa necessidade do diretor de criar uma conexão com a geração atual e a modernidade tenha o causado alguns problemas, cinematograficamente - tudo aos olhos da crítica -. Poucos filmes recentes de Woody tem ganhado sucesso - novamente, aos olhos da crítica -. Vicky Cristina Barcelona, Meia-Noite em Paris, Match Point - Ponto Final, Blue Jasmine e por que não Tudo Pode Dar Certo. Entre os fracassos críticos e públicos do cinema atual de Woody, o melhor filme entre estes ruins pode ser Tudo Pode Dar Certo, ao lado de O Sonho de Cassandra

Muitos desses filmes ruins apresentam novas experiências do cineasta: suspenses, dramas, épicos, e é claro, algumas comédias românticas. A que mais se destaca é Tudo Pode Dar Certo. O filme me lembrou misticamente Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, por ter seu protagonista, Larry David, se pronunciando ao público em diálogos bem semelhantes ao de Alvy Singer. Nesta película, Woody Allen focaliza na relação de uma jovem sulista ignorante e um intelectual nova-iorquino. O que os separa tanto de uma possível conexão é a diferença de idade. E pela aparência, é uma história simples. Pura e divertida, não há pretensões ou padrões em Tudo Pode Dar Certo. Parece que Woody filmou a película apenas como uma forma de entretenimento, sem nenhuma razão específica. São esses filmes do diretor que mais me atraem, ou de certa forma, me causam surpresa: filmes com uma estrutura fraca, mas com personagens bem definidos e tramas cordiais. É melhor ver o bom senso de Woody numa película tão característica como esta do que vê-lo desesperado tentando refilmar o sucesso de um filme anterior, o que pode ser muito bem visto no recente filme de Woody, Magia ao Luar.

Larry David mostrou-se fiel e competente ao personagem. Com doses bem altas de neurose e outras mais ainda de sarcasmo, é inevitável aceitar que Woody fez uma boa escolha quando colocou David para interpretar seu clássico protagonista intelectual, cético e frio. Pra ser sincero, talvez essa escolha seja uma das melhores que Woody já realizou. David coube perfeitamente. Há uma grandiosa equivalência entre Woody e Larry. Ambos são celebridades cômicas, cujos personagens celebraram a cultura artística americana até os dias de hoje. Outra coisa que atravessou minhas ideias foi Woody protagonizar o filme. Ultimamente, o cineasta vem evitando sua presença em seus próprios filmes (o que era uma coisa tão usual na década de 70/80/90), e mais tecnicamente, sua última aparição em um filme de sua autoria foi em Para Roma Com Amor. Vê-lo novamente em Tudo Pode Dar Certo seria um magnífico triunfo. Acredito que esse filme também tenha um pouco de inspiração na vida real de Woody Allen: sempre tem. Os mais experientes e, como popularmente se diz, "entendedores" conseguiram captar que a história narrada aos 91 minutos do filme é bem próxima á história verdadeira do relacionamento polêmico de Woody Allen e sua filha adotiva na década de 90, o que resultou em seu divórcio conflituoso com Mia Farrow, cujo impacto permanece até os dias de hoje, e no seu casamento com Soon-Yi Previn. 

Quem conhece Woody Allen bem de perto vai desconhecer, mas concordar com Tudo Pode Dar Certo. O estilo de Woody mais uma vez prova-se capaz de produzir diversas histórias filmadas nos mesmos ângulos. É por isso que a cada filme, Woody Allen torna-se mais compreensível, e eu me torno mais inspirado e relacionado à ele. Por sua contribuição, Woody ainda tem o poder de encantar através dessas pequenas, mas satisfatórias tramas que se desenvolvem no mais belo contexto que Woody já representou em toda a sua carreira: o amor.

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works)
dir. Woody Allen - 

Nenhum comentário:

Postar um comentário