quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Crítica: "O ABUTRE" (2014) - ★★★★


Para ser bem sincero, nunca vi nada igual desde Drive, confesso. Sei que isso pode parecer pretensioso e exagerado, mas é o melhor que eu vi do gênero desde. Quem assiste a O Abutre com certeza vai lembrar do grande filme de Nicolas Winding Refn. É impossível dizer que as duas histórias não se combinam suntuosamente. Em O Abutre, é narrada a fantástica de jornada de Lou Bloom, um aspirante á cinegrafista que faz de tudo para conseguir imagens de crimes e vendê-las para uma emissora de TV. Lou decide que filmar crimes e vendê-los para a TV é o que realmente quer fazer de sua vida. Tática, inteligência e ambição. Lou Bloom possui estas três características, essenciais para o triunfo e o sucesso.

Neste suspense triunfal, Gyllenhaal encarna um personagem fanático, obsessivo e ambicioso, disposto a tudo pelo sucesso. A performance de Jake é o maior destaque da película, ainda mais nas cenas de ação, algo que raramente me impressiona no filme, e que aqui, me deixou extasiado. O Abutre é mais um exemplo do talento dos filmes independentes. Não é surpresa que tenha faturado tantas indicações a prêmios este ano, sendo Jake um dos favoritos para o Oscar em Melhor Ator, e Gilroy em Roteiro Original. Aliás, este diretor/roteirista que em seu primeiro filme já trouxe algo realmente, ótimo, acredito que há mais para se esperar dele.

Dan Gilroy realmente possui um talento especial, novo, útil. O roteiro, uma produção simplesmente maravilhosa, digna de aplausos e reconhecimento fiel. Jake Gyllenhaal, como já lhes confiei, sem palavras. Depois de assistir aos mais recentes filmes do ator, percebi que talvez, nunca mais voltaria a ver uma performance como a de Brockeback Mountain ou Amor & Outras Drogas. Sim, caros amigos, eu estava completamente errado ao dizer que Jake era uma "estrela perdida" e que nunca mais veria uma performance tão impactante quanto ao filme que lhe rendeu sua primeira e (até agora) única indicação ao Oscar, que não será mais a única depois de O Abutre, que possivelmente renderá a Gyllenhaal sua primeira estatueta, e disso eu não tenho um pingo de dúvida. Assim como Rosamund Pike em Garota Exemplar, Jake Gyllenhaal apresenta aqui uma interpretação louca e bem figurada, um personagem que quer o que quer, e não vê limites em sua ambição, de uma capacidade inimaginável.

Neste épico da modernidade, Jake Gyllenhaal e sua atuação são dois elementos exclusivos do filme, algo que pode ser descrito como "tesouro". Se há um fato em O Abutre é que há notoriamente inspiração em uma das melhores películas dos últimos tempos. Um noir fugaz, ambientado em uma Los Angeles suja e policial, cheio de fúria e ação, mas sem deixar de manter aquele compostura do antigo suspense dos filmes B. São algumas das características que aproximam O Abutre e Drive de um parentesco cinematográfico imbatível. Ambas são obras-primas geniais e cativantes, jornadas excitantes e iluminadas, dirigidas com criatividade e talento por dois diretores que ganham um notório espaço na Hollywood do independent american film em obras autênticas da impecabilidade. O Abutre se instala nesse nível. Constrói o gênero de uma maneira nunca vista, e bem interessante de se ver. Dan Gilroy mostra que nunca é tarde para produzir experiências como estas, tão aproximadas da transformação de uma simples, porém genial película do cinema independente em um clássico instantâneo americano. Em O Abutre, a mistura de todos esses elementos magnânimos resulta nessa observação fulminante adentro do mundo da comunicação e da televisão, e de como todo esse processo é relatado com pureza e delicadeza dentro dos remotos ângulos de Lou Bloom, e sua vida pacata, seus relacionamentos, sua carreira, seu modo de fazer com que tudo funcione com perfeição e que chegue o mais aproximado possível da realidade, o que realmente move o espectador que espera de um filme desses algo que deixe um impacto. E quem busca isso, vai sair de cara feliz do cinema.

O Abutre (Nightcrawler)
dir. Dan Gilroy - 

Nenhum comentário:

Postar um comentário