domingo, 18 de janeiro de 2015

Crítica: "MOONRISE KINGDOM" (2012) - ★★★★


Uma das razões para eu ter amado Moonrise Kingdom é a inconfundível autoria de um dos maiores cineastas da atualidade, Wes Anderson, que a cada filme, tem mostrado uma maestria singular e autoral. Nem mesmo sua recente película O Grande Hotel Budapeste (por mais sofisticada e genial que seja) não conseguiu superar Moonrise Kingdom, um real clássico instantâneo, tão belo por ser tão simples e modesto.

Moonrise Kingdom conta a história de dois adolescentes, um escoteiro órfão e uma garota problemática, que se apaixonam e planejam fugir. O que eles não planejaram era a catástrofe que a situação se tornaria, causando um intenso pânico na pequena ilha de New Penzance, onde os moradores locais e a polícia entram em um complicado conflito na busca dos dois amantes. Bem, pra iniciar, quem conhece Wes Anderson sabe muito bem que ele é um diretor que filma por temporadas (de dois a quatro anos para lançar um novo filme), e estes diretores quase nunca tem um fracasso no currículo. No caso de Anderson, existem apenas (tecnicamente) dois fracassos presentes em sua carreira de oito (atuais) filmes: o pretensioso e abusivo A Vida Aquática com Steve Zissou e o imaginativo, mas inconsciente Viagem a Darjeeling. Moonrise Kingdom segue o mesmo padrão dos filmes de Wes Anderson: guiados por uma mística e colorida fotografia e um roteiro criativo e poderoso.

Neste filme, a atração ficou com o elenco, a maioria formado por atores mirins, entre eles, os protagonistas de destaque: Jared Gilman e Kara Hayward. Entre outras, a maioria do elenco é estrelado por alguns dos colaboradores mais frequentes de Anderson: Bill Murray, Edward Norton e Jason Schwartzman (é lógico). Outros dois atores que também, mais tarde, se tornariam colaboradores de Anderson (em O Grande Hotel Budapeste) estão aqui: Tilda Swinton e Harvey Keitel. Independente de colaborações ou referências, o elenco é outro ponto forte do filme. A consistência das performances é algo que torna ainda mais viva e original sua trama. 

Nesta comédia excepcional, Wes Anderson filma sua primeira história de amor, de uma forma bem diferente do visto. Como já foi citado, os protagonistas são dois atores mirins, que interpretam um casal de crianças vivendo um romance juvenil na década de 60. O filme acompanha a vida, os problemas e os desejos de duas crianças apaixonadas, ou seja, não trata-se de uma história qualquer. Para construí-la é preciso ter uma complexa noção do que irá se descrever e o que irá se passar. Para isso, Wes Anderson teve uma ajuda bem especial de Roman Coppola, o (talentoso) filho de Francis Ford Coppola, igualmente cineasta como a filha do diretor, Sofia Coppola. Aqui, Roman não co-dirige o filme, mas sim, co-escreve o roteiro. 

Acredito que além de ser de Anderson, uma outra causa para minha paixão por este filme é sua estrutura épica: a fotografia monumental, o figurino bem desenhado, a direção de arte fenomenal, e é claro, todos os outros mais elementos que ajudam as obras de Wes Anderson a serem tão profundamente belas no quesito produção estão presentes aqui. O enquadramento de cada cena, a câmera fixa (uma característica onipresente em todos os filmes seus filmes), e a delicadeza volumosa. Enfim, todos os aceitáveis artifícios que Anderson utiliza para magnetizar seu público são os mesmos usados em Moonrise Kingdom, só que numa versão bem mais adaptada ás necessidades da história. 

E mais uma vez, Wes Anderson paralisa o público contando uma história tão bela e sutil como esta de uma maneira tão particular dele. Na mais indestrutível capacidade, Moonrise Kingdom brilha a cada fala. Moonrise Kingdom é uma fábula sensacional, e imperdível, por sua vez. Momentos em que Anderson, aguçadamente inspirado pelo passado, faz uma obra-prima igualmente cheia de inspiração, mas autenticamente encantadora no presente, que no futuro, torna-se conceituadamente memorável.

Moonrise Kingdom
dir. Wes Anderson - 

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