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terça-feira, 16 de agosto de 2016

RECOMENDO NA NETFLIX


Dando uma futucada na minha lista lá na Netflix, achei vários títulos importantes que talvez interessem a vocês, caros leitores ou para quem assina o serviço de streaming e ainda não sabe o que ver. Bem, alguns desses filmes eu ainda não vi. outros eu já conferi (aqueles que eu já conferi tem a cotação do lado/link da resenha). Caso vocês tenham visto algum dos filmes, não hesitem em deixar a opinião de vocês nos comentários, ok?

1. Ladrão de Casaca (dir. Alfred Hitchcock, 1955)
2. Scoop - O Grande Furo (dir. Woody Allen, 2006) ★★★★
3. Janela Indiscreta (dir. Alfred Hitchcock, 1954) ★★★★★
4. Tudo Sobre Minha Mãe (dir. Pedro Almodóvar, 1999) ★★★★★
5. Veludo Azul (dir. David Lynch, 1986) ★★★★★
6. Aconteceu Naquela Noite (dir. Frank Capra, 1934)
7. Dr. Fantástico (dir. Stanley Kubrick, 1964) ★★★★★
8. Mensageiro do Diabo (dir. Charles Laughton, 1955)
9. O Som ao Redor (dir. Kleber Mendonça Filho, 2012) ★★★★★
10. Um Corpo que Cai (dir. Alfred Hitchcock, 1958) ★★★★★
11. Ata-me (dir. Pedro Almodóvar, 1990)
12. Um Estranho no Ninho (dir. Milos Forman, 1975)
13. Os Excêntricos Tenenbaums (dir. Wes Anderson, 2001) ★★★★
14. Deus da Carnificina (dir. Roman Polanski, 2011) ★★★★★
15. Sindicato de Ladrões (dir. Elia Kazan, 1954) ★★★★★
16. Taxi Driver (dir. Martin Scorsese, 1976) ★★★★★
17. Rede de Intrigas (dir. Sidney Lumet, 1976)
18. A Marca da Maldade (dir. Orson Welles, 1958)
19. Harry & Sally - Feitos Um para o Outro (dir. Rob Reiner, 1989)
20. Amadeus (dir. Milos Forman, 1984)
21. Amnésia (dir. Christopher Nolan, 2000)
22. Psicose (dir. Alfred Hitchcock, 1960) ★★★★★
23. Glória Feita de Sangue (dir. Stanley Kubrick, 1957) ★★★★★
24. O Escafandro e a Borboleta (dir. Julian Schnabel, 2007) ★★★★★
25. Perdidos na Noite (dir. John Schlesinger, 1969) ★★★★★
26. A Escolha de Sofia (dir. Alan J. Pakula, 1982) ★★★★★
27. O Sonho de Cassandra (dir. Woody Allen, 2007) ★★★★
28. A Pele que Habito (dir. Pedro Almodóvar, 2011) ★★★★★
29. Quanto Mais Quente Melhor (dir. Billy Wilder, 1959) ★★★★★
30. Gênio Indomável (dir. Gus Van Sant, 1997) 
31. What Happened, Miss Simone? (dir. Liz Garbus, 2015) ★★★★
32. Pulp Fiction (dir. Quentin Tarantino, 1994) ★★★★★
33. O Pântano (dir. Lucrecia Martel, 2001)
34. M*A*S*H (dir. Robert Altman, 1970)
35. A Caça (dir. Thomas Vinterberg, 2012) ★★★★
36. Malena (dir. Giuseppe Tornatore, 2000)
37. Onde os Fracos Não Tem Vez (dir. Joel & Ethan Coen, 2007) ★★★★★
38. Drive (dir. Nicolas Winding Refn, 2011) ★★★★★
39. Sangue Negro (dir. Paul Thomas Anderson, 2007) ★★★★★
40. Kes (dir. Ken Loach, 1969) 
41. Os Suspeitos (dir. Denis Villeneuve, 2013) ★★★★★
42. Amores Brutos (dir. Alejandro González Iñárritu, 2000) ★★★★★
43. Um Sonho de Amor (dir. Luca Guadagnino, 2009) 
44. O Casamento de Rachel (dir. Jonathan Demme, 2008) ★★★★
45. Na Mira do Chefe (dir. Martin McDonagh, 2008) ★★★★★
46. Cosmópolis (dir. David Cronenberg, 2012)
47. Clube da Luta (dir. David Fincher, 1999) ★★★★★
48. O Barco: Inferno no Mar (dir. Wolfgang Petersen, 1981)
49. Foi Apenas um Sonho (dir. Sam Mendes, 2008) ★★★★
50. Lawrence da Arábia (dir. David Lean, 1962)

sexta-feira, 6 de março de 2015

UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT / 1ª Temporada


Com um elenco talentosíssimo, Unbreakable Kimmy Schmidt é mais um resultado triunfal da brilhante parceria de Tina Fey e Robert Carlock, conhecidos principalmente pelo aclamado 30 Rock.

Depois de quinze anos após raptada, privatizada e transformado-se em membra de uma seita apocalíptica, Kimmy Schmidt, junto com outras três reféns, é libertada. Porém, todo o tempo que perdeu nesse fatídico episódio constroem uma enorme influência na vida de Schmidt após sua saída, o que ocasiona a ela alguns problemas como: emprego, dinheiro, casa... 

O primeiro episódio é um dos mais estranhos, por que tudo acontece muito rápido. Mas não deixa de ser engraçado e igualmente prazeroso. Só a partir do segundo é que você começa a compreender o conceito criativo de toda a série, incluindo a sátira subversiva e o humor afiado, já presentes no trabalho anterior de Fey (e seu mais, repetindo, conhecido) 30 Rock. Desta vez, Tina não atua, o que possivelmente não funcionaria, já que quebraria aquela imagem mais séria e contundente que ela passa nos seus personagens. 

Ellie Kemper, no papel de Kimmy, é divertidíssima. Eu ainda acredito que poderia ter uma escolha melhor para o papel, no entanto, como no momento Kemper é uma das comediantes de mais sucesso e agraciação, a personagem caiu-lhe bem. Gostei da performance de Tituss Burgess, na interpretação de Titus, o companheiro de quarto de Kimmy, que confesso: me fez rir muito.

É claro, também contando com participações extras, como a de Carol Kane, já idosa, mas ainda ativa. Um roteiro estratégico e verossímil, assinado por Fey, Carlock e Burditt. Uma direção bem instintiva, cheia de pontos e conflitos altos. A série é bem incomum, de fato, mas é uma delícia. Tina Fey continua satirizando como sempre, aqui de uma maneira um pouco menos rígida e com um objetivo bem mais comercial, já que a série é transmitida pela Netflix (a NBC cancelou a exibição da série), impossibilitando àqueles que não tem acesso ao canal pago da internet de assistir, o que meio a limita de favorecer todo o sarcasmo dos diálogos e a marcação do roteiro, coisas que eu gostava bastante de 30 Rock. 

Comédia americana é coisa de louco mesmo. Até por que cada episódio é bem mais complexo do que o outro, afinal, as opções limitam-se. Hoje em dia há uma variedade de produções televisivas, principalmente comédias, no circuito da mídia, o que me alegra. Unbreakable Kimmy Schmidt aborda o cotidiano num humor mais fácil, suave, simbólico, mas ainda liberal, concreto e agradável. São as novas comédias. Sempre é necessário usar alguns artifícios mais carinhos e deixar aquela expressividade monumental de lado, pois nem sempre todos querem comprá-la. Mesmo não sendo daquele estilo Fey cem por cento, eu comprei Unbreakable Kimmy Schmidt. Quem admira o trabalho da comediante americana, tem uma aprovação garantida, da sua, mais uma vez, competência genial.

1ª TEMPORADA - ★★★★
MELHOR EPISÓDIO: Kimmy Goes on a Date! - ★★★★

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

THE OFFICE / 8ª Temporada



Qualquer cinéfilo, ao longo de um certo tempo, adquire um gosto por televisão. Em meu caso, a paixão por esse meio de comunicação que não se afasta tanto da minha querida sétima arte surgiu principalmente nos seriados.. Em meus primeiros tempos como cinéfilo, já tinha um especial gosto por televisão, centralmente falando: as séries.

The Office é um seriado americano que teve sua estreia em 2005. The Office ganhou diversos prêmios e foi aclamado pela crítica e pelo público televisivo em pouco tempo após sua estreia. Em nove temporadas, conquistou todo um público enfeitiçado com aquele universo singular de personagens bem humorados e suas "vidas de escritório". Em The Office, o foco é a relação entre as diversas pessoas dentro de um determinado local de trabalho: suas divergências, seus passatempos, suas discussões, e isto mais. Me interessei pela série logo que fui assistindo os primeiros episódios, ainda lá da temporada inicial, com o elenco ainda pequeno. Minha paixão por ela, com o tempo, se amplificou. Me transformei em um fã. 

Isso ocorreu, como dito, há um considerável pouco tempo, pra ser mais sincero, há um pouco mais de um ano. Por isso, uma das temporadas mais recentes que eu tive a oportunidade de assistir (completa) foi a oitava, encontrada no Netflix. É claro, antes disso, eu já tinha um breve contato com os episódios de The Office: a série já foi transmitida em TV aberta e frequentemente seus episódios eram exibidos pelo canal fechado FX, que deixou de exibir a série no início de 2014, com o fim de sua transmissão na América. 

The Office é uma série com um público pequeno no Brasil. Por ter um humor mais requintado, ausente de alguns artifícios humorísticos que mais atraem as pessoas, como aquele já instituído pastelão, The Office teve uma curta passagem pela TV aberta, mais especificamente pela Rede Record, onde também foi um colega de Um Maluco na TV (30 Rock), outra série americana que não fez sucesso nas telinhas brasileiras, e por isso, não demorou muito para ter sua exibição adiada. Talvez, o fato do fracasso televisivo aqui no Brasil dessas duas séries é o conteúdo mais "americanizado". Muitas das piadas são incompreensíveis ao público nacional, que não consegue se identificar com os personagens por conta dessa diferença, ou até mesmo por alguns dos elementos mais próprios envolvendo cultura (sem incitar a ignorância e o desrespeito daqueles que desconhecem esses padrões culturais da série, e sem mais nem menos, a criticam pela inexistência de prazer, o que me aborrece demais). Mesmo assim, acredito que não precisa ter uma certa identificação com The Office para simplesmente ama-la. The Office, Louie, Um Maluco na TV, Monk, e outras séries com uma estrutura mais voltada à cultura americana foram ocultadas do nosso público pela ausência significativa de audiência. 

Enfim, ao assistir seriamente á The Office em sua oitava temporada, pude observar de perto a delicadeza com a qual a série é feita. Num estilo de pseudo-documentário, muita gente se lembrará de Modern Family, uma cópia dessa técnica originalizada pela série. Em The Office, há uma certa combinação de elementos que me causam uma certa intriga e ao mesmo tempo, conduzem o resultado da minha preferência por ela. Steve Carell mostra seu inconfundível talento nesta série, e que é bem perceptível em cada episódio do qual ele é a estrela principal. Jenna Fischer faz uma coadjuvante implacável, sem deixar de comunicar-nos o bom humor de sua personagem. Porém, confesso aqui que meu apreço foi com o personagem singular e enigmático de Rainn Wilson, Dwight Schrute. É claro, cada um tem seu nível de "bizarrice", só que o mais bizarro é sem sombra de dúvida Dwight! Ed Helms foi outra grande surpresa merecedora de aplausos, com o personagem Andy Bernard. Na oitava temporada, uma personagem feminina também me chamou a atenção: Ellie Kemper, atriz que só tive a oportunidade de assistir no filme Missão Madrinha de Casamento. Com ele, ficam meus aplausos e minhas gargalhadas mais efusivas. Entre outras, os vinte e quatro episódios da oitava temporada de The Office são simplesmente divertidíssimos. Uma das maiores séries cômicas da televisão americana, The Office me ganhou profundamente, e também adquiriu de mim um reconhecimento enorme, por tudo: o roteiro, a direção, o elenco. Tudo em The Office é muito bem feito, fruto de um trabalho magnífico feito por toda a produção, do elenco á equipe técnica. Todos estão de parabéns por terem feito algo tão concreto e digno de elogios como The Office, ainda mais nesta temporada.

8º TEMPORADA - ★★★★★

O MELHOR EPISÓDIO: Christmas Wishes (ep.10) - ★★★★★
MENÇÃO HONROSA: Trivia (ep. 11) -  ★★★★

domingo, 18 de janeiro de 2015

Crítica: "MOONRISE KINGDOM" (2012) - ★★★★


Uma das razões para eu ter amado Moonrise Kingdom é a inconfundível autoria de um dos maiores cineastas da atualidade, Wes Anderson, que a cada filme, tem mostrado uma maestria singular e autoral. Nem mesmo sua recente película O Grande Hotel Budapeste (por mais sofisticada e genial que seja) não conseguiu superar Moonrise Kingdom, um real clássico instantâneo, tão belo por ser tão simples e modesto.

Moonrise Kingdom conta a história de dois adolescentes, um escoteiro órfão e uma garota problemática, que se apaixonam e planejam fugir. O que eles não planejaram era a catástrofe que a situação se tornaria, causando um intenso pânico na pequena ilha de New Penzance, onde os moradores locais e a polícia entram em um complicado conflito na busca dos dois amantes. Bem, pra iniciar, quem conhece Wes Anderson sabe muito bem que ele é um diretor que filma por temporadas (de dois a quatro anos para lançar um novo filme), e estes diretores quase nunca tem um fracasso no currículo. No caso de Anderson, existem apenas (tecnicamente) dois fracassos presentes em sua carreira de oito (atuais) filmes: o pretensioso e abusivo A Vida Aquática com Steve Zissou e o imaginativo, mas inconsciente Viagem a Darjeeling. Moonrise Kingdom segue o mesmo padrão dos filmes de Wes Anderson: guiados por uma mística e colorida fotografia e um roteiro criativo e poderoso.

Neste filme, a atração ficou com o elenco, a maioria formado por atores mirins, entre eles, os protagonistas de destaque: Jared Gilman e Kara Hayward. Entre outras, a maioria do elenco é estrelado por alguns dos colaboradores mais frequentes de Anderson: Bill Murray, Edward Norton e Jason Schwartzman (é lógico). Outros dois atores que também, mais tarde, se tornariam colaboradores de Anderson (em O Grande Hotel Budapeste) estão aqui: Tilda Swinton e Harvey Keitel. Independente de colaborações ou referências, o elenco é outro ponto forte do filme. A consistência das performances é algo que torna ainda mais viva e original sua trama. 

Nesta comédia excepcional, Wes Anderson filma sua primeira história de amor, de uma forma bem diferente do visto. Como já foi citado, os protagonistas são dois atores mirins, que interpretam um casal de crianças vivendo um romance juvenil na década de 60. O filme acompanha a vida, os problemas e os desejos de duas crianças apaixonadas, ou seja, não trata-se de uma história qualquer. Para construí-la é preciso ter uma complexa noção do que irá se descrever e o que irá se passar. Para isso, Wes Anderson teve uma ajuda bem especial de Roman Coppola, o (talentoso) filho de Francis Ford Coppola, igualmente cineasta como a filha do diretor, Sofia Coppola. Aqui, Roman não co-dirige o filme, mas sim, co-escreve o roteiro. 

Acredito que além de ser de Anderson, uma outra causa para minha paixão por este filme é sua estrutura épica: a fotografia monumental, o figurino bem desenhado, a direção de arte fenomenal, e é claro, todos os outros mais elementos que ajudam as obras de Wes Anderson a serem tão profundamente belas no quesito produção estão presentes aqui. O enquadramento de cada cena, a câmera fixa (uma característica onipresente em todos os filmes seus filmes), e a delicadeza volumosa. Enfim, todos os aceitáveis artifícios que Anderson utiliza para magnetizar seu público são os mesmos usados em Moonrise Kingdom, só que numa versão bem mais adaptada ás necessidades da história. 

E mais uma vez, Wes Anderson paralisa o público contando uma história tão bela e sutil como esta de uma maneira tão particular dele. Na mais indestrutível capacidade, Moonrise Kingdom brilha a cada fala. Moonrise Kingdom é uma fábula sensacional, e imperdível, por sua vez. Momentos em que Anderson, aguçadamente inspirado pelo passado, faz uma obra-prima igualmente cheia de inspiração, mas autenticamente encantadora no presente, que no futuro, torna-se conceituadamente memorável.

Moonrise Kingdom
dir. Wes Anderson - ★★★★

Crítica: "TUDO PODE DAR CERTO" (2009) - ★★★★


Nos últimos anos, a carreira de um dos maiores cineastas da história, Woody Allen, foi preenchida por filmes mal criticados, com baixo orçamento e menor bilheteria, e com histórias, de fato, ruins - segundo a crítica -. Talvez, essa necessidade do diretor de criar uma conexão com a geração atual e a modernidade tenha o causado alguns problemas, cinematograficamente - tudo aos olhos da crítica -. Poucos filmes recentes de Woody tem ganhado sucesso - novamente, aos olhos da crítica -. Vicky Cristina Barcelona, Meia-Noite em Paris, Match Point - Ponto Final, Blue Jasmine e por que não Tudo Pode Dar Certo. Entre os fracassos críticos e públicos do cinema atual de Woody, o melhor filme entre estes ruins pode ser Tudo Pode Dar Certo, ao lado de O Sonho de Cassandra. 

Muitos desses filmes ruins apresentam novas experiências do cineasta: suspenses, dramas, épicos, e é claro, algumas comédias românticas. A que mais se destaca é Tudo Pode Dar Certo. O filme me lembrou misticamente Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, por ter seu protagonista, Larry David, se pronunciando ao público em diálogos bem semelhantes ao de Alvy Singer. Nesta película, Woody Allen focaliza na relação de uma jovem sulista ignorante e um intelectual nova-iorquino. O que os separa tanto de uma possível conexão é a diferença de idade. E pela aparência, é uma história simples. Pura e divertida, não há pretensões ou padrões em Tudo Pode Dar Certo. Parece que Woody filmou a película apenas como uma forma de entretenimento, sem nenhuma razão específica. São esses filmes do diretor que mais me atraem, ou de certa forma, me causam surpresa: filmes com uma estrutura fraca, mas com personagens bem definidos e tramas cordiais. É melhor ver o bom senso de Woody numa película tão característica como esta do que vê-lo desesperado tentando refilmar o sucesso de um filme anterior, o que pode ser muito bem visto no recente filme de Woody, Magia ao Luar.

Larry David mostrou-se fiel e competente ao personagem. Com doses bem altas de neurose e outras mais ainda de sarcasmo, é inevitável aceitar que Woody fez uma boa escolha quando colocou David para interpretar seu clássico protagonista intelectual, cético e frio. Pra ser sincero, talvez essa escolha seja uma das melhores que Woody já realizou. David coube perfeitamente. Há uma grandiosa equivalência entre Woody e Larry. Ambos são celebridades cômicas, cujos personagens celebraram a cultura artística americana até os dias de hoje. Outra coisa que atravessou minhas ideias foi Woody protagonizar o filme. Ultimamente, o cineasta vem evitando sua presença em seus próprios filmes (o que era uma coisa tão usual na década de 70/80/90), e mais tecnicamente, sua última aparição em um filme de sua autoria foi em Para Roma Com Amor. Vê-lo novamente em Tudo Pode Dar Certo seria um magnífico triunfo. Acredito que esse filme também tenha um pouco de inspiração na vida real de Woody Allen: sempre tem. Os mais experientes e, como popularmente se diz, "entendedores" conseguiram captar que a história narrada aos 91 minutos do filme é bem próxima á história verdadeira do relacionamento polêmico de Woody Allen e sua filha adotiva na década de 90, o que resultou em seu divórcio conflituoso com Mia Farrow, cujo impacto permanece até os dias de hoje, e no seu casamento com Soon-Yi Previn. 

Quem conhece Woody Allen bem de perto vai desconhecer, mas concordar com Tudo Pode Dar Certo. O estilo de Woody mais uma vez prova-se capaz de produzir diversas histórias filmadas nos mesmos ângulos. É por isso que a cada filme, Woody Allen torna-se mais compreensível, e eu me torno mais inspirado e relacionado à ele. Por sua contribuição, Woody ainda tem o poder de encantar através dessas pequenas, mas satisfatórias tramas que se desenvolvem no mais belo contexto que Woody já representou em toda a sua carreira: o amor.

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works)
dir. Woody Allen - ★★★★

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Crítica: "HABEMUS PAPAM" (2011) - ★★★★


Habemus Papam tem o impacto de toda uma situação, ou uma época. Trata-se não só de uma história que busca limitar a Igreja Católica dentro da mídia e dos outros meios de comunicação, mas é um estudo severo da particularidade católica e da divergência religiosa entre a atual população mundial. O filme analisa com criatividade a entrada de um papa após a morte do pontífice que ocupava o cargo de maior prestígio dentro do universo católico. Desde á seleção dos candidatos até o rigoroso processo final, a trama envolve todo o questionamento da Igreja Católica em meio á dúvida e responsabilidade. Tudo comandado artificalmente por Nanni Moretti, uma das maiores revelações de todos os tempos do cinema italiano. 

Numa produção épica, Habemus Papam mostra o diário e o cotidiano silencioso e rigoroso dos ex-candidatos ao pontífice após a eleição do mesmo. Cada cena traz a filosofia da Igreja Católica através das inquisições e o preparamento para a cerimônia de pontificado do papa. Conduzido com maestria, o roteiro apresenta alguns pontos cruciais para o entendimento de todo o filme, que apresenta uma metáfora do moderno mundo em que vivemos em relação á religião de cada um. Isso pode ser detalhadamente observado na cena inicial, onde os candidatos se dirigem ao mais isolado momento decisivo para a escolha de um representante. De várias nacionalidades, é possível ver o encontro de muitas nações através dessa cena. Um candidato árabe é citado ao lado de um candidato africano. Um jornalista analisa cada nacionalidade, e seus respectivos candidatos. Dentro da mesma cena, uma série de falhas na comunicação parece ceder o ansioso momento que retrata a decisão mais precisa da Igreja Católica diante da decisão inimaginável de suceder um papa, que já foi relatado e comparado anteriormente com a morte do Papa João Paulo II em abril de 2005 e a sucessão, fornecida ao Papa Bento XVI. Há uma possível comparação com a recente abdicação de Bento XVI, que foi sucedido pelo argentino Francisco I (o primeiro papa sul-americano). 

Porém, o filme se divide quando o papa é tomado por uma constante dúvida entre a escolha e sua capacidade de governar o maior poder religioso, presente em todas as civilizações do mundo. E diante de tamanha situação, o papa decide se abrigar no boêmio mundo da Roma moderna para repensar sobre as oportunidades e sua vida, assim como memórias de uma "vida anterior" longe da privatização da religião. E com a "fuga" do papa, as autoridades do Vaticano fazem de tudo para estabelecerem a situação no melhor possível para não desfigurar as informações da mídia, o que se completa num desastre eufórico: um soldado é instalado nos aposentos de Vossa Santidade para estabelecer uma imagem positiva diante da embaraçosa e catastrófica calamidade do momento, que dentro dos padrões da mídia, se tornaria um escândalo. O resultado dessa análise é triunfal. Com direito á performance cômica e desbravadora de Nanni Moretti, Habemus Papam é uma crítica cinematográfica ao universo privado da religião e a relação turbulenta da Igreja Católica com a mídia. Habemus Papam é uma observação essencialmente requisitada e altruísta. 

Habemus Papam 
dir. Nanni Moretti - ★★★★