sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Crítica: "HABEMUS PAPAM" (2011) - ★★★★


Habemus Papam tem o impacto de toda uma situação, ou uma época. Trata-se não só de uma história que busca limitar a Igreja Católica dentro da mídia e dos outros meios de comunicação, mas é um estudo severo da particularidade católica e da divergência religiosa entre a atual população mundial. O filme analisa com criatividade a entrada de um papa após a morte do pontífice que ocupava o cargo de maior prestígio dentro do universo católico. Desde á seleção dos candidatos até o rigoroso processo final, a trama envolve todo o questionamento da Igreja Católica em meio á dúvida e responsabilidade. Tudo comandado artificalmente por Nanni Moretti, uma das maiores revelações de todos os tempos do cinema italiano. 

Numa produção épica, Habemus Papam mostra o diário e o cotidiano silencioso e rigoroso dos ex-candidatos ao pontífice após a eleição do mesmo. Cada cena traz a filosofia da Igreja Católica através das inquisições e o preparamento para a cerimônia de pontificado do papa. Conduzido com maestria, o roteiro apresenta alguns pontos cruciais para o entendimento de todo o filme, que apresenta uma metáfora do moderno mundo em que vivemos em relação á religião de cada um. Isso pode ser detalhadamente observado na cena inicial, onde os candidatos se dirigem ao mais isolado momento decisivo para a escolha de um representante. De várias nacionalidades, é possível ver o encontro de muitas nações através dessa cena. Um candidato árabe é citado ao lado de um candidato africano. Um jornalista analisa cada nacionalidade, e seus respectivos candidatos. Dentro da mesma cena, uma série de falhas na comunicação parece ceder o ansioso momento que retrata a decisão mais precisa da Igreja Católica diante da decisão inimaginável de suceder um papa, que já foi relatado e comparado anteriormente com a morte do Papa João Paulo II em abril de 2005 e a sucessão, fornecida ao Papa Bento XVI. Há uma possível comparação com a recente abdicação de Bento XVI, que foi sucedido pelo argentino Francisco I (o primeiro papa sul-americano). 

Porém, o filme se divide quando o papa é tomado por uma constante dúvida entre a escolha e sua capacidade de governar o maior poder religioso, presente em todas as civilizações do mundo. E diante de tamanha situação, o papa decide se abrigar no boêmio mundo da Roma moderna para repensar sobre as oportunidades e sua vida, assim como memórias de uma "vida anterior" longe da privatização da religião. E com a "fuga" do papa, as autoridades do Vaticano fazem de tudo para estabelecerem a situação no melhor possível para não desfigurar as informações da mídia, o que se completa num desastre eufórico: um soldado é instalado nos aposentos de Vossa Santidade para estabelecer uma imagem positiva diante da embaraçosa e catastrófica calamidade do momento, que dentro dos padrões da mídia, se tornaria um escândalo. O resultado dessa análise é triunfal. Com direito á performance cômica e desbravadora de Nanni Moretti, Habemus Papam é uma crítica cinematográfica ao universo privado da religião e a relação turbulenta da Igreja Católica com a mídia. Habemus Papam é uma observação essencialmente requisitada e altruísta. 

Habemus Papam 
dir. Nanni Moretti - ★★★★

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