Para quem não conhece o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, ou não está acostumado ás obras que o diretor produz, Apenas Deus Perdoa soará pretensioso e inacabado, ou insatisfatório, talvez pela quantidade abusiva de violência e o uso desnecessário de efeitos técnicos como fotografia dentro deste enredo. E para quem o conhece, Apenas Deus Perdoa é um dos melhores filmes já realizados por ele. Para os mais cinéfilos, alguns só conheceram Nicolas Winding Refn por sua obra-prima do cinema, que o consagrou: Drive. Porém, as estranhezas do filme e as cenas batalhando por um espaço na monotonia do roteiro ganham vida triunfantemente dentro da narrativa transfigurada da película de Winding Refn.
A abertura de Apenas Deus Perdoa é excêntrica e extravagante, mas a trama de fato, ainda não começa ali. Só a partir do desenrolar da história é que a observação fica mais clara. A interpretação calorosa e intensa de Ryan Gosling é proporcionalmente artístico, e ao mesmo tempo, artificial. Talvez seja por que, Gosling, atuando em Drive como um autêntico mocinho, aparece aqui no papel de um anti-herói vivendo num exílio numa Bangcoc, nem tão luxuosa assim. A visão de Nicolas Winding Refn sobre Bangcoc é um ninho criminoso de trabalhos efetuados comunalmente pela polícia e a máfia um do lado do outro, e os becos imundos dos pobres bairros liderados por lutadores vagabundos e prostitutas sensuais. Do outro lado, Nicolas se sente inspirado por toda a conspiração que recobre a Bangcoc contemporânea: a busca catastrófica pelo poder e vingança. Intencionalmente ou não, cada minuto do filme é como um capítulo: cenários diferentes, personagens diferentes, e aqui, raramente essa "regra" é quebrada.
Não. Essa é a resposta para aqueles que questionam alguma relação de Apenas Deus Perdoa com Drive (comentários anteriormente citados sobre Ryan Gosling e sua performance insubstituível em ambos os filmes confirmam). Quando Apenas Deus Perdoa foi anunciado, muitos (os que já haviam assistido a Drive) imaginaram que Winding Refn, selecionando novamente Ryan Gosling, poderia repetir o mesmo feito do filme anterior. Talvez, a única semelhança entre os dois seja a locação, e por que não? Los Angeles e Bangcoc. Centros comerciais do planeta, cidades contemporâneas, e apesar de tudo, são sujas e tem como um dos principais cenários o crime, o que já foi filmado em Drive.
É possível afirmar que Apenas Deus Perdoa é um filme de ação, mas com pouquíssimas cenas retratando. Talvez, seja um filme de reflexão, ou apenas "para passar o tempo". Sua lentidão é uma característica inusual, abusada constantemente aqui por Winding Refn. E esse estilo, quase experimental, pode tornar cansativo e perplexo o desenrolar da trama, e um pouco sem sentido algum. Apenas Deus Perdoa é, praticamente, uma meditação visual. E com a dedicatória de Winding Refn á Alejandro Jodorowsky no final, tudo ganha sentido. E mais uma vez, Nicolas Winding Refn se consagra na direção astuta e arrebatadora, ás vezes, insistente, mas sempre trazendo surpresa.
Apenas Deus Perdoa (Only God Forgives)
dir. Nicolas Winding Refn - ★★★★
Apenas Deus Perdoa (Only God Forgives)
dir. Nicolas Winding Refn - ★★★★
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