O estilo cinematográfico de Mike Leigh é um tanto ortodoxo e particular, por trabalhar seguidamente histórias que buscam aprofundar a análise do comportamento humano civilizado. Ultimamente, Leigh tentou se libertar desse "dogma" filmando sob novos traços. Em 2004, recriou o universo londrino da década de 50 em meio á predestinação do preconceito e da revolução industrial em O Segredo de Vera Drake, um épico dramático que narra a história de uma dona-de-casa que realiza abortos ilegais, e após a descoberta desse segredo, a revolta da família e da sociedade contra Vera Drake. Foi, tecnicamente, a primeira vez em que Leigh decidiu usar seu afortunado talento para filmar uma narração á altura de O Segredo de Vera Drake.
Em 2008, Mike reaproxima o público de uma narrativa pouco vista ultimamente, de cenas únicas e cheia de paradoxos e questionamentos. Simplesmente Feliz retrata a euforia de uma sociedade e o anseio das pessoas por viverem num mundo melhor longe de todas as aquisições do universo repressivo e constante, ou talvez, apenas desejam se libertar da rotina usual. Mas nossa personagem principal demonstra o afeto e a eloquência da vida por apenas remodelar a situação e inventar uma visão diferente das outras pessoas. Poppy é uma professora do primário que não tenta buscar proporções adjetivas para cada problema, mas tenta fazer dele apenas um capítulo. Podemos dizer que esse filme é constituído de capítulos que insistem em ensinar-nos o valor de cada momento, a intensidade das palavras e a necessidade da reflexão. Tudo dentro da felicidade. O que nos faz feliz? Por que somos feliz? Quais os motivos da felicidade? Tudo é proporcional, ou a felicidade é repentina? Melhor: o que é a felicidade? O que esse sentimento conspira para causar um tamanho desempenho capaz de mudar, ou enfatizar o que mais se há de desejo? Será que a felicidade é a razão do viver? Será que a vida é a razão da felicidade? Por que tudo há de ter um porque? Nossa personagem principal, Poppy, não anseia por respostas, e sim, por perguntas. Depois de assistir a uma obra tão profunda como Simplesmente Feliz, a vida faça um pouco de sentido (ou perca). É por isso que as pessoas nunca se satisfazem: sempre buscam a resposta, e nunca analisam as perguntas. Julgam o caráter pelo sólido, e nunca procuram investigar por fontes e critério.
Poppy e sua singularidade original, sua vida e seus medos, seus segredos e seus desejos. E tudo isso graças á performance estrondosa de Sally Hawkins, que intepretou com uma sensata dignidade e particularidade nossa "heroína", que não seria Poppy sem Sally. Ao longo da história, o filme redesenha as características de Poppy num plano vivo que planeja investigar suas descobertas pessoais e sua objetividade astuta. Descobrir? O caminho das descobertas realmente é o caminho correto? Descobertas. Todas as descobertas são capazes de causar uma transformação? Enfim, são essas as questões que o diretor nos dirige ao final desses impecáveis 118 minutos de filme. Enfim, chega de questões. Nossa personagem principal está cheia de questões, está cheia de toda a hipocrisia e a impetuosidade criada pelos homens em torno do tempo. Poppy quer apenas ser feliz, quer apenas ser livre dentro de uma Londres fria, insensível e barroca. E de uma forma arrebatadora e misteriosa, ela consegue atingir a felicidade, e sua maior ambição é infectar as pessoas com sua felicidade, sua personalidade atrativa e emotiva. E essa é a lição que o diretor, aqui, nos aborda através de Poppy e sua relação com as outras pessoas. Raros filmes como este produzem uma mensagem tão simbólica. Por esse motivo, Simplesmente Feliz é uma obra de arte simplesmente genial, digna de cinco estrelas, digna de um reconhecimento filosófico. Mike Leigh e sua maestria comandam esse filme, que imobiliza e concretiza nossa percepção do mundo atual!
Simplesmente Feliz (Happy-go-Lucky)
dir. Mike Leigh - ★★★★★
Simplesmente Feliz (Happy-go-Lucky)
dir. Mike Leigh - ★★★★★

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