quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Crítica: "NINFOMANÍACA - VOLUME II" - ★★★★


A continuação do primeiro filme de Ninfomaníaca consiste nos últimos três capítulos da jornada sexual de Joe. Aqui, em Ninfomaníaca - Volume II Lars Von Trier repete o mesmo feito de Dogville e Manderlay. O primeiro filme trata-se de uma obra-prima cinematográfica original, porém, não se pode dizer o mesmo de sua continuação, que pretende prosseguir a história mas falha na tentativa de causar a mesma impressão do que o primeiro filme. No entanto, Ninfomaníaca - Volume II não tem os mesmos aspectos de Manderlay, pois ao contrário deste, as aventuras de Joe ganham mais vida através de um roteiro bem elaborado e a performance extravagante de Charlotte Gainsbourg, que não foi revelada no primeiro filme, protagonizado pela atriz jovem de Joe, Stacy Martin. A narrativa deste segundo filme ganha mais força e pretensão ao recontar toda a ninfomania e a história da vida de Joe, porém, Seligman, ouvinte atento de Joe, também passa a fazer parte desse filme. Ninfomaníaca - Volume II não é capaz de causar o mesmo impacto que o primeiro filme, mas apenas se afasta do clichê. 

Joe, agora uma mulher adulta, cria responsabilidade e adiciona novos quesitos em sua vida com Jêrome, oportunidades e chances. Uma das principais mudanças na vida de Joe nessa nova jornada é a gravidez espontânea e as dúvidas sexuais, agora que sofre o impasse de possuir uma autoridade maior ao redor de si mesma, e agora, que não depende apenas dela. Os problemas na vida de Joe aumentam progressivamente, enquanto ela ainda sofre uma pequena sensibilidade em relação á sua vida sexual. Joe, ao contorno do amadurecimento, perde o prazer sexual, e isso torna-se um problema em sua vida, pois isso intensifica seu encontro com outros homens, e isso apenas piora sua relação depreciativa com Jêrome, que sente o peso da irresponsabilidade de sua mulher. Porém, mesmo sabendo que os planos de Joe estão bem longes de formar uma família própria, ele rejeita qualquer negação vinda Joe nessa altura, e apenas oprime suas opiniões pessoais, incrementando as possibilidades de um possível casamento. Uma ruptura, de repente, atinge Joe e Jêrome, que são separados instantaneamente em decorrer do processo de Joe em busca do prazer. Uma das cenas mais calorosas do filme: na noite de Natal, o filho pequeno, Joe e Jêrome discutem a questão irremediável da fidelidade e da construção de uma família, da qual Joe discorda. Aleatoriamente, Joe procura novas formas de incentivar sua interação sexual, entre elas o sadomasoquismo (cenas absolutamente desformais protagonizadas ativamente por Charlotte Gainsbourg e Jamie Bell); Joe e Jêrome decidem apartar a relação, e ela carrega sozinho consigo a criança fruto de sua relação com Joe, e a criança é futuramente enviada a um orfanato. Anteriormente á esta cena, foi bem possível relacionar uma das cenas com a cena inicial de Anticristo: o filho pequeno de Joe e Jêrome sai do berço e caminha em direção á uma varanda, encantado com os faróis iluminados de um trator. Essa possibilidade apenas aumenta, e é confirmada quando a trilha sonora toca "Lascia ch'io pianga", a mesma da abertura do já citado Anticristo, de Von Trier, intencionalmente ou não. Joe intenta por questionar seu lugar na sociedade abusiva, e então, através de conclusões tênues e complexas sobre invenções da humanidade, limites, imposição e preconceito, Joe analisa tudo o que ocorreu e busca um sentido provável de sua ninfomania, desde sua privação do mundo social até sua insatisfação com o mundo ao seu redor. E ao final do filme, encerra-se um genial ciclo criado por Von Trier, e mais uma história inesquecível na carreira do diretor dinamarquês. Apesar da minha insatisfação pessoal com o final dessa nova jornada, é impossível não afirmar que os dois filmes de Ninfomaníaca constroem o melhor de Lars Von Trier, com uma sensibilidade e originalidade própria do aclamado cineasta, que encerra proporcionalmente a trilogia da depressão, iniciada com Anticristo e centralizada na magnífica obra Melancolia. Mais um dos filmes que garantem a cinematografia de Lars Von Trier, e sua onipotente visão do mundo.

Ninfomaníaca - Volume II (Nymphomaniac - Volume II)
dir. Lars Von Trier - ★★★★

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