sábado, 14 de março de 2015

Crítica: "NO AUGE DA FAMA" (2014) - ★★★


Pra ser bem sincero, Chris Rock é um dos comediantes que eu mais admiro. Uma lenda, por se dizer. Não só ele. Louis C.K., Sarah Silverman, Tony Rock (irmão de Chris, que está no filme), Adam Sandler, Richard Pryor, Bill Cosby... Todo esse pessoal do stand-up ajudou a construir um gênero derivado do humor, à parte especificamente, cujo igualmente aprecio: a sátira. No entanto, Chris Rock, no cinema, nunca obteve tanto êxito quanto ao que produziu nos palcos. 

Mesmo que garanta boas risadas, No Auge da Fama mostra Chris Rock imitando uma espécie de Woody Allen, o que até está no nome do protagonista feito por ele: Andre Allen, só que bem menos intelectual e bem mais pop, o que detestei. O filme resume-se, basicamente em: um famoso comediante entrando em colapso com a carreira entra numa crise existencial ao se apaixonar por uma jornalista (uma mistura incoerente, de comédia romântica com humor negro). Sem falar que o filme repete todo aquele estereotipo racista, o que, pra falar a mais profunda verdade, já encheu o saco de muita gente, para quem conhece ele desde o Comedy Central. Dos traços de maior identificação até mesmo presentes em um de seus trabalhos mais reconhecidos, como o seriado Todo Mundo Odeia o Chris, aqui se encontram num clichê inviável, por exemplo, as cansáveis piadas sobre o Prince. Sim, quem for detalhista achará em uma cena. 

No Auge da Fama é puro Rock, em alguns termos: o humorista, sem ideias para uma produção mais criativa, cria uma receita persuasiva porém chata de alguns de seus elementos mais sucessivos. Realmente, ver o Chris Rock de antigamente está bem difícil. Por favor, não levem a mal. Estou criticando o filme, mas não o estilo de Chris. O cara tem talento para fazer isso: comédia. Mas, infelizmente, seu novo filme não é lá tão ótimo quanto eu esperava. Por favor, não achava assim que encontraria nesta película uma adição de Woody Allen com Spike Lee subtraindo plano principal e multiplicando por uma rentável, mas não salvadora, crítica ao padrão de vida americano atual. Faltou principalmente conflito. Algo para ferver a fria e pesarosa tensão das pobres tramas de No Auge da Fama

No Auge da Fama (Top Five)
dir. Chris Rock - 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Crítica: "PSICOSE" (1960) - ★★★★★


Dentre os filmes essenciais da cinefilia, é impossível exceder Psicose, o filme mais conhecido do cineasta mais impactante de uma geração inteira (e um dos mais geniais, temo). Psicose, por mais dos poucos recursos que utiliza, é um filme fantástico. Uma lendária obra-prima cinematográfica, um dos nossos tesouros mais preciosos. As técnicas simplistas de Alfred Hitchcock não necessitam de explicação em um de seus filmes onde a direção é um dos elementos que mais se destaca.


Não há como duvidar, sob qualquer visão, do filme, quero dizer, das técnicas. São primitivas, é correto, mas são revolucionárias. É um dos pontos mais extraordinários de Psicose. Numa época onde filmes do gênero eram bem mais arriscados por serem polêmicos e violentos, Psicose tende a ser uma inovação lindíssima, e isso inclui a divina performance de Janet Leigh e a eletrizante trilha sonora.

O fim do espetáculo é o melhor. Inteligente, fugaz, indelicado e louco. É esse Hitchcock que eu admiro. Dono de uma filmografia ímpar, única, Alfred parece estar bem relaxado à Hollywood, um avulso universo de gêneros. Parece indiferente ao notar que é o maior representante de um gênero complexo e difícil. Homem de poucas palavras, não o culpo. Suas maravilhosas películas respondem ao título lhe dado. 

Sem efeitos visuais, sem computação, sem maquiagem, sem mixagem... Hitchcock fez nascer um cinema. Um cinema que particularmente me encanta. Neste filme, esse cinema dispensa pesados atrativos, ainda que nele tenha uma cena das mais icônicas já feitas na história, além de ser uma das mais bem fotografadas (e incluir um grito ainda mais simbólico). Cabelos molhados, papel rasgado, toalha arrancada... Psicose é tenebrosamente detalhista. Característica que exige atenção do espectador. Pra mim mesmo, clássico que é clássico só mesmo como Psicose: elementar e provocante, belo e feio ao mesmo tempo, novo e sensato, e que é claro, conte uma memorável história, para matar a fome, sabe? Nesse quesito, posso-lhes confiar: Psicose é um banquete!

Psicose (Psycho)
dir. Alfred Hitchcock - ★★

terça-feira, 10 de março de 2015

Crítica: "CAKE - UMA RAZÃO PARA VIVER" (2014) - ★★


Ver Jennifer Aniston atuando em comédias é bem usual. Pra começar dizendo a verdade, Jennifer Aniston mesmo só era boa em Friends, por que o cinema nunca foi seu forte. Cake - Uma Razão para Viver é o primeiro filme maturo de Jennifer Aniston, bem assim como sua estreia em uma personagem dramática, algo que chamou muito a atenção nos últimos tempos. Aclamada pela performance, Aniston parece bem segura de si, fora do ninho. É a primeira vez que seu talento me atrai. Um talento que, volto a repetir, só mesmo visível em Friends. Por isso, Cake - Uma Razão para Viver é uma boa chance de vê-la, pela primeira vez, competente num trabalho cinematográfico. 

Atire a primeira pedra quem não concordar: 2014 foi um bom ano para produções independentes. Mesmo assim, discordo que Cake - Uma Razão para Viver, seja uma das principais. Cake, mesmo ao contar com a grande participação de Jennifer, é decepcionante, vazio, melancólico (por falta de observação) e choroso. Muito choroso. Cake - Uma Razão para Viver deixa o público sem respostas para questões anteriormente criadas na trama, o que pra mim, foi inaceitável (e o que infelizmente ocorre por toda a película). 

Cake - Uma Razão para Viver cria um clima incessante de suspense com comédia, que não combina com a imagem dramática da jornada desesperada da problemática Claire Simmons, uma dona-de-casa derrotada com os problemas de um cauteloso passado tentando reconstruir o suicídio de uma das integrantes do grupo de apoio que participava, Nina. No meu ver, Cake - Uma Razão para Viver não soube utilizar corretamente os instrumentos ao redor. O roteiro limita detalhes a partir de alguns acontecimentos na vida da protagonista, o que já afirmei, me deixou aborrecido. Aniston trabalhou bem sua protagonista, por mais mal-escrita que ela foi, dando ênfase à culpa e ao sofrimento. É meloso, mas gostei do mesmo jeito. 

Por isso, pessoal, se há uma verdadeira razão para ver Cake - Uma Razão para Viver é Jennifer Aniston. Unicamente ela, se é que posso dizer. Tem a Adriana Barraza, que em uma cena, extravasa com tudo, o que eu particularmente adorei, brigando em espanhol com Claire. Huffman não tem destaque e H. Macy só aparece em uma cena ainda atuando num misterioso carácter sem nome. Foi um sufoco sustentar essa falta de conexão do filme. Mas Aniston e a trilha sonora salvaram o que eu chamaria de decepção. Ou um sentimento de pânico interior meramente ligado à frustração e ao indômito. Pra finalizar: você não achará nenhuma "razão para viver" em Cake, tal como o maldito título oferecido ao drama americano pelas distribuidoras brasileiras sugerem. 

Cake - Uma Razão para Viver (Cake)
dir. Daniel Barnz - 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Crítica: "LIVRE" (2014) - ★★★


Livre é um filme que perturba, não só por sua forte história, mas também por aspectos um tanto melancólicos que acompanham a triste jornada de Cheryl Strayed, uma mulher comum, mas cuja vida não lhe deu descanso por um longo tempo. Livre me lembra bem sorrateiramente filmes como Preciosa e Tudo Sobre Minha Mãe, de protagonistas femininas dramáticas exímias. Não comparo, no entanto, Livre às duas obras-primas citadas acima. Concordo que Livre me fez refletir bastante sobre essa questão existencialista e sentimental que tanto afoga minha imagem cordial do agradável. Livre, intencionalmente, não é agradável. Eu pelo menos, achei Livre um dramalhão. É angustiante ver o que acontece diante de você, sabendo que aquela mesma história é real, aconteceu drasticamente com uma pessoa. Diante do meu ponto de vista, Livre deixou a desejar por alguns motivos, a maioria deles não-relacionados ao meu desconforto em vê-lo, se alguns enxergaram deste modo.

Cheryl é uma mulher que sofreu muito por todo o seu curto período de vida. Atravessou situações horrorosas: presenciou a degradação humana, viveu-a, conviveu em circunstâncias indescritíveis durante uma fase de luto, divórcio, e ainda teve a coragem de aventurar-se numa trilha pela costa do Oceano Pacífico como forma de afastar a mente da triste verdade. Pensar que essa alguém com toda essa ficha existe é muito estranho.

Livre  me deixou com dúvidas. Reese Whiterspoon pode animar em algumas cenas, e na realidade, tem uma performance pra lá de boa, só que o roteiro não libera a consistência necessária que seu personagem exige. Toda aquela bagunça de flashback pode confundir a cabeça dos menos atenciosos. Livre deveria tratar unicamente dessa trilha feita por Cheryl, o que com certeza poderia ter dado um filmaço. Essas questões dos problemas pessoais com a família, traição e tudo o mais poderiam ter sido deixadas num segundo plano, algo bem menos expressivo do que é mostrado aqui. Afinal, Livre não tem um objetivo ao certo, se formos analisar pelo fundo. Uma hora, é a trilha. A outra, seu casamento. Depois vem a mãe doente... Livre não é um filme do estilo complexidade. É mais um documentário (essa ideia me deixou fascinado, por sinal). Poxa... eu não poderia dizer que assistir foi decepcionante, por que até gostei da Reese e da direção do Jean-Marc, que deu o Oscar aos protagonistas de Clube de Compras Dallas ano passado, é mais um tipo de desapontamento com o conteúdo. Principalmente Laura Dern, quase sem diálogo e que sequer atua numa cena inteira e ainda recebe a indicação ao Oscar. Vai entender... Entendam, "dramalhão" não é drama ruim, é apenas um filme que por consequência de alguns erros deixou de ser tocante, numa história que até então tinha tudo para arrancar baldes de lágrimas do espectador, o que aqui, não acontece. E olha eu, esperando por 127 Horas ou Na Natureza Selvagem de Livre... Uma intensa pena.

Livre (Wild)
dir. Jean-Marc Vallée - 

domingo, 8 de março de 2015

Crítica: "NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO" (2006) - ★★★★



Fascinante, delicado, tocante. Uma película que não diverge do ponto principal, e mantém um suspense sufocante. Falar de Notas sobre um Escândalo basicamente é favorecer Judi Dench e Cate Blanchett, em duas performances adoráveis, quão obsessivas e furiosas. Há tempos, tinha um forte desejo em assistir Notas sobre um Escândalo, não só por noticiar a participação destes dois talentos, mas também pela direção de Richard Eyre e a tão comentada trilha sonora. 

Por um lado, Notas sobre um Escândalo é antagonicamente meticuloso. Um filme onde os protagonistas são antagonistas. Ambas, Cate e Judi, algo menos desafiador quando a história trata-se de um rico suspense, mas ainda um drama que procura vítimas. Pelo primeiro olhar, a película ainda pode transparecer melancólica de feições sutis, mas como já se é de perceber, ela engana muito. A trilha sonora ajuda um pouco, vai (Philip Glass é um grande gênio musical).


A rígida, porém solitária, Barbara Covett, dá aulas de história numa decadente escola pública em Londres. Após conhecer a nova professora de artes, Sheba Hart, sua jornada até então parada e inóspita se transforma radicalmente. As duas tornam-se ilustres amigas, mas quando Hart revela um impetuoso segredo, desafia a confiança de Covett: Sheba manteve relações com um aluno de quinze anos, Steven Connelly, por um tempo desde quando entrou na escola. Num jogo de gato e rato, Barbara e Sheba entram num embate perigoso, e ao mesmo tempo, envolvente, que acaba por terminar mal, devido às circunstâncias de um cotidiano fechado e por vezes inútil. As personagens em questão, Sheba e Barbara, são mulheres de opiniões distintas, ainda que atraídas por uma compacta amizade. Sheba é extrovertida, mãe e esposa, e mesmo que esteja feliz e satisfeita com a família e a vida que leva, sente a necessidade de algo mais. Sente que necessita ultrapassar os limites para enfrentar o vazio. Enfrentando o contrário disto, Barbara é uma mulher de poucas palavras, e extremamente sozinha, sem amigos, reservada mas imponente, que não aceita bajulações ou desrespeito. A mesma, por mais que não esteja parecendo, procura preencher esse tenebroso vazio. Esse "vazio" é o que conecta nossas duas estrelas. É justo nesse ponto onde instala-se todo o clima de suspense. Segredos, mentiras, verdades e traições. Ao toque da música, as duas veem-se sem saída, encurraladas pelo azar de estarem tão juntas num destino tão pouco simpático.

Só pela participação de Cate e Jude no filme, como eu já mesmo citei, estão maravilhosas, Notas sobre um Escândalo ganhou minha aprovação. É lógico, alguns elementos inesperados também chamaram minha atenção: a direção de Eyre, o roteiro de Marber, a trilha sonora (surreal) de Philip Glass, cujo anteriormente, já tinha dedicado lágrimas por As Horas. Concluindo: Notas sobre um Escândalo é um espetáculo. Performances consistentes e lindíssimas de duas atrizes competentes, que quase nunca, desapontam a quem prometem. Dos traços impecáveis de uma obra-prima, nasce então Notas sobre um Escândalo.

Notas sobre um Escândalo (Notes on a Scandal)
dir. Richard Eyre - ★★

Crítica: "KILL BILL - VOLUME I" (2003) - ★★★★★


É quase impossível descrever o quão gratificante é chegar ao final de um filme dirigido por Quentin Tarantino. Kill Bill é um daqueles filmes que a gente nunca esquece. Um dos filmes cult mais apreciados pelos cinéfilos contemporâneos, Kill Bill merece não só tal honra mas também reconhecimento por envolver toda uma significância nos seus padrões cinematográficos. 

As cores, as luzes, os cenários, os figurinos... Tudo conspira tão profundamente para que a película consiga fisgar do público a emoção mais extrema, mesmo nas cenas mais fracas. Esse clima inusual de calor com ação maravilha os olhos do espectador. Até o mais inexperiente na área consegue aplaudir Kill Bill pelo seu feito universalmente reconhecível. Qual é o truque de Tarantino, que a cada obra, arrecada os mais efetivos elogios? Qual é o mistério deste gênio? Seguir seus passos é de uma coragem elusiva. Só mesmo Uma Thurman, Samuel L. Jackson, John Travolta e Kurt Russell a aceitarem a difícil, mas ambiciosa chance de interpretar, ou até melhor, protagonizar, um filme deste ícone.


Kill Bill é simplesmente uma lenda. Talvez, vá bem mais além disto. Kill Bill é impressionante. Kill Bill, desde a primeira vez visto, me conduziu a um ilustre universo sangrento e feroz que até nunca conhecido. Essa unicidade reproduz a minha paixão por esta obra. Uma paixão quase a ponto de entrar na cena e contracenar com A Noiva. Foi em Kill Bill que percebi meu amor por esta dama fatal, Uma Thurman, por quem eu já tinha ficado de boca aberta em Pulp Fiction.

Importa lá toda a ficção do filme, quando este induz ao bem mais afortunado limite do gênero, quase chegando a atravessá-lo? Kill Bill é mágico, principalmente. Mágico por que encanta. Mágico por que apaixona. Mágico por que seduz. Mágico por que ilude, mas realiza. Mágico e transcendente. Mágico, transcendente e vivaz. Mágico, transcendente, vivaz e poético. Um elenco que consegue matar a fome por satisfação de quem o assiste.


Resumindo: na sexta vez que o assisto, Kill Bill não perdeu a graça. Manteve o mistério, conduziu a eletricidade e concretizou aplausos. Aplausos altos e longos, à Thurman, à Tarantino, à Richardson, à Liu, à Madsen, à Carradine, e à merecida vingança de Beatrix Kiddo.

Kill Bill - Volume I (Kill Bill - Volume I)
dir. Quentin Tarantino - ★★

sábado, 7 de março de 2015

Crítica: "GANGUES DE NOVA YORK" (2002) - ★★★★★


Puxa vida, que filme! Que direção! Que elenco! Que história! Que versatilidade notória! Gangues de Nova York é um baita espetáculo, e sem sombra de dúvidas, um dos maiores e melhores filmes dirigidos pelo mestre Scorsese. Dono de uma beleza visual incrível e uma jornada ainda mais eletrizante, Gangues de Nova York não poupa esforços para conseguir levar o público ao instinto mais instabilizante possível na poltrona do cinema. Isso por que até mesmo conduzir seu retrato é algo que necessita coragem, talento e dedicação. 

Entrou na lista dos filmes que veria de novo. Filmes que rendem seu tempo. Filmes que rendem processo. E são desses filmes que nascem os clássicos. Inevitavelmente, diria eu, Gangues de Nova York é um clássico cinematográfico, por mais contemporâneo que seja. E afinal, por que não? Há muitas produções atuais pagando esse tão querido título. Várias produções, para ser mais categórico. Gangues de Nova York não só tem a bravura de maravilhar o público como também consegue ser maximamente emocionante, cativante, purificante. Dentre a atual carreira de Scorsese, Gangues de Nova York perde apenas para Taxi Driver, Os Bons Companheiros, Touro Indomável e A Invenção de Hugo Cabret como melhor filme, respectivamente. Ou talvez, essa lista nem exista, por que como Scorsese literalmente nunca falha, essa comparação nem seja tão precisa. 

Esta película trata-se de uma das maiores aulas de história que eu já tive. Um professor que soube ensinar ao seus alunos muito bem a significância dela, por meio de um caminho bem complexo cheio de tramas e reviravoltas de um clímax absurdo. E é lógico, o conteúdo é ainda melhor. 

Estrelando o elenco de mão cheia, temos um Daniel Day-Lewis patriota e racista, opositor do governo de Abraham Lincoln e da imigração irlandesa, o que acaba resultando em uma dupla ironia, pois Day-Lewis é irlandês, e a exatamente dez anos depois do lançamento desta obra viria a interpretar Lincoln, numa das performances mais belas já vistas: uma prova do talento esmerado deste ator contundente, que não é por surpresa, também é brilhante aqui. Em sua primeira colaboração com Scorsese, DiCaprio também conseguiu atuar vivamente, o que de uma forma, resultou numa bela esnobação por todo o seu trabalho, já que o reconhecimento recaiu mais à Day-Lewis, elogiadíssimo e igualmente premiado por este filme. Cameron Diaz na sua interpretação mais matura também não é de se jogar fora. Jim Broadbent ainda dá um brilho com uma atuação instintiva, mas um pouco em off

Como já é de ver, a garantia que se tem de ver Gangues de Nova York bem mesmo é uma eufórica obra-prima do cinema, uma competente aula de história americana. Uma importante peça cinematográfica. Uma valiosa direção, um artimanhoso elenco, um genial roteiro, uma atroz trilha sonora... E outras mil e uma qualidades que até podem deixar o espectador desapontado, mas satisfeito. 

Gangues de Nova York  (Gangs of New York)
dir. Martin Scorsese - ★★