★ A Noite do Homem-Pássaro ★
Chegamos aos créditos da 87ª edição do Oscar. E, que edição, caros amigos. Na certeza, os resultados da premiação não agradaram nem um pouco as expectativas anteriores sobre ela. Birdman, do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu faturou quatro estatuetas e derrotou o favorito Boyhood, que levou apenas uma pra casa, entristecendo quem apostou tudo nele (eu).
A noite começou com a apresentação musical infantil, mas deliciosa de Neil Patrick Harris acompanhado da atriz Anna Kendrick e Jack Black. Com cores, luzes e vozes extraordinárias, o espetáculo de abertura do prêmio foi de uma excelência cativante. O comediante soube equilibrar as piadas internas sem cometer as gafes de Seth MacFarlane, e ainda comandou a platéia estonteantemente, como no Emmy. Fiquei satisfeito. Tudo bem que foi bem fingidinho por causa do luxo extravagante, mas foi divertido e excitante. Ok, também vou considerar a paródia de Birdman, por mais envergonhante que foi, tornou-se cômico.
O primeiro prêmio da noite, como de costume, foi Melhor Ator Coadjuvante, encarado com a vitória já prevista de J.K. Simmons pela estrondosa performance em Whiplash - Em Busca da Perfeição. Apesar de tê-lo como principal aposta, ainda tinha uma esperança em Edward Norton, uma surpresa. O Grande Hotel Budapeste faturou quatro prêmios importantíssimos, todos técnicos, incluindo Trilha Sonora (perfeita) e figurino para Milena Canonero, estilista italiana que conquistou sua quarta estatueta esta noite pelo trabalho glorioso no filme. As outras categorias foram Melhor Direção de Arte e Melhor Maquiagem e Penteados.
Whiplash também surpreendeu levando Melhor Edição (vencendo Boyhood) e Melhor Mixagem de Som pra casa, totalizando três prêmios para o longa independente do novato Damien Chazelle. Sniper Americano também teve seu momento, ganhando uma estatueta em Edição de Som, merecida.
Ida, meu favorito em Melhor Filme Estrangeiro, levou o prêmio na categoria. O diretor Pawel Pawlikowski, dando um discurso bem esforçado foi ligeiramente interrompido pela "musiquinha apressadora de fundo", mas não cedeu á cronometragem da produção e continuou discursando rapidamente num inglês bem puxadinho, mas compreensível, sendo venerado por toda a plateia que caiu de admiração pelo discurso do cineasta polônes, um orgulho. A mesma situação repetiu-se em outras categorias. Operação Big Hero venceu o favorito do prêmio de Melhor Animação, Como Treinar o Seu Dragão 2, merecidamente. Pulei da alegria quando a vitória do filme foi anunciada. CitizenFour venceu o documentário O Sal da Terra, que indicou o brasileiro Juliano Salgado Ribeiro ao lado do cineasta alemão Wim Wenders.
Mas, sinto muito, se teve uma coisa que eu não aprovei nesta edição do Oscar foram as interpretações musicais de "Everything is Awesome" e "Grateful". "Lost Stars" e "Glory" até foi bem legalzinho, mas olha, não sustentei os brilhos luxuosos das performances dos cantores. Não sei se foi o exagero ou a inconsequência dos números, só sei que foi tedioso.
Adorei a belíssima homenagem de Lady Gaga à Julie Andrews, bem pertinho do final. Uma das partes mais memoráveis do show, e uma surpresa constante. O melhor foi assistir a premiação, pela primeira vez, em HD, e presenciar essa belíssima apresentação. "Glory", que levou a plateia ás lágrimas, foi outro momento de destaque do prêmio, favorecendo um dos melhores discursos da noite feito pelos compositores John Legend e Common vencedores do único prêmio de Selma, em protesto á liberdade, um assunto que era esperado, e nem mesmo foi citado aqui. E a vingança de Idina Menzel... A gargalhada da noite!
Meryl apresentou o In Memorian desse ano, que fez bem ao lembrar de Alain Resnais, Robin Williams, Lauren Bacall, Anita Ekberg e até mesmo Gabriel García Marquez, só que desapontou ao esquecer Roberto Goméz Bolaños, José Wilker e a querida Odete Lara.
Na única vitória de Boyhood, Patricia Arquette, vencedora de Melhor Atriz Coadjuvante, defendeu os direitos femininos num discurso plausível apoiado fielmente por Meryl Streep. Imperdoável única vitória, outro erro injusto do Oscar deixar Boyhood com apenas um prêmio. Birdman, surpreendeu levando quatro estatuetas pra casa, três do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, ganhador em Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor e Melhor Filme. Mesmo que merecido pelo fantástico trabalho feito no filme, quem realmente deveria estar com o prêmio era Boyhood. E mais ainda meu favorito O Grande Hotel Budapeste, cujos prêmios técnicos soam mais como consolação para a falta de prêmios de Wes Anderson, que nem Roteiro Original levou. Desolador, mesmo que convincente e apropriado. No entanto, bem no final da corrida, Birdman ganhou um fortíssimo apoio dos sindicatos e tudo favoreceu a promoção cinematográfica, que influenciou tanto o desempenho da comédia dramática no Oscar. Wes e Richard saíram de mãos abanando. Michael Keaton, no entanto, foi vencido por Eddie Redmayne. Julianne Moore finalmente conseguiu seu primeiro Oscar por Para Sempre Alice, mesmo que tenha derrotado minha musa, Marion Cottilard.
E é isso aí, encerrou-se nesta noite mais uma turbulenta e grandiosa edição do Academy Awards. Nos resta esperar por 2015 e o que ele nos trará afinal, no final de tudo, até que valeu a pena ter um grande cuidado em participar de todo esse circuito. Aplausos para todos os vencedores e indicados da premiação, e especialmente à Birdman, nosso grande vencedor. Esperemos um melhor Oscar 2016.
Mr. Turner, Vício Inerente, Garota Exemplar, Livre, Foxcatcher, O Abutre e Invencível não venceram nenhum prêmio.
PONTUAÇÃO DAS APOSTAS: 14/24
O primeiro prêmio da noite, como de costume, foi Melhor Ator Coadjuvante, encarado com a vitória já prevista de J.K. Simmons pela estrondosa performance em Whiplash - Em Busca da Perfeição. Apesar de tê-lo como principal aposta, ainda tinha uma esperança em Edward Norton, uma surpresa. O Grande Hotel Budapeste faturou quatro prêmios importantíssimos, todos técnicos, incluindo Trilha Sonora (perfeita) e figurino para Milena Canonero, estilista italiana que conquistou sua quarta estatueta esta noite pelo trabalho glorioso no filme. As outras categorias foram Melhor Direção de Arte e Melhor Maquiagem e Penteados.
Whiplash também surpreendeu levando Melhor Edição (vencendo Boyhood) e Melhor Mixagem de Som pra casa, totalizando três prêmios para o longa independente do novato Damien Chazelle. Sniper Americano também teve seu momento, ganhando uma estatueta em Edição de Som, merecida.
Ida, meu favorito em Melhor Filme Estrangeiro, levou o prêmio na categoria. O diretor Pawel Pawlikowski, dando um discurso bem esforçado foi ligeiramente interrompido pela "musiquinha apressadora de fundo", mas não cedeu á cronometragem da produção e continuou discursando rapidamente num inglês bem puxadinho, mas compreensível, sendo venerado por toda a plateia que caiu de admiração pelo discurso do cineasta polônes, um orgulho. A mesma situação repetiu-se em outras categorias. Operação Big Hero venceu o favorito do prêmio de Melhor Animação, Como Treinar o Seu Dragão 2, merecidamente. Pulei da alegria quando a vitória do filme foi anunciada. CitizenFour venceu o documentário O Sal da Terra, que indicou o brasileiro Juliano Salgado Ribeiro ao lado do cineasta alemão Wim Wenders.
Mas, sinto muito, se teve uma coisa que eu não aprovei nesta edição do Oscar foram as interpretações musicais de "Everything is Awesome" e "Grateful". "Lost Stars" e "Glory" até foi bem legalzinho, mas olha, não sustentei os brilhos luxuosos das performances dos cantores. Não sei se foi o exagero ou a inconsequência dos números, só sei que foi tedioso.
Meryl apresentou o In Memorian desse ano, que fez bem ao lembrar de Alain Resnais, Robin Williams, Lauren Bacall, Anita Ekberg e até mesmo Gabriel García Marquez, só que desapontou ao esquecer Roberto Goméz Bolaños, José Wilker e a querida Odete Lara.
E é isso aí, encerrou-se nesta noite mais uma turbulenta e grandiosa edição do Academy Awards. Nos resta esperar por 2015 e o que ele nos trará afinal, no final de tudo, até que valeu a pena ter um grande cuidado em participar de todo esse circuito. Aplausos para todos os vencedores e indicados da premiação, e especialmente à Birdman, nosso grande vencedor. Esperemos um melhor Oscar 2016.
Mr. Turner, Vício Inerente, Garota Exemplar, Livre, Foxcatcher, O Abutre e Invencível não venceram nenhum prêmio.
PONTUAÇÃO DAS APOSTAS: 14/24
vencedores:
MELHOR FILME
Birdman
MELHOR ATRIZ
Julianne Moore - Para Sempre Alice
MELHOR ATOR
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo
MELHOR DIRETOR
Alejandro González Iñárritu - Birdman
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette - Boyhood
MELHOR ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons - Whiplash - Em Busca da Perfeição
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Birdman
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Jogo da Imitação
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Ida - Polônia
MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Operação Big Hero
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Glory" - Selma
MELHOR TRILHA SONORA
O Grande Hotel Budapeste
MELHOR DOCUMENTÁRIO
CitizenFour
MELHOR FOTOGRAFIA
Birdman
MELHOR EDIÇÃO
Whiplash - Em Busca da Perfeição
MELHOR FIGURINO
O Grande Hotel Budapeste
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
O Grande Hotel Budapeste
MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
O Grande Hotel Budapeste
MELHOR CURTA-METRAGEM
The Phone Call
MELHOR CURTA-METRAGEM - DOCUMENTÁRIO
Crisis Hotline: Veterans Press 1
MELHOR CURTA-METRAGEM - ANIMAÇÃO
O Banquete
MELHOR MIXAGEM DE SOM
Whiplash - Em Busca da Perfeição
MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Sniper Americano
MELHOR EFEITOS VISUAIS
Interstellar



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