Possivelmente, Rob Marshall seja bem mais conhecido como diretor do que como coreógrafo, uma informação que pra mim, até este filme, era desconhecida. Marshall começou a carreira na televisão, e só ao dirigir Chicago (que o deu uma indicação ao Oscar) foi que Marshall dedicou-se inteiramente á carreira cinematográfica. Caminhos da Floresta é o quinto longa-metragem de Rob e seu terceiro musical, e não o mais bem dirigido perdendo apenas para Chicago. Em 2002, no seu lançamento, Chicago tornou-se um hit do cinema, e ganhou aclamação internacional. Porém, não aconteceu o mesmo com Memórias de uma Gueixa, o segundo filme de Marshall. Nine até que deu pra engolir. Em Piratas do Caribe... Acho que não funcionou. O negócio de Rob é mesmo o ramo musical. O diretor já tentou dirigir um drama, cujo resultado não foi lá um dos melhores, e também um filme de saga, que, sinceramente, falhou. Mas quando o assunto é musical, o talento de Marshall ressurge misticamente parecendo abandonar todas as proporções criadas pelos outros gêneros trabalhados. Em Caminhos da Floresta, Marshall dá uns tropeços, mas não quedas, o que já é um bom avanço. É claro, o filme deixa elementos reservados, usando técnicas aperfeiçoadas no roteiro (nessa parte, sem problemas). O uso de artifícios bem conservadores (figurino, fotografia, direção de arte), a excelência do elenco (calma lá, já tô chegando na Meryl), Caminhos da Floresta me agradou em partes. Não posso garantir que todos gostaram do musical, mas que ele é bem feito, é.
Três indicações ao Oscar e outras três ao Globo de Ouro foram todas merecidíssmas, incluindo (enfim) a performance de Meryl Streep. A muito criticada performance de Meryl Streep. Sim. No início da corrida, muitos questionaram a possibilidade da indicação da querida Meryl na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. E mesmo num filme desse (fraco para indicação em atuação), a imortal Streep deu cara á tapa e conseguiu mais uma indicação ao Oscar, pelo segundo ano consecutivo, depois de Álbum de Família. E a indicação foi bem rendida. Se aventurando novamente pelo mundo dos musicais (depois do desastroso Mamma Mia!), Mery Streep prova ao mundo sua capacidade de, mesmo sem ter uma grande voz, consegue desnortear o público com a performance. É minha gente, a diva é forte! Conquistou três Óscares e ainda tem sede por vitória (ou indicação, enfim, ambas as afirmações qualificam que Streep ainda vai continuar nessa corrida por muito tempo, e quem sabe, Streep se iguale á Hepburn com quatro estatuetas?). Talvez, se Meryl vencesse o Oscar, eu não estranharia. Emily Blunt, no papel principal, até que não é tão má, para se dizer a mais pura verdade. A britânica se esforçou, e conseguiu dar o melhor de si numa performance que caberia melhor como coadjuvante. Mesmo grávida (na vida real), Blunt conseguiu equilibrar sua atuação, num desempenho de tirar o fôlego. Quem me surpreendeu aqui, foi mesmo Tracey Ullman, uma das comediantes mais populares dos Estados Unidos, que depois de desaparecer temporariamente do cinema (como atriz), retorna aqui belamente. Para resumir a história e dar mais intimidade á película: Caminhos da Floresta narra a jornada de um casal cuja mulher é amaldiçoada e impedida de ter filhos por uma bruxa, que os manda para a floresta na intenção do casal conseguir uma lista de favores para ela. Ou seja, acho que a partir daí dá pra ter uma noção do filme: envolve a maioria dos protagonistas dos contos de fada mais famosos: Cinderela, Rapunzel, João e o Pé de Feijão e Chapeuzinho Vermelho. Eu, por mim mesmo, achei essa miscigenação de histórias por si já é demasiadamente interessante, até por que essa se trata de uma adaptação teatral da Broadway, o que nos propõe algo bem mais ambicioso e que vai bem mais além de um retrato ficcional ou fabuloso.
Caminhos da Floresta foi indicado ao Oscar em Melhor Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.
Caminhos da Floresta (Into the Woods)
dir. Rob Marshall - ★★★

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