sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Crítica: "FORÇA MAIOR" (2014) - ★★★★


Força Maior é excepcional em todos os ângulos. Foi de muita apreciação assistir ao filme, uma das melhores obras do cinema sueco contemporâneo. Enquanto ele foca num espírito emocional-dramático, também busca analisar a crise de um casamento impróspero e as condições psicológicas do ser humano diante de uma considerável grave situação, é claro, exigindo o máximo de atenção possível do seu público. O que pode não funcionar com quem não o compreenda.

Tudo se inicia com uma avalanche. Nas "férias perfeitas", uma família sueca, durante um jantar num restaurante, presencia uma tortuosa mas incapaz avalanche, que por pouco, não invade o estabelecimento. Assustada, a mãe, tentando justificar os problemas conjugais culpa o marido por sua instintiva reação de fuga ao ataque, abandonando a mãe e os dois filhos. Mesmo que nada tenha acontecido, a mãe ainda persegue o capítulo colossalmente, o que cada vez mais provoca a apartação entre todos ao redor. O que realmente afeta os dois é que nessa relação ambos tem culpa por que também são responsáveis por tudo o que ocorreu. A mulher, por mais frágil que ambiente ser, ainda sim de alguma maneira procura incriminar o homem e fazê-lo ter dó de si mesmo na frente de todos os outros, e quando não é correspondida, despreza a afetividade, e se finge de vítima. Já o homem é mais seguro de si, porém não compreende as necessidades da esposa e não tem a precisão de declarar isso á ela por que já é bastante claro que a ausência de conexão entre eles culmina na desgraça, e por mais que ele demonstre um amor puro por ela, ainda sim vê a obrigação de aceitar a repulsão que ela sente por ele. O objetivo aqui não é defender ninguém, mas sim, amplificar o que o público realmente precisa reconhecer neles: a falta de carinho, privacidade e honestidade.

Este filme soa algo bem familiar, mesmo que eu infelizmente não seja capaz agora de identificar qual elemento usado na película que a deixa bem mais reconhecível para mim. Não é Bergman, diretamente, apesar do próprio filme ter uma forte influência do clássico Vergonha. Não sei por que, mas há uma cena em que um casal amigo de Ebba e Tomas discutem o conflito ocorrido e interpretam misticamente de uma forma sensacional, cuja minha memória retornou em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, numa cena muito especial para mim protagonizada por Woody e Diane. Enfim, Força Maior ganhou um pouquinho mais de autoridade com essa efusiva identificação por minha parte, e foi algo que eu compartilhei na produção estrangeira. 

A trilha sonora baseada em "Quatro Estações" de Vivaldi foi algo que profundamente introduziu ao filme um clima interior de tensão e propriedade, destacando o suspense da jornada (o que eu adorei). A fotografia é sublime, principalmente por combinar e equilibrar tão bem as cores frias, como o azul, o cinza e o evidente branco. Ás vezes me emociono ao dizer que Força Maior me alegrou, por tal impacto que nenhum filme mostrou este ano. Algo bem único dele, que consegue pôr perfeitamente em ordem a transformação dos cinco dias abordados em tão (consideráveis) curtas duas horas. Força Maior é, resumindo, brilhante, dando aos seus espectadores a experiência singular de observar metodicamente a vida de uma família através de uma viagem aos Alpes, que modificou precisamente tudo o que as expectativas dele criou, refletindo sobre a infelicidade do matrimônio e a instabilidade do ser.

Força Maior (Force Majeure/Turist)
dir. Ruben Ostlund - ★★★★

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