terça-feira, 21 de abril de 2015

Crítica: "O LUTADOR" (2008) - ★★★★★


Bom ter visto O Lutador, filme que há um bom tempo despertou minha curiosidade justamente em razão da performance extraordinária de Mickey Rourke - a melhor de toda a sua carreira, e talvez a de maior identificação, já que o próprio Rourke encena parcialmente em O Lutador sua experiência como lutador de box nas décadas de 60 a 90 (recentemente, Rourke voltou a atuar no ramo). O Lutador realmente é uma obra impressionante - e uma das maiores películas dirigidas pelo americano Darren Aronofksy, mais precisamente perdendo apenas para Cisne Negro e Réquiem para um Sonho.

Em O Lutador, Mickey Rourke faz Randy Robinson, o Carneiro, um lutador que fizera fama na década de 80 e na atualidade sobrevive em pequenos clubes de luta ao redor de Nova Jérsei, ainda sim sendo considerado por aqueles que o conhecem uma lenda viva. E a partir daí segue, com o filme analisando o cotidiano e a vida deste lutador após ter sofrido um violento infarte, que o força a levar uma vida dupla, também trabalhando num estabelecimento local - um mercadinho - para ganhar dinheiro; e suas relações pessoais com uma stripper (interpretada consagradamente por Marisa Tomei) e a filha, a quem não via a muito tempo e agora luta para conseguir de volta o perdão desonrado (feita pela bela Rachel Evan Wood, numa atuação ótima). 

Enquanto é interessante e fantástico ver e observar de perto essa análise - que faz com que O Lutador funcione semelhantemente a um pseudo-documentário - também é triste e notoriamente desconfortável, levando em conta que diante da tela estamos vendo uma história, metade dela pelo menos, real feita por seu próprio vivenciado, um ator de clássicos do cinema B americano e ex-lutador de boxe. 

Não foi fácil achar O Lutador, como dito anteriormente, procurava o filme já fazia um certo tempo, na esperança de então poder ver de perto o desenvolvimento da já confirmada maior performance de Mickey Rourke - ator do qual eu nunca tive uma relação tão próxima, tendo visto alguns protagonizados por ele incluindo 9 1/2 Semanas de Amor (do qual eu tão bravamente o aplaudi: Rourke tornou-se um símbolo após estrelar esse clássico atemporal), Sin City, O Homem que Fazia Chover (uma das últimas obras do Coppola), Era uma Vez no México, O Portal do Paraíso, Quando os Jovens se Tornam Adultos entre outros, suficientes a reconhecer sua posição icônica diante de cada personagem, claros em minha cabeça. Mas dentre todos, é impossível não reconhecer que O Lutador é o mais importante e o melhor de sua carreira. Memorável experiência ter visto este filme, desejo cinéfilo há muito tempo (nunca imaginei que seria tão difícil encontrá-lo, nem em vídeo - o produto esgotou - consegui achar!), agora já não mais. Muito bom filme. Através dele, Rourke torna-se tão necessário quanto qualquer outro astro cujo maior personagem foi um lutador - lembrando de Stallone, estrela do plausível Rocky - Um Lutador, mais um filminho que deu trabalho pra achar. E O Lutador, tocando nesse assunto, é  tão bem feito e obrigatório como qualquer outro mais filme que narrou personagens lutadores em seu enredo, e não é só Rocky - Um Lutador do qual me refiro, mas também Touro Indomável, Clube de Luta, Karatê Kid - A Hora da Verdade, Menina de Ouro (dirigido pelo Eastwood, a quem já me referi como possível diretor desta película), O Vencedor, O Voo do Dragão (não só esse do Bruce, mas vários além) e muitos mais que então narram a vida destes homens (e mulher), tão interligados ao risco, à honra e à luta, donos de retratos tão marcantes do cinema, favoritos do público que sempre dispõe-se a presenciar o jorro do sangue, o ruidoso grito e o estrondo do soco - características que tão bravamente decoram filmes deste gênero, incluindo O Lutador, cujo não só emociona pelas maravilhosas cenas de luta, mas também pela gloriosa história de vida de seu personagem principal, o Carneiro - Rourke!

O Lutador (The Wrestler)
dir. Darren Aronofsky - ★★★★★

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