terça-feira, 28 de abril de 2015

Crítica: "INVENCÍVEL" (2014) - ★★


Não sei não. Tenho um pouco de dúvida em relação a Invencível, segunda película de Angelina Jolie, cujo terceiro filme, By the Sea, tem previsão para ser lançado esse ano. Falar sobre Invencível não é uma tarefa fácil. Enquanto acredito que o filme poderia ter explorado mais a partir de sua história - um erro grave que o deixou fraquíssimo -, também acho que sua potência técnica é algo totalmente extraordinário, quão indescritível.

O problema de Invencível é que, tentando ser um filme de retrato, observador e eloquente (o que parcialmente realiza), ele não passa de um grande épico banal, sem-graça, cansativo e demorado demais para uma história que não necessitava de tanta implicação e luxo impostos por sua diretora, Angelina Jolie, que ainda conseguiu ser boa mesmo com a inexperiência e o desconforto de sua técnica diante da tela, que tanto não me deixaram extasiado quanto não me proporcionaram uma experiência de valor.

O que eu, confesso, ainda não consegui entender em Invencível é como o filme utiliza tantos recursos a fim de porcaria nenhuma, já que a história parece sempre girar em torno de um só núcleo (por favor, não cometam o erro de pensar que eu penso que isto é um problema - muito pelo contrário - só estou dizendo que para que tanto para tão pouco, afinal?), já que seu personagem, excedendo os flashbacks, é um piloto de guerra capturado pelos japoneses que só depois do fim da guerra é que se vê livre? É isso que me deixa mais indignado neste filme. No entanto, não deixa de ser profundamente interessante e cativante a bela jornada real de Louis Zamperini, apesar da forma de como ela foi mostrada no longa, que não é ruim, mas não é tão bom quanto eu imaginava que seria. 

Não vi Na Terra de Amor e Ódio, primeiro filme da Jolie, indicado ao Globo de Ouro e tudo mais. Não sei se é melhor, se é pior, se é igual a Invencível. Ainda pretendo procurá-lo em breve. Espero que, bem, By the Sea, primeiro longa da atriz que a terá no elenco junto de seu amado Brad Pitt, seja melhor que Invencível, por que o filme me aborreceu de verdade. Como dito, eu esperava algo maior, algo mais autêntico, para falar a verdade. Ausenta autenticidade na trama de Angelina. E mesmo assim, o problema não estaria cem-por-cento resolvido, já que há alguns clichês que invadem constantemente a exibição do filme. Também falta tonalidade e encarnação nas cenas de Invencível, um filme que apesar do forte conteúdo e da riquíssima equipe técnica - que conduziu com perfeição o cenário e a confecção do filme, isto falando de todos dentro dela -  torna-se pobre por não conter essência e dramatização. A cena mais pobre do filme, em meu ver, é a na qual, ainda no início, o pai de Louie o "espanca" com uma cinta. Que cena do cão! Que falta de realidade. O menino - jovem Louie - parece nem sentir dor enquanto o pai a todo vapor o chicoteia com a cinta. Uma falta grave de dramatização. A partir daquela cena, já tinha previsto o que veria, até então, nas próximas que viriam - que não me agradaram tanto não, também -.

Deixando um pouco os arrependimentos pela sessão, falo do que gostei em Invencível. Ainda que possa ter cortado a dramatização de alguns segmentos, a trilha sonora de Alexander Desplat é muito boa. O cara tem um talento, de fato, "invencível". A fotografia de Roger Deakins - de quem eu defendo o trabalho, mas não deixei de desgostar de alguns filmes cuja fotografia foi assinada por ele - é boa, tremendamente equilibrada. A edição é maravilhosa. Os caras que comandam ambas a mixagem e a edição de som, indicadas merecidamente ao Oscar, estão acima do que eu chamo de "privilégio de reconhecimento" em Invencível (são muitos os que fizeram esse trabalho, por isso, só planejo mesmo deixar aqui a área de suas funções). Se Invencível tivesse vencido um dos três Oscars aos quais foi indicado (Fotografia e as categorias de Som), queira que fosse uma, ou ambas, as categorias de Som (azar o de Invencível ter candidatos tão bons como Sniper Americano, Guardiões da Galáxia e Birdman - todos excelentes e qualificados à categoria, bem mais avantajados do que Invencível a conquistar o prêmio).

Invencível (Unbroken)
dir. Angelina Jolie - ★★

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