Poucos filmes de suspense, feitos em toda a história do cinema, conseguiram tanto êxito quanto o aplaudido e sucessivo O Silêncio dos Inocentes. Um dos melhores do gênero, o longa, vencedor do Oscar de Melhor Filme no ano de 1992, além de ter dado os prêmios de Direção, Ator e Atriz para Jonathan Demme, Anthony Hopkins e Jodie Foster, respectivamente, conseguiu de forma diferente e única arrancar emoção e comoção do público, o que tão singularmente o destaca de outras produções maiores do thriller. Não me espanta, de forma alguma, ver que O Silêncio dos Inocentes tenha tão extraordinariamente encantado meio-mundo em tão pouco período de tempo. Este sim trata-se de um autêntico clássico: aquele que, por tão bem fazer, logo em pouco consegue fama e respeito.
Não é por acaso, logicamente. O Silêncio dos Inocentes é tão bem-feito, em questões estruturais, que seria minimamente um desrespeito deixar de reconhecer a importância do esforçado e competente elenco em conjunto da talentosa equipe técnica dentro da película. É algo que, infelizmente, está se tornando raridade dentre as produções equivalentes. Digo que, não é a todo tempo em que surgem milagrosos filmes que se tornam importantes ícones de seu gênero, além de simbolizarem um grande papel ao se destacando de outros demais. Eu só gostaria mesmo de dizer que eu gostei de O Silêncio dos Inocentes, e que eu tenho a necessidade de expressar através destas palavras o quanto eu gostei dele. O quanto ele afetou, o quanto ele conseguiu realizar, o que ele não conseguiu realizar... Enfim, eu gostaria de enfatizar os aspectos gerais que tanto favoreceram ou desfavoreceram ao filme o título de obra-prima (neste caso, devo afirmar que há muito mais do que favorecer).
Talvez, a década de 90 (repito: consequentemente, ao afirmar o seguinte, posso estar errado, mas é minha concepção da coisa), mais especificamente o cinema americano da década de 90, possa ter como seu maior representante dentro do gênero suspense o filme O Silêncio dos Inocentes, ao lado de outras grandes produções semelhantes à ele como Os Suspeitos, Os Bons Companheiros, Fargo e uma porrada de outros títulos que não me vem à cabeça no exato momento. E mesmo dentre vários títulos consagrados de sucesso do gênero ainda sim não conseguiram reproduzir o impacto próprio do terror psicológico de O Silêncio dos Inocentes. Nenhum desses filmes, em seus contextos, tiveram como protagonista uma doce e séria agente da FBI, embora perturbada emocionalmente Clarice Sterling, interpretada belamente por uma sensata e incrivelmente versátil Jodie Foster, naquela que seria uma das suas atuações mais tênues de sua carreira.
A história, acredito, já é conhecida da maioria do público cinéfilo. Clarice Sterling, agente estagiária da FBI, é encomendada por seu departamento à mais importante missão já realizada em sua curta carreira policial: a fim da polícia conseguir desvendar o misterioso paradeiro de um perigoso serial killer, ela é enviada para uma sessão de entrevistas com o assassino canibal Hannibal Lecter, no intuito de formular a personalidade padrão de um assassino da espécie. Por sua vez, Clarice torna-se bem mais conectada à Hannibal do que ela poderia prever. Em uma breve questão de tempo, as entrevistas transformam-se num jogo de identidades e segredos onde Hannibal e Clarice desvendam, às suas formas, os segredos por trás de seus objetivos. Enquanto Lecter investiga a vida privada de sua repórter criminal, ela é recompensada com informações privilegiadas do contato de Buffalo Bill, conhecido de Lecter.
E é assim que, nesse desencontro de virtudes, crimes e psicopatia gerais, a poderosa e instigante jornada de O Silêncio dos Inocentes consegue fazer com que o espectador perca a linha de tática e crie uma sobrenatural linha de raciocínio em seu subconsciente a partir do amedrontador senso de horror gerado pela bizarra trama. É algo que tanto ocasiona o fascínio quanto proporciona a mais persuasiva experiência à seu público. É isso que faz deste filme um conteúdo exclusivamente imortal.
Uma lindíssima trilha sonora, conduzida por Howard Shore, ajuda o filme na tarefa de impressionar e triunfar. Um elenco que, conduzido pelos mestres da técnica teatral Jodie Foster e Anthony Hopkins, impacta por excelência e retrato. Uma direção que, de tão ímpar, chega a ser surreal, parece ter vida por si mesma (Jonathan Demme e o resultado de seu melhor trabalho). Um roteiro que chega a ser inacreditável de tão brilhante que é (Ted Tally, o mentor da adaptação). Digo e, desta vez afirmo com certeza, sem o menor receio de errar: há, além das ditas, mil e uma razões para adorar e aplaudir este maravilhoso e impecável filme, bem mais do que um filme, uma íntegra e genial obra prima, merecedora de intermináveis elogios, Oscar, cinco estrelas, e até mesmo Jodie Foster, Hopkins e Demme: o trio que essencialmente deu motivos para a idolatro total desta película.
O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs)
dir. Jonathan Demme - ★★★★★
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