Que bela homenagem ao maior diretor da história do cinema. Formidável homenagem. Numa excêntrica e particularmente deliciosa mistura de documentário e dramatização, Ettore Scola montou, à sua maneira, uma carta de amor ao seu querido colega, Federico Fellini, em capítulos divididos ao redor da carreira artística do diretor. E, apesar do quão longe o filme esteja de ser um fiel retrato à Fellini e toda a sua contribuição cinematográfica, não deixa sob nenhum aspecto de ser fantástico ver uma obra dessas.
A todo um estilo, requer padrão e método em Que Estranho Chamar-se Fellini. E sim, é um elogio. Digo que, posso estar profundamente desapontado em não ter visto nesta película uma interminável série de depoimentos e imagens sobre Fellini, mesmo assim, não deixo de gostar e respeitar a visão que Scola tem da criação desse arquivo, afinal o cara era uma amigão de Federico, e passou não sei quanto tempo o observando. Ou seja, fica meio indecente duvidar da capacidade dele de filmar um competente documentário. Mas, ao mesmo tempo em que é belíssimo ver essa homenagem, é um pouco arriscado é demasiadamente ambicioso, lembrando que Fellini faleceu há aproximadamente vinte anos. E, entre nós, sabemos que é bem mais difícil fazer um documentário sobre um alguém falecido. Por isso que é comum vermos mais cinebiografias do que documentários sobre pessoas mortas.
O narrador da película é Ettore, na atualidade, que durante as cenas de dramatização aparece do nada, em off para o resto dos personagens. Ele narra as passagens e adiciona informações sobre acontecimentos envolvendo Fellini. É bem uma espécie de "nota de rodapé" (no bom sentido, por favor). O filme começa com Fellini engressando em 1939, aos 19 anos, na redação da revista satírica italiana Marc'Aurélio. Em pouco tempo, torna-se popular personalidade da revista e um de seus mais notórios membros. Anos mais tarde, presenciamos a entrada do próprio Scola, em 1947, na redação da revista, um pouco mais tarde depois da saída de Fellini, que inicia a carreira cinematográfica (achei que essa parte poderia ter sido melhor explorada por Scola).
A partir daí, são "ideias soltas". O saudoso Scola prefere, nesse ponto, vislumbrar o início da carreira cinematográfica de Fellini através de fragmentos históricos, que envolvem sua própria relação com ele e a produção de seus filmes. Após isso, há um significativo avanço no tempo que parte para a década de 60. É o interessante é que Scola evita abusar da quantidade e do luxo, deixando seu filme transparecer como uma peça de teatro. Os cenários são móveis. Gostei dessa utilização. Deixou o filme com uma cara de "independente", "vanguarda", "amador". É algo que favorece ao filme uma respectividade, um quê de amável ou lírico.
A maior parte do filme é representada. Há pouco arquivo utilizado na composição do documento, incluindo vídeo. Pelo que lembro, o melhor e o mais tocante arquivo de vídeo incluído no filme foi a gravação do velório do cineasta, posterior à sua morte em 31 de outubro de 1993, que incluiu grandes personalidades cinematográficas como Roberto Benigni, Sophia Loren, Marcello Mastroianni e Scola. No entanto, Scola contorna a tristeza desse segmento em alegria simulando uma das "habituais fugas" do cineasta, onde ele, fantasma, foge do caixão e é perseguido por soldados da cavalaria pelos estúdios do Cinecitta. O final é a parte mais memorável do filme. Depois de um depoimento final de Scola, a homenagem é concluída com um pequeno segmento de imagens das grandes obras de Federico, na clássica trilha sonora de Nino Rota, compositor da maioria dos filmes dele, que incluem Oito e Meio, Amarcord, Satyricon, A Doce Vida, A Estrada da Vida, Noites de Cabíria e o último, A Voz da Lua.
Bem, concluindo, é um filme que me agradou bastante, mas poderia ter sido mais variado, criativo (não que não seja), inventivo, documental. É um pouco vazio para uma película que tenha por objetivo homenagear e regravar a carreira e a filmografia de um lendário ícone do cinema. Mas, enfim, quem tiver a chance de ver o filme (ainda mais Net NOW HD, como foi o meu caso), não a perca. É por demais interessante e espetacular.
Que Estranho Chamar-se Federico (Chi Estrano Chiamarse Federico)
O narrador da película é Ettore, na atualidade, que durante as cenas de dramatização aparece do nada, em off para o resto dos personagens. Ele narra as passagens e adiciona informações sobre acontecimentos envolvendo Fellini. É bem uma espécie de "nota de rodapé" (no bom sentido, por favor). O filme começa com Fellini engressando em 1939, aos 19 anos, na redação da revista satírica italiana Marc'Aurélio. Em pouco tempo, torna-se popular personalidade da revista e um de seus mais notórios membros. Anos mais tarde, presenciamos a entrada do próprio Scola, em 1947, na redação da revista, um pouco mais tarde depois da saída de Fellini, que inicia a carreira cinematográfica (achei que essa parte poderia ter sido melhor explorada por Scola).
A partir daí, são "ideias soltas". O saudoso Scola prefere, nesse ponto, vislumbrar o início da carreira cinematográfica de Fellini através de fragmentos históricos, que envolvem sua própria relação com ele e a produção de seus filmes. Após isso, há um significativo avanço no tempo que parte para a década de 60. É o interessante é que Scola evita abusar da quantidade e do luxo, deixando seu filme transparecer como uma peça de teatro. Os cenários são móveis. Gostei dessa utilização. Deixou o filme com uma cara de "independente", "vanguarda", "amador". É algo que favorece ao filme uma respectividade, um quê de amável ou lírico.
A maior parte do filme é representada. Há pouco arquivo utilizado na composição do documento, incluindo vídeo. Pelo que lembro, o melhor e o mais tocante arquivo de vídeo incluído no filme foi a gravação do velório do cineasta, posterior à sua morte em 31 de outubro de 1993, que incluiu grandes personalidades cinematográficas como Roberto Benigni, Sophia Loren, Marcello Mastroianni e Scola. No entanto, Scola contorna a tristeza desse segmento em alegria simulando uma das "habituais fugas" do cineasta, onde ele, fantasma, foge do caixão e é perseguido por soldados da cavalaria pelos estúdios do Cinecitta. O final é a parte mais memorável do filme. Depois de um depoimento final de Scola, a homenagem é concluída com um pequeno segmento de imagens das grandes obras de Federico, na clássica trilha sonora de Nino Rota, compositor da maioria dos filmes dele, que incluem Oito e Meio, Amarcord, Satyricon, A Doce Vida, A Estrada da Vida, Noites de Cabíria e o último, A Voz da Lua.
Bem, concluindo, é um filme que me agradou bastante, mas poderia ter sido mais variado, criativo (não que não seja), inventivo, documental. É um pouco vazio para uma película que tenha por objetivo homenagear e regravar a carreira e a filmografia de um lendário ícone do cinema. Mas, enfim, quem tiver a chance de ver o filme (ainda mais Net NOW HD, como foi o meu caso), não a perca. É por demais interessante e espetacular.
Que Estranho Chamar-se Federico (Chi Estrano Chiamarse Federico)
dir. Ettore Scola - ★★★
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