segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

OSCAR 2016 (88th Academy Awards)


★ O bom e velho Oscar 

As melhores pessoas são as pessoas esperançosas. E eu certamente não sou esse tipo de pessoa. As minhas expectativas quanto à noite do Oscar 2016 não eram as das mais positivas não. Aliás, positivo é uma coisa que eu não sou, na maior parte do tempo. Quando Morgan Freeman leu "Spotlight" no cartãozinho do tradicional envelope dourado esta noite enquanto apresentando Melhor Filme, eu quase tive um infarto. Foi o momento mais prazeroso e onírico da noite. E esse é apenas um dos muitos motivos para considerarmos o Oscar 2016 uma edição, no mais, justa, organizada e celebrável. 

O ta(car)pete vermelho desse ano teve atrações mornas. Ainda acho que houve mais beldades no Oscar 2015. Muitos estavam esperando é mesmo pela abertura da cerimônia, por conta do comediante Chris Rock, apresentação essa que estava sendo tida como polêmica e que poderia transpirar surpresas e piadas sarcásticas a mil (os veículos de informação estavam apostando que Rock não deixaria nada e ninguém ileso, em especial no que diz respeito à polêmica do #oscarsowhite). Aí, quando justo me acaba toda aquela chatice do red carpet, vem uma introdução das mais medianas que já tivemos a chance de ver em toda a história do Oscar, sem graça, fraca... Dá a impressão de que o Chris foi manipulado. Nem dá pra acreditar que esse mesmo homem fez o pessoal da Casa Branca, em pleno Oscar 2005, telefonar para os produtores do show pedindo para controlar as piadas do humorista, envolvendo o presidente na época, Bush. 

E, se o monólogo de abertura foi pacato e severamente arrastado, o comediante foi aos poucos se soltando, muito embora pudesse ter se saído bem melhor de como foi. Os momentos de descontração ficaram por parte de algumas celebridades que deram partida rapidamente em algumas categorias (o Oscar desse ano foi bastante apressado, inclusive). Eu até estive comentando no Youtube que três comediantes se sairiam muito bem como apresentadores de possíveis futuros Oscars: o Louis C.K., a Sarah Silverman ou o Sacha Baron Cohen, donos de alguns dos momentos mais hilários da noite (o próprio Louis C.K. fez um curto monólogo enquanto apresentava Curta de Documentário que conseguiu ser melhor do que toda a apresentação do Rock).


No entanto, foi legal ver ele introduzindo suas filhas (eu acho?) vendendo biscoitos na platéia. Acho que foi um dos únicos melhores momentos dele, salvo também certas piadinhas de entra-e-sai comercial que conseguiram ser melhores do que o confuso monólogo de abertura.

O Oscar desse ano foi diferente: em vez da categoria de Ator Coadjuvante ter sido a primeira, como geralmente é todos os anos, foram as categorias de Roteiro que abriram o prêmio. Spotlight - Segredos Revelados e A Grande Aposta venceram em Original e Adaptado, respectivamente. Depois, foram disparados de uma só vez seis prêmios pra Mad Max - Estrada da Fúria (Figurino, Edição, Direção de Arte, Edição e Mixagem de Som e Maquiagem e Penteados). Foi lindo pra caramba. E todos prêmios merecidos. Dos prêmios técnicos, só não ganhou em Fotografia (o mexicano Chivo conquistou sua 3ª estatueta consecutiva por O Regresso, feito histórico que nenhum diretor de fotografia jamais conseguiu antes) e Efeitos Visuais, que foi entregue a Ex_Machina, uma das maiores surpresas do Oscar 2016 (já tinha sido uma baita surpresa encontrar o filme indicado mês passado, então...), e que, lá no fundo, foi merecido (é bem inusual ver um filme independente bater quatro potentes superproduções em Efeitos Visuais... Sim, em efeitos visuais. É quase um feito histórico).

O primeiro prêmio de atuação da noite foi direto pra Alicia Vikander, em Atriz Coadjuvante por A Garota Dinamarquesa. Queria Jennifer Jason Leigh ou Kate Winslet, mas a Alicia Vikander tá formidável no longa (foi o único prêmio pro filme do Tom Hooper - olha que irônico, esse é o terceiro filme do Hooper e ele já distribuiu mais um Oscar de atuação, como fez em seus dois filmes anteriores). A sueca (há uns tempos, jurava que a Vikander era britânica) nem parecia tão surpresa, mas estava bem ofegante. Fez um discurso rápido (todos os vencedores de atuação fizeram - agora com aquela coisa de agradecer na tela os discursos vão diminuir e muito), regado a alegria e espontaneidade.


Apenas três das canções indicadas a Canção Original foram interpretadas. Os caras tiveram a pachorra de deixar de fora as ótimas "Simple Song #3", minha favorita, e a agradável "Racing Extinction".

O pessoal estava prevendo que, como forma de redimir a polêmica do #oscarsowhite, a Academia teria premiado o cantor The Weeknd por "Earned It" (ô cançãozinha sem nexo, viu!), de 50 Tons de Cinza. Quem venceu foi "Writing's on the Wall". Eu até que gostei da vitória. A canção é boa, mas não como tema de filme de 007. "Skyfall" foi um bilhão de vezes melhor. Mas, se era pra dar um Oscar para o filme 007 Contra Spectre, eu aprovei.

E adivinha quem venceu em Trilha Sonora? Sim, o querido Ennio Morricone, por Os Oito Odiados. O lendário italiano, um dos meus compositores favoritos (se não é o favorito) e um dos mais lendários compositores, que carrega uma filmografia de mais de 500 títulos com as trilhas assinadas, levou seu primeiro Oscar (competitivo) esta noite. Ainda bem que ele marcou presença. Pensei que ele não tinha vindo, como aconteceu no Globo de Ouro. O pessoal aplaudiu de pé mas forçado, sem elegância nem honra. Ficaram tudo com cara de "o que tá acontecendo?". Ai, que ódio! Tentaram emular respeito mas não me convenceram. Me controlei, afinal, foi uma alegria e só ver uma lenda do escalão de Morricone vencendo um Oscar já velhinho, quase sem poder andar direito. A câmera, num certo momento, virou para a Jennifer Jason Leigh e a atriz começou a chorar. Deus, foi o melhor momento da cerimônia, ver Ennio Morricone ganhando o Oscar. Um dos Óscares mais merecidos da história do prêmio, arrisco.


A primeira grande decepção da noite foi em Ator Coadjuvante. O mundo já estava preparado para ver o Sly ir abraçar a estatueta por Creed, quando... "And the Oscar goes to... Mark Rylance!". Tá o.k. que a performance do Rylance é um achado, mas, pô... Deixar o Sly sem o Oscar foi muita sacanagem. Passou dos limites. De qualquer forma, aplaudi o Mark. A atuação dele é uma das melhores coisas de Ponte dos Espiões.

Divertida Mente, obra da Pixar, conquistou Animação. Eu fiquei triste e feliz ao mesmo tempo, levando em conta que nossa potente produção nacional também competia pelo homenzinho dourado. E pensar que eu estava fantasiando num empate triplo a Divertida Mente, Anomalisa e O Menino e o Mundo... Mas foi uma vitória merecida. O trabalho é uma das melhores animações dos últimos tempos e mais que merecia esse Oscar. E, ainda sim, foi excepcional O Menino e o Mundo ter ido tão longe. Tomara que essa indicação abra os olhos da Academia para as nossas produções nacionais.


O Filho de Saul e Amy conquistaram Filme Estrangeiro e Documentário, respectivamente. Prêmios previsíveis. O mundo parou pra assistir a categoria de Melhor Ator. A Academia finalmente faria justiça ao Leo, depois de tanto brincar com o nome do ator em vão? Mas não podia ser outro. Era o DiCaprio ou era o DiCaprio. Bacana ver ele papando o Oscar todo feliz, finalmente, depois de tanto ser esnobado. Ator fenomenal numa performance cheia de qualidades, que não é a melhor dele, mas que certamente é um destaque de peso. Um dos melhores momentos dessa edição. O mundo vibrou com essa vitória, um dos tópicos mais comentados do Oscar 2016, que quebrou a internet. Meus parabéns, Leo! Você já é uma lenda.

Brie Larson ganhou em Atriz por O Quarto de Jack. Previsível e merecido, mesmo ao lado de outras concorrentes de peso, como a Charlotte Rampling ou a Saoirse Ronan. Muita gente estava torcendo pro George Miller ganhar em Direção, mas não teve jeito: pelo segundo ano consecutivo, Alejandro González Iñárritu ganhou o Oscar. Infeliz vitória, mas O Regresso não é um filme ruim. Poderia ter sido pior, levando em conta outros exemplares de edições passadas.

Quando chegou em Melhor Filme... Foi a hora do coração disparar que nem uma metralhadora. Quem venceu foi o sensacional Spotlight - Segredos Revelados (olha, outra coisa irônica sobre esse Oscar: o primeiro prêmio da noite e o último foram para Spotlight, e foram os únicos prêmios que o filme levou). Seria demais ter que ver O Regresso vencer Mad Max - Estrada da Fúria ou Spotlight, os dois melhores da categoria. Foi um prêmio merecidíssmo, o provável momento mais alegre da cerimônia. Pulei muito, quase chorei. Foi realmente emocionante. Trata-se de um trabalho importante e que foi reconhecido à altura. Foi justo pra caramba. O Oscar 2016, enfim, fez muita justiça. Sério. 6 prêmios pra Estrada da Fúria, Spotlight como melhor filme, Ennio Morricone, DiCaprio... Só achei bem imperdoavelmente injusto terem deixado o Stallone na mão. E 0 prêmios pra Perdido em Marte também foi duro, sem falar em Carol, que também ficou a ver navios. E, é isso aí, camaradas. Até a próxima. Viva ao bom e velho Oscar, rumo aos 89 aninhos!

Pra fechar: entre as beldades do carpete vermelho desse ano, estão: Alicia Vikander, Saoirse Ronan, Cate Blanchett, Sophie Turner e Margot Robbie (as mais belas, na minha opinião), Charlize Theron (esbanjando sensualidade), Rooney Mara, Rachel McAdams, Kerry Washington (linda, mas o look não conseguiu superar o do Oscar 2013, realmente fabuloso), Emily Blunt (ela tá grávida de novo?), Brie Larson (com o provável melhor figurino da noite - estou definitivamente bem longe de ser um expert em moda, mas gostei do look azul dela), Naomi Watts... O red carpet desse ano foi bem mediano, nada comparável ao dos anos anteriores. Poucas estrelas, poucos destaques, sem muitas surpresas (só eu que a cada edição do Oscar fantasio em encontrar uma Björk no tapete vermelho?).

IÑÁRRITU INVEJOSO













OS VENCEDORES

melhor filme
Spotlight - Segredos Revelados

melhor diretor
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)

melhor ator
Leonardo DiCaprio (O Regresso)

melhor atriz
Brie Larson (O Quarto de Jack)

melhor ator coadjuvante
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)

melhor atriz coadjuvante
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)

melhor roteiro original
Spotlight - Segredos Revelados
Josh Singer, Tom McCarthy

melhor roteiro adaptado
A Grande Aposta
Charles Randolph, Adam McKay

melhor filme estrangeiro
O Filho de Saul, Hungria

melhor filme de animação
Divertida Mente
Pete Docter, Jonas Rivera

melhor documentário
Amy
Asif Kapadia, James Gay-Rees

melhor trilha sonora
Os Oito Odiados
Ennio Morricone

melhor canção original
"Writing's on the Wall"
007 Contra Spectre

melhor fotografia
O Regresso
Emmanuel Lubezki

melhor edição
Mad Max - Estrada da Fúria
Margaret Sixel

melhor figurino
Mad Max - Estrada da Fúria
Jenny Beavan

melhor direção de arte
Mad Max - Estrada da Fúria
Colin Gibson, Lisa Thompson

melhor maquiagem e penteados
Mad Max - Estrada da Fúria
Lesley Wanderwalt, Elka Wardega, Damian Martin

melhor uso de efeitos visuais
Ex_Machina - Instinto Artificial
Mark Williams Ardington, Sara Bennett, Paul Norris, Andrew Whitehurst

melhor edição de som
Mad Max - Estrada da Fúria 
Mark Mangini, David White

melhor mixagem de som
Mad Max - Estrada da Fúria
Chris Jenkins, Gregg Rudloff, Ben Osmo

melhor curta-metragem (animação)
Bear Story
Gabriel Osorio, Pato Escala

melhor curta-metragem (live-action)
Shutterer
Benjamin Cleary and Serena Armitage

melhor curta-metragem (documentário)
A Girl in the River: The Price of Forgiveness
Sharmeen Obaid-Chinoy

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