Godzilla
dir. Gareth Edwards - ★★
Mesmo que eu tenha odiado o filme na maior parte do tempo, muito difícil não apreciar sua força técnica, que vem com a trilha sonora arrasadora do Alexandre Desplat, uma fotografia belíssima do Seamus McGarvey, e um elenco surpreendentemente extraordinário, com ênfase em Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olson (lindíssima), Bryan Cranston (ainda que a aparição do ator tenha sido rápida demais), Sally Hawkins, Ken Watanabe, entre outros. A primeira grande decepção de Godzilla foi o descarado desperdício da Juliette Binoche, que sofreu falha do roteiro tendo um final muito premeditado ainda no primeiro ato do longa, o que me deixou muito triste, embora muita gente tenha ficado estonteado com a "participação especial" dela, no entanto creio que eu tenho um pouco de culpa nisso, já que tinha criado bastante expectativa quanto à integração dela no elenco. Os efeitos visuais são brilhantes, e o filme é um impecável mérito nisso, só que sua trama abarrotada de clichês e fadigosa não ajuda muito. Mas, pelo estrondo técnico, vale ver Godzilla, e talvez rever, já que tem muita coisa pra ver aqui, e uma sessão talvez não possa captar toda essa magia, ainda que o filme seja totalmente uma porcaria. Quer ser grande, mas não tem potência para alcançar tal nível. Enfim, ele promete mais do que cumpre.
Logo depois do intenso Foi Apenas um Sonho, Sam Mendes concebeu outro filme bastante semelhante com o primeiro, se não fosse pelo fato de que é uma leve, simplista e deliciosa comédia dramática. Por Uma Vida Melhor, estrelado pelos talentosos, e pouco vistos no cinema, John Krasinski e Maya Rudolph (a empenhada esposa do Paul Thomas Anderson), narra a jornada de um jovem casal em busca do lugar perfeito para criar o bebê não-planejado que a mulher espera. Nessa aventura que atravessa fronteiras, essa inexperiente, porém apaixonada dupla, vai atentamente prestando atenção na vida daqueles ao redor, os casamentos e as suas relações amorosas. Um filme bem mais descontraído do que o sério e trágico Foi Apenas um Sonho, com uma porrada de referências à ele presentes nesta suave jornada cômica, romântica e muito emocionante.
A câmera introvertida do filme não opta por planos longos, e talvez por isso o filme seja tão rapidinho, uma vez que há menos cortes e cenas mais prolongadas. A fotografia de Ellen Kuras contribui nesse quesito e, muito embora outros filmes assinados por ela não tenham a mesma parcela deste aqui, menos "nervoso" do que Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, por exemplo, onde Ellen explora abertamente os cenários e as cenas fotografadas. E não aqui isso não ocorra. Digo, de uma maneira menos aberta, e mais restrita. Também tem o empurrãozinho do elenco fera, com John e Maya no comando, a Allison Janney, que está maravilhosa apesar de ser uma coadjuvante rouba-a-cena, Maggie Gyllenhaal, Jeff Daniels, Carmen Ejogo, Melanie Lynskey, Chris Messina, e por aí vai.
É interessante ver como os roteiristas Dave Eggers e Vendela Vida optam por um retrato nutrido de tanta simplicidade e uma pura sensibilidade, que felizmente não é poluída por falhas, as quais o filme estava nitidamente sujeito. O caminhar da trama, apesar de lento, é preenchido por questionamentos morais, diálogos excêntricos, sacadas ótimas e performances geniais. A qualidade é simplesmente imbatível.
Dentre as análises da vida em família já dirigidas por Sam Mendes, que também inclui o belíssimo e esquecido Beleza Americana, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2000, é bem provável Por Uma Vida Melhor ser o menos pretensioso e mais engraçado, uma vez que o humor não é a praia do Sam, mas aqui é manejado com maestria e equilíbrio, tanto pelo diretor, quanto o pessoal do roteiro e os atores. No fim, é mais uma reflexão sobre nossa busca por melhores oportunidades, nosso anseio por uma vida melhor, mudança e novos ares, fazer a diferença. É aquele típico estereótipo de pais que diz: "dar para meu filho aquilo que não tive na minha infância". Francamente, pode ser um assunto batido, mas é muito comum e sobreviveu até os dias de hoje. Essa visão é o espelho desse ditado e de como nós, além para o nosso bem, também buscamos o melhor para a nossa família, as chamadas condições. Tanto Beleza... quanto Foi Apenas..., numa maior concentração neste último, discutem nossas ambições ligadas à uma vida melhor, à transformação e à evolução, a certo modo. Se no drama da Kate Winslet o pessimismo e a desgraça sobrecarregaram a história, tornando-a numa via mais realista e concreta, aqui é totalmente ao contrário, embora o realismo também esteja profundamente presente, só que de uma maneira distinta. É a nossa luta pelos sonhos e a realização deles acima de qualquer coisa - o instinto. E ninguém melhor do que Mendes para tomar as rédeas dessa lindíssima obra de arte.
Por Uma Vida Melhor (Away We Go)
dir. Sam Mendes - ★★★★
Logo depois do intenso Foi Apenas um Sonho, Sam Mendes concebeu outro filme bastante semelhante com o primeiro, se não fosse pelo fato de que é uma leve, simplista e deliciosa comédia dramática. Por Uma Vida Melhor, estrelado pelos talentosos, e pouco vistos no cinema, John Krasinski e Maya Rudolph (a empenhada esposa do Paul Thomas Anderson), narra a jornada de um jovem casal em busca do lugar perfeito para criar o bebê não-planejado que a mulher espera. Nessa aventura que atravessa fronteiras, essa inexperiente, porém apaixonada dupla, vai atentamente prestando atenção na vida daqueles ao redor, os casamentos e as suas relações amorosas. Um filme bem mais descontraído do que o sério e trágico Foi Apenas um Sonho, com uma porrada de referências à ele presentes nesta suave jornada cômica, romântica e muito emocionante.
A câmera introvertida do filme não opta por planos longos, e talvez por isso o filme seja tão rapidinho, uma vez que há menos cortes e cenas mais prolongadas. A fotografia de Ellen Kuras contribui nesse quesito e, muito embora outros filmes assinados por ela não tenham a mesma parcela deste aqui, menos "nervoso" do que Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, por exemplo, onde Ellen explora abertamente os cenários e as cenas fotografadas. E não aqui isso não ocorra. Digo, de uma maneira menos aberta, e mais restrita. Também tem o empurrãozinho do elenco fera, com John e Maya no comando, a Allison Janney, que está maravilhosa apesar de ser uma coadjuvante rouba-a-cena, Maggie Gyllenhaal, Jeff Daniels, Carmen Ejogo, Melanie Lynskey, Chris Messina, e por aí vai.
É interessante ver como os roteiristas Dave Eggers e Vendela Vida optam por um retrato nutrido de tanta simplicidade e uma pura sensibilidade, que felizmente não é poluída por falhas, as quais o filme estava nitidamente sujeito. O caminhar da trama, apesar de lento, é preenchido por questionamentos morais, diálogos excêntricos, sacadas ótimas e performances geniais. A qualidade é simplesmente imbatível.
Dentre as análises da vida em família já dirigidas por Sam Mendes, que também inclui o belíssimo e esquecido Beleza Americana, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2000, é bem provável Por Uma Vida Melhor ser o menos pretensioso e mais engraçado, uma vez que o humor não é a praia do Sam, mas aqui é manejado com maestria e equilíbrio, tanto pelo diretor, quanto o pessoal do roteiro e os atores. No fim, é mais uma reflexão sobre nossa busca por melhores oportunidades, nosso anseio por uma vida melhor, mudança e novos ares, fazer a diferença. É aquele típico estereótipo de pais que diz: "dar para meu filho aquilo que não tive na minha infância". Francamente, pode ser um assunto batido, mas é muito comum e sobreviveu até os dias de hoje. Essa visão é o espelho desse ditado e de como nós, além para o nosso bem, também buscamos o melhor para a nossa família, as chamadas condições. Tanto Beleza... quanto Foi Apenas..., numa maior concentração neste último, discutem nossas ambições ligadas à uma vida melhor, à transformação e à evolução, a certo modo. Se no drama da Kate Winslet o pessimismo e a desgraça sobrecarregaram a história, tornando-a numa via mais realista e concreta, aqui é totalmente ao contrário, embora o realismo também esteja profundamente presente, só que de uma maneira distinta. É a nossa luta pelos sonhos e a realização deles acima de qualquer coisa - o instinto. E ninguém melhor do que Mendes para tomar as rédeas dessa lindíssima obra de arte.


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